Circuito da Boavista: mais de 200 mil espe…

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Exactamente. Espe…

Dir-me-ão, defensores do Acordo Ortográfico de 1990, que o contexto – e não a consoante – é a chave que nos levará a decifrar correctamente aquele ‘e’ da palavra abruptamente interrompida. Aliás, convém sempre andarmos actualizados (se alguém conseguir descobrir a norma ortográfica seguida nesta notícia, chapeau!), para não perdermos o fio ao contexto.

Parece, à primeira vista, inegável: a imagem de um carro de competição e as referências a “motores” e a “circuito da Boavista” dar-nos-ão imediatamente a informação necessária para identificar o timbre da vogal encostada, naquele caso, às reticências, mas que poderia anteceder uma translineação

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É claro, pois, o contexto… Evidentemente, neste caso, num concerto de Amália, esperamos que haja espectadores e não espetadores — já estamos todos fartos da demagogia das bandarilhas nas touradas, mesmo que, lá no fundo, achemos não se tratar bem de demagogia, pois, mesmo assim, realmente, para quê aquela consoante, perfeitamente absurda, despropositada, inoportuna e desnecessária?

Com certeza, a coisa piaria mais fino se a translineação ocorresse na mudança de uma página ímpar para uma página par, isto é, se

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É evidente, não l-e-m-o-s-a-s-s-i-m, nem se–quer–des–ta–ma–nei–ra, lemos assim, desta forma, percebendo imediatamente, ao encontrar ‘-tadores’ na página 22, que se trata de esp[ɛ]tadores. Sim, perceberemos logo. Pois, sim. Provavelmente.

Um dos aspectos aqui em apreço, note-se, é o da maior probabilidade de aquele ‘e’, na ausência de, por exemplo, uma consoante que nos permita antecipar a posição do acento, ser lido como o de, passe a redundância, ‘de‘ e não como o de ‘pé’.

É evidente, tudo se resolveria se todos pronunciássemos a oclusiva a que pode corresponder aquele ‘c’, mas esse é outro aspecto e já por aqui foi discutido.

Ora, resumindo e concluindo, aquele ‘e’ lê-se como o ‘e’ de ‘de’. Sim, mantenho: aquele ‘e’ não se lê como o ‘e’ de pé. Não acreditam?

Então, leiam o título, sem interrupções [Read more…]

Para respostas destas é preferível o silêncio

O Orçamento da Câmara do Porto prevê um investimento de 800 mil euros para reabilitar parte da Avenida da Boavista e 300 mil euros para alargar o parque de estacionamento nascente do Parque da Cidade.

O vereador da CDU, Rui Sá, desconfia que tenha a ver com a realização de mais uma edição do Circuito da Boavista. Disse isso mesmo na reunião da autarquia destinada a aprovar o orçamento. Na reunião ninguém desmentiu a suspeita.

Ao Jornal de Notícias, a câmara responde assim: : “Se o PCP diz, então é porque é. Ficamos a aguardar a justificação pela qual assim é, já que julgamos que a maioria da Câmara também tem o direito de saber porquê; a não ser que seja tabu”.

Pronto, estamos esclarecidos. Sobretudo os cidadãos do Porto, que têm direito a uma informação decente por parte da respectiva autarquia. Devem ter ficado a perceber tudo. Eu fiquei.