O Passos e os barões assinalados

Foto: André Kosters/Lusa

Com o final do ciclo passista à vista, queimam-se os últimos cartuchos de propaganda de uma oleada máquina que, nos seus tempos áureos, triturou Manuela Ferreira Leite sem dó nem piedade, a quem se seguiu Aguiar-Branco e Paulo Rangel, recorrendo a práticas tão respeitáveis como a manipulação do Fórum TSF ou a concepção de apoiantes alternativos nas redes sociais, como o célebre caso Maria Luz, magistralmente desmontado e exposto neste blogue pelo J. Manuel Cordeiro.

A máquina, porém, foi esmorecendo, e nem o advento dos observadores foi suficiente para manter o passismo vivo, apesar do forte investimento e de uma mobilização de recursos considerável, na imprensa escrita como nas redes sociais. À governação de péssima memória, guiada pelo radicalismo ideológico e pela quase ausência de resultados, cuja cereja em cima do bolo é a famosa saída limpa com Banif debaixo do tapete, seguiram-se dois anos de puro fanatismo, durante os quais todas as desgraças foram profetizadas, todas as crises aventadas e até a vinda de demónios era dada como certa. [Read more…]

Crónicas do Rochedo XXII – Pedro Passos Coelho

PPC

Quem pensa que a vida política de Pedro Passos Coelho terminou a 1 de Outubro de 2017 está enganado.

Para o PSD profundo, Pedro Passos Coelho é o líder que nunca perdeu umas eleições legislativas. Que ganhou a Sócrates e que, depois de quatro anos a governar com uma política de austeridade violenta, ganhou as legislativas a António Costa. E isso, como já se vê nas redes sociais nas opiniões desse PSD, é algo que não será esquecido. Daí o verdadeiro “tiro ao alvo” diário a Rui Rio, Morais Sarmento e Manuela Ferreira Leite.

Para a maioria dos militantes do PSD, Pedro Passos Coelho é um resistente e um vencedor, alguém a quem a história um dia fará justiça. E quando assim é, está a narrativa do mito em toda a sua força. A mesma que será resgatada após a derrota previsível do PSD nas próximas legislativas. E porquê essa derrota? Porque se o PSD escolher Rui Rio, o eleitorado vai olhar para ele como uma espécie de cópia de Costa na versão sisuda e cinzenta. E entre a cópia e o original… Se, por hipótese verosímil (pois o aparelho manda e muito) Luís Montenegro for o próximo presidente do PSD perde, porque entre o original (PPC) e a cópia a preto e branco em fotocopiadora chinesa de má qualidade, o eleitorado não hesita. O problema do PSD é mais profundo.

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A história do passismo que pariu a Geringonça, abortou o PSD e criou um monstro

Fotografia: Miguel A. Lopes/Lusa@JN

Maiorias absolutas, numa autarquia como no governo central, são sempre soluções perigosas. Seja pela prepotência ou pelos tiques autoritários que originam em quem não tem unhas para manusear o poder, seja pela tendência para a arbitrariedade, a célebre frase de Lord Acton nunca perde actualidade: o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

Domingo à noite, o passismo defunto iniciou um processo acelerado de decomposição. Com uma pesada derrota em toda a linha, em particular nas zonas mais urbanas, o PSD terminou a noite a disputar o terceiro lugar no Porto e em Lisboa com a CDU, conseguindo o mesmo número de vereadores que os comunistas em ambos os concelhos, tendo em Lisboa sido ultrapassado pela direita por Assunção Cristas, que de resto conseguiu o dobro dos vereadores do antigo parceiro de coligação. As escolhas pessoais de Passos Coelho para os mais importantes municípios portugueses deram origem ao resultado que se previa há meses: o pior de sempre. [Read more…]

As considerações de uma caranguejola a caminho do desastre eleitoral

Foto: Alberto Frias@Expresso

Passos Coelho afirmou ontem que não considera Assunção Cristas “uma adversária”. Já Cristas não parece sequer considerar Teresa Leal Coelho, pelo menos a julgar pelo comício desta Quinta-feira, no qual considerou ser “a única alternativa” a Fernando Medina, a quem a sondagem do Expresso, jornal a considerar para quem quer saber o que se passa no país, atribui maioria absoluta.

Perante este conjunto de considerações, penso ser legítimo considerar que Assunção Cristas se está nas tintas para os Coelhos laranjas, até porque se prepara para os ultrapassar pela direita na capital, apesar do táxi que vai a reboque deles na esmagadora maioria dos municípios portugueses. Irá o desastre eleitoral que se avizinha colocar um ponto final na caranguejola? É algo a ter em consideração.

Pedro Passos Coelho perdeu completamente a noção

Fotografia: Lusa@Dinheiro Vivo

Como diz a sabedoria popular, é cada tiro, cada melro. Primeiro foi a fase do Calimero e da negação da democracia representativa. O resultado foi uma fuga para a direita e o início de uma sucessão de quedas em todos os estudos de opinião, que se continua a agravar até hoje.

Depois vieram as profecias da desgraça, com sanções, resgates e ritmos venezuelanos à mistura. Porém, à medida que os números o começaram a tramar, o discurso inverteu-se e afinal era tudo herança dele, apesar de ter passado meses a afirmar que a Geringonça tinha destruído a tal herança e que vinha aí a grande catástrofe. Uma anedota completa. De Calimero passa a ser alvo de chacota, para além de se transformar na melhor coisa que poderia ter acontecido a António Costa: uma oposição fraca, liderada por um líder que não passa uma semana sem meter os pés pelas mãos. [Read more…]

Da série “é preciso comprar o Expresso para saber o que se passa no país”

O desfecho das eleições alemãs está em destaque na edição online do Expresso e ocupa o topo da página web. Entre as várias peças, citações e considerações, há um nome que se destaca: Pedro Passos Coelho. O líder da oposição está preocupado com a extrema-direita alemã mas, assegura, o que se passa no domínio da chanceler nada tem a ver com a situação portuguesa. Até porque, pelo menos por enquanto, nada mais por cá há do que um partido fascista sem expressão eleitoral e um outro, outrora moderado, que apoia um candidato que foi acusado de roubar o discurso da extrema-direita. Um candidato xenófobo com sonhos molhados sobre penas de morte e castrações químicas. Pelo que importa dar destaque à preocupação de Passos Coelho com a ascensão da extrema-direita, não vá essa esquerdalhada injusta e ingrata querer ligar o homem a gente dessa. Ainda bem que temos o Expresso para saber o que se passa no país.

Em cada esquina um José Gomes Ferreira

Pedro Passos Coelho está indignado, coitado. A censura soviética que grassa asfixia a democracia e coiso e tal. Só era escusado ser tão ingrato para com jornais como o Sol, o i e o Correio da Manhã, que tanto têm lutado pela causa passista. Mas a luta continua e o revolucionário líder do PSD não baixará os braços.

Já agora, que jornal temos que comprar para saber o que se passa com o caso Miguel Macedo?