A miséria aguça o empreendedorismo

Antes de mais, João, o verbo “chamar” não rege a preposição “de”, a não ser no Brasil (eu compreendo que a gramática seja grande e que, às vezes, lhe dê preguiça lê-la), mas ainda bem que gosta que lhe chame giro e arejado.

De resto, é evidente que as enfermeiras em causa revelam iniciativa, mas isso deriva de uma série de erros de governação que acentuam a miséria, o isolamento, o desemprego e que criaram uma sociedade em que os mais desfavorecidos têm cada vez mais dificuldades em ter cuidados de saúde. Numa sociedade civilizada e, portanto, solidária, o Estado existe para corrigir desequilíbrios e não para os acentuar. Uma sociedade equilibrada será aquela em que o Estado não intervenha onde não deve e não se abstenha de agir em áreas cruciais, áreas que não podem ficar à mercê da iniciativa privada, entidade endeusada por neoliberais deslumbrados e/ou acarinhada por partidos que tomam conta do país para servirem de comissão liquidatária, vendendo-o aos privados. Entretanto, quem quiser saúde e educação terá de as pagar; quem não puder pagar, pode morrer ou continuar ignorante. Haverá, afinal, maior empreendedorismo do que morrer ou não ir à escola?

Comments


  1. Alguém continua a mandar tiros ao lado. Na situação em concreto, existe um centro de saúde em Sendim, que fica a cerca de 7 quilómetros de Atenor, numa estrada que é quase toda recta.

    Para quem acusa os outros de falhas gramaticais (a isso chama-se “nazi da gramática”), parece ter alguma dificuldade em ler um mísero artigo de jornal duma ponta à outra…

    A menos, claro, que defenda que o Estado deve proporcionar extensões de saúde a cada quilómetro quadrado do território, mas aí já não é só falha de compreensão da escrita, é pura demência.

  2. António Fernando Nabais says:

    E é claro que todos os idosos vivem exactamente a 7 quilómetros do Centro de Saúde de Sendim, para não falar de outras hipóteses que desconhecemos, como poder não haver dinheiro para pagar transporte. A notícia mostra, ainda, que as enfermeiras e os outros técnicos de saúde, afinal, são necessários.
    Quem quer dar lições de hermenêutica não deve usar preposições erradas. Nunca pensei ficar tão contente por me chamarem nazi.
    Ver, no meu texto, uma provável defesa de que deveria haver uma extensão de saúde por quilómetro quadrado deriva de “falha de compreensão da escrita” ou de “pura demência”.


  3. Claro que a notícia mostra que os profissionais de saúde são necessários: não podia mostrar outra coisa. Qualquer pessoa em especial condição de vulnerabilidade precisa dos serviços de um profissional de saúde. Se existisse um enfermeiro por cada lugar, de cada freguesia, de cada concelho, era o ideal.

    No entanto, o Estado, como gestor dos nossos impostos, tem de decidir quantos profissionais de saúde existem por uma determinada área, ou por certa quantidade de habitantes. Neste caso em concreto, um centro de saúde num raio de 10 quilómetros é perfeitamente razoável.

    Fecharam muitos serviços de saúde no nordeste? Fecharam. Algumas decisões foram tomadas de regra e esquadro, e depois admiram-se de ninguém se fixar por aqui.

    Neste caso específico, trazer isso à discussão é pura desonestidade intelectual.

  4. António Fernando Nabais says:

    Você baralha-se, homem:
    1. Então a notícia mostra que são necessários mais profissionais de saúde que, entre outras coisas, apoiem, em proximidade, as pessoas e, depois, defende que um centro de saúde é suficiente?
    2. Mas alguém defende que deva existir num enfermeiro por cada lugar, se o problema puder ser resolvido de outra maneira mais barata?
    3. A notícia é omissa relativamente à facilidade financeira e/ou física para as pessoas se poderem deslocar e você não coloca a hipótese de que isso possa ser uma dificuldade para várias pessoas, tendo em conta, por exemplo, os cortes nas pensões ou as pensões de miséria que não chegam para táxis ou medicamentos?
    4. Reconhece que fecharam muitos serviços de saúde no nordeste e que houve medidas tomadas com régua e esquadro e, portanto, reconhece, implicitamente, que isso acentua a desertificação, mas, afinal, está tudo bem?

    Para além de se baralhar, não consegue argumentar (ou tentar argumentar) sem recorrer a um insultozinho: já fui nazi e agora sou desonesto. Da próxima vez que for a um Centro de Saúde, peça um chazinho: pode ser que ainda vá a tempo.


  5. Professor Nabais, vamos lá a ver se nos entendemos:

    1 & 2. Os profissionais de saúde são necessários em todo o lado onde exista um problema de saúde. A única questão está em quão necessários. Utopicamente, existiria um enfermeiro colocado junto a cada dor de cabeça; só que é impraticável, por mais razões do que as puramente económicas;

    3. O que não falta são pessoas com mobilidade reduzida em todo o lado. Como Lisboa tem, infelizmente, demonstrado nos últimos tempos, é possível morrer-se a 100 metros de um centro de saúde, pelas razões que enumera, e muitas outras;

    4. Onde é que eu disse que está tudo bem? O nordeste, e o norte, em geral, têm vindo a ser os enteados deste país; e está mal. Só digo que, neste caso em concreto, não há lugar a esta discussão, pelas razões já citadas. Ora, quando se tenta puxar um assunto à custa de outro sem qualquer relação só para tentar provar um ponto de vista, é desonestidade intelectual. Isto não é um insulto, é um alerta para que possa ver que está a misturar o que não pode ser misturado.

    A escolha desta freguesia em particular é deliberada por parte das duas enfermeiras, porque é uma das freguesias mais activas do planalto Mirandês, que oferecia mais garantias de que a proposta de associação delas fosse aceite e apoiada.

    (adicionalmente, grammar nazi: http://en.wiktionary.org/wiki/grammar_Nazi – não o faça, é obnóxio)

  6. António Fernando Nabais says:

    Não faço questão de ter a última palavra, mas vejo que continua baralhado e insiste, por exemplo, em partir do princípio de que, numa discussão razoável, se possa pensar que alguém defenda utopias ou em defender que esta situação particular não tem relação nenhuma com o facto de o Estado não cumprir com as suas responsabilidades.
    Quanto à referência “wikipédica”, não me conhece o suficiente para saber se sou ou não sou um “nazi da gramática”. Reconheço que reajo como tal, quando encontro sobranceria ou paternalismo naqueles que aconselham a ler, quando não sabem escrever (e não estou a referir-me a si). De resto, dispenso os seus conselhos.


  7. MJamado e Marco impressionam-me pela suas ideias brilhantes e conhecimento dos que precisam de ter acesso à saúde — púbica – deviam ser funcionários da política – talvez a JPSD para irem aquecendo o lugar – RTPInformação- programa EUROPA-o depuitado europeu do CDS está ali a dizer coisas sobre a relaçãoo da UE com o Brasil e a Mercosul – interpelado por aquela senhora que sempre falava na UE e agora é interlocutora e fala demais – diz ele que a UE assentava em autosuficiência alimentar – coitado – ele é deputado europer e não recorda o que em 1986 ele ajudou a fazer com a PAC – nem lhe interessa lembrar – come em Bruxelas + Andre Malamud – facebook.com/amiseuropa – estes tipos não sabem o que dizem – são uns teóricos e intelectuais demais – irrealistas

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