‘Musseque’, ‘Favela’ ou ‘Tabanca’

Não resisto à tentação de abordar o tema, a que o João José Cardoso se referiu, e bem, anteriormente. Há tempos, este Mestre, Secretário de Estado da Juventude, proclamou:

Os jovens portugueses que não encontrem colocação no mercado trabalho não se devem acomodar à situação, ‘zona de conforto’, EMIGREM!

Pensava eu, e naturalmente muitos dos portugueses, ter-se tratado de uma declaração política individual, infeliz, desfocada dos fundamentos e orientação política do governo de Passos Coelho e de Paulo Portas. Afinal eu e os outros, todos alinhados pela ideia de ser disparate de um ‘deus menor’, equivocámo-nos.

Com efeito, trata-se de um objectivo programático perene do governo, antes proclamado em relação a jovens ex-estudantes, agora reafirmado por Passos Coelho relativamente a 15 mil professores desempregados:

[Aconselharia] “os professores excedentários que temos a abandonar a sua zona de conforto e a procurarem emprego noutro sítio. Em Angola e não só. O Brasil…” Jornal “i”

Na lógica da reciprocidade da convivência democrática, entre governantes e governados, e uma vez tão saturado deste como do anterior – os meus votos não favoreceram nem um e nem outro – como cidadão posso também propor ao Senhor Primeiro-Ministro que emigre, com três destinos opcionais: um musseque luandense, uma favela do Rio ou uma tabanca entre Bissau e o Chacheu.

Publico imagens de um musseque, para ilustrar uma das ‘zonas de conforto’ de acolhimento possíveis e merecidas por quem diz lutar pelo melhor para os outros: