As cinquenta sombras do desígnio nacional: explorar

Consta que um livreco virou filmezeco, têm sexo, não têm nem cinema nem literatura, ambos vendem bem. Não tencionando nem ler nem ouver as tais Cinquenta Sombras de Grey, nunca terei tempo para a arte que gostava de levar comigo quanto mais para o entretenimento, e se tem sadismo ainda me faltam uns livrinhos do Divino Marquês, há um detalhe nacional no episódio: parte do cenário tem proveniência nacional, honra e glória ao design nacional (chamam agora design às artes decorativas, haja paciência).

O problema é que pelo Adriano Campos chego a este vídeo, e por este vídeo se conclui que o empreendedorismo também nesta área, supostamente refinada, rima com esclavagismo.

A Menina Design quando crescer quer um chicote. E está certo, confere com o tema da película.

Liberal-esclavagismo

Na modalidade trabalhas mas não pago.

É a economia estúpida

Segundo o que é possível apurar a partir da leitura desta notícia, a freguesia de Atenor, no planalto mirandês, é afectada pela desertificação e tem uma população envelhecida e, em muitos casos, solitária. Até há pouco tempo, havia várias valências nos centros de saúde da região que desapareceram, “em nome da contenção de custos.”

A mesma notícia permite-nos ficar a saber que todas essas valências são, afinal, necessárias, mas, na mentalidade contabilistóide dos últimos governos, os desfavorecidos não contam como seres humanos e são apenas parcelas a abater, pelo que ficam entregues à sua sorte. [Read more…]

Cama, mesa e roupa lavada

Nada de salários. O sonho do verdadeiro empreendedor. É bom que os esclavagistas se assumam.

A indigência é apenas dos indigentes?

Desta vez as palavras não são minhas, são citadas do Público e dizem tudo, a começar pelo título:

 

Portugal, século XXI: há escravos levados das Beiras para Espanha

Os novos “negreiros” são famílias que encaminham indigentes para explorações agrícolas espanholas. Dormem acorrentados, passam fome e não recebem.

“Dormiam em velhos colchões retirados do lixo, no chão, sendo presos pelos pulsos, por uma corrente de ferro e cadeado, todos aqueles que os arguidos António, Francisco e Maria suspeitassem que pretendiam fugir, sendo ainda o armazém fechado pelos mesmos arguidos, para que nenhum daqueles trabalhadores pudesse sair”.

 

No séc. XXI, perante situações que permanecem e se arrastam no tempo, perante o desaparecimento físico de pessoas pouco habilitadas a viajar, perante a repetição de cenários e a indiferença de vizinhos, empregadores e autoridades, a indigência é apenas dos indigentes?