Carros caros, salários chorudos e esquecimentos convenientes

Viatura de luxo atribuida pelo presidente da Câmara de Gaia ao seu chefe de gabinete.

Está a completar-se um ano sobre o dia em que o gabinete do ministro Vieira da Silva garantia ao jornal Público que “estava a apreciar” um pedido de auditoria ao funcionamento e às contas da Cooperativa Sol Maior, fundada pelo actual presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e de cujos órgãos sociais fazem parte seus familiares directos, a sua adjunta na Câmara Municipal e o seu chefe de gabinete. Este último, aliás, representando bem o exemplo do que é para o presidente da Câmara falida de Gaia o “respeito pelo dinheiro do povo”, quando lhe atribuiu para uso total uma viatura de luxo BMW, conforme se pode ver na imagem. Seguindo o argumentário da presidente demissionária da Raríssimas, presume-se que o chefe de gabinete do autarca de Gaia não se possa fazer transportar como qualquer comum cidadão de uma cidade falida. Tem que ser com estilo.

O Público tinha noticiado que a mulher do presidente da Câmara tinha passado de um salário de 475 para 2343,71 euros em apenas cinco anos. Mas que tinha sido sobretudo a partir do momento em que Eduardo Vítor Rodrigues assumira funções como presidente da autarquia que o salário da sua mulher conhecera sucessivos aumentos. Na ocasião, o autarca desdobrou-se em desculpas, todas elas falsas, para tentar justificar o salário de 2343,72 euros auferido pela sua mulher numa IPSS fundada por si próprio e à qual agora, enquanto presidente da Câmara, entregara o negócio das ATL nas escolas do concelho, além de outros subsídios de legalidade questionável.

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Raríssima, urgente e na gaveta

O Ministro Vieira da Silva é uma pessoa respeitável e certamente um dos mais experientes governantes no activo, com um curriculum na área do Trabalho e da Segurança Social que poucos  políticos portugueses podem exibir.

As notícias vindas a público nos últimos dias devem ser lidas e interpretadas no contexto específico da IPSS em causa e das irregularidades de que a sua direcção é acusada, mas não pode ocultar-se o facto de que, nos últimos meses, foram vários os casos de alegada corrupção envolvendo Instituições Particulares de Solidariedade Social, circunstância que lança a suspeita sobre todo o Terceiro Sector e as redes de influência económica e política que a ele estão ligadas.

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PS quer suspender militantes

Segundo dá nota o jornal PÚBLICO, a direcção do Partido Socialista prepara-se para instaurar processos disciplinares aos militantes – foram centenas – que integraram listas que concorreram contra o próprio PS nas ultimas eleições autárquicas. Nada a dizer, a não ser cumpra-se a lei e os estatutos do partido.

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Começar com o pé direito (ou com o que tinha mais à mão)

O novo presidente do Conselho Metropolitano do Porto – funções que acumula com as de presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia – começou o seu mandato de modo auspicioso, sendo indiciado, na qualidade de presidente de Câmara, pelo crime de Desobediência, tendo a Comissão Nacional de Eleições remetido ao Ministério Público, no passado dia 17 de Outubro, o processo no qual constam os factos incriminatórios, ocorridos durante a campanha eleitoral para as últimas autárquicas. O crime que a Comissão Nacional de Eleições imputa ao presidente da Câmara de Gaia está descrito no Artigo 348º do Código Penal – Desobediência – e pode ser punido com pena de prisão até dois anos, no caso da desobediência qualificada.

Poucos dias depois, a 24 de Outubro, foi o próprio Tribunal Constitucional que veio confirmar a posição da Comissão Nacional de Eleições, negando provimento a um recurso apresentado por Eduardo Vítor Rodrigues e confirmando a intervenção do Ministério Público, ao qual caberá decidir a instauração de procedimento criminal contra o autarca, agora presidente do Conselho Metropolitano do Porto.

É caso para dizer que a Área Metropolitana do Porto tem, nos próximos tempos, a sua imagem bem defendida e representada, estando fortalecida a sua credibilidade junto do poder central e, mais do que isso, junto dos cidadãos do Grande Porto.

Custe o que custar

Nuno Delerue com Eduardo Vítor Rodrigues, na assinatura do acordo de aliança para a Câmara de Gaia (Ano de 2013).

Presidente da Comissão Política do movimento que elegeu, em 2013, José Guilherme Aguiar como vereador da Câmara de Gaia, seria Nuno Delerue quem viria a assinar, ainda nesse ano, o acordo de aliança política com o PS/Gaia, acordo esse que permitiria a Eduardo Vítor Rodrigues liderar os destinos da autarquia com uma maioria absoluta não conquistada em eleições.

Agora, Nuno Delerue, antigo vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, que integrou a comissão de honra da candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do partido, regressa “por dentro”, depois de três dos seus companheiros terem sido incluídos na lista do Partido Socialista à Câmara de Gaia: Guilherme Aguiar, Valentim Miranda e Elísio Pinto.

Esta estratégia do Partido Socialista para a terceira Câmara do país está em contra-ciclo com a solução encontrada ao nível do parlamento nacional, onde o PS se aliou, e bem, aos partidos da sua “esquerda” para constituir a chamada Geringonça, buscando, ao nível da governação, soluções que permitissem, na medida do possível, reverter as políticas gravosas que durante a anterior legislatura o governo PSD/CDS tinha levado a cabo.

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Fé, Política e Propaganda

 

O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, ladeado pelo presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, João Paulo Correia, e pelo actual Administrador dos STCP (ex-administrador das Águas de Gaia e ex-Chefe de Gabinete de Vítor Rodrigues), Tiago Braga, naquilo que parece ser a concórdia perfeita entre Fé, Política e Propaganda, em mais um “passeio sénior” a Fátima, em plena campanha eleitoral para as autárquicas.

Certamente que a famosa “municipalização” dos STCP não serviu para patrocinar estas garraiadas santas.

Visão das “campanhas sujas” de Gaia

A reportagem da revista Visão publicada há alguns dias sobre as “Campanhas Sujas” da política, todas elas a norte e a principal das quais em Gaia, tem alguns pontos de interesse, apesar de a maior parte da informação publicada já ser conhecida e até já ter sido analisada pelas autoridades judiciais.

Mas há algumas novidades na peça jornalística que importa assinalar.

A primeira novidade é o aparecimento em cena de um grande grupo empresarial chamado Trivalor, dono de empresas como a Gertal, cujo negócio principal é o fornecimento de refeições escolares. Ou como a Strong, que se dedica à Segurança Privada. A Visão diz que a Trivalor terá financiado campanhas eleitorais do PSD e do PS. O que a Visão não diz é que a Gertal fez o maior contrato de todos os que constam do Portal Base com a Câmara de Gaia, num valor superior a 12 milhões de euros, no ano de 2015, já Eduardo Vitor Rodrigues era presidente de Câmara havia cerca de dois anos. Também não diz que a Strong, empresa do mesmo grupo, “ganhou”, no mesmo ano, o concurso para fornecimento de serviços de segurança à autarquia, destronando uma empresa concorrente que prestava esse serviço há vários anos.

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