Antes de mais, João, o verbo “chamar” não rege a preposição “de”, a não ser no Brasil (eu compreendo que a gramática seja grande e que, às vezes, lhe dê preguiça lê-la), mas ainda bem que gosta que lhe chame giro e arejado.
De resto, é evidente que as enfermeiras em causa revelam iniciativa, mas isso deriva de uma série de erros de governação que acentuam a miséria, o isolamento, o desemprego e que criaram uma sociedade em que os mais desfavorecidos têm cada vez mais dificuldades em ter cuidados de saúde. Numa sociedade civilizada e, portanto, solidária, o Estado existe para corrigir desequilíbrios e não para os acentuar. Uma sociedade equilibrada será aquela em que o Estado não intervenha onde não deve e não se abstenha de agir em áreas cruciais, áreas que não podem ficar à mercê da iniciativa privada, entidade endeusada por neoliberais deslumbrados e/ou acarinhada por partidos que tomam conta do país para servirem de comissão liquidatária, vendendo-o aos privados. Entretanto, quem quiser saúde e educação terá de as pagar; quem não puder pagar, pode morrer ou continuar ignorante. Haverá, afinal, maior empreendedorismo do que morrer ou não ir à escola?







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