Ao cuidado do próximo governo privatizador de direita

A Companhia das Lezírias é pública, dá lucro e fabrica produtos para os quais existe boa procura. Com certeza que haverá um oligarca chinês interessado.

Privatizações – defender a Companhia das Lezírias

Vendem-se os anéis mas ficam os dedos? Nem isso! Aumentar os impostos nem pensar (embora o Código Contributivo fosse um aumento “oculto”), diminuir nas despesas nem em tempo de abastança quanto mais em tempo de miséria.

Restam as privatizações e as “golgadas” tipo fundações, hospitais empresa que desorçamentam despesa pública.

Quanto às privatizações, o “filet mignon” há muito que se foi na voragem dos negócios, restam participações que irão parar às mãos dos mesmos de sempre, à velocidade das prementes necessidades do Estado gastador.

Mas queria chamar aqui a atenção para a Companhia das Lezírias, um bocado apetitoso para a ambição de fazer dinheiro e muito e depressa. Terras ricas, onde se cultiva tudo e mais alguma coisa, atravessada por dois rios (o Tejo e o Sorraia) com uma enorme extensão e que se deixa trabalhar e sustenta dezenas de famílias que fazem da agricultura o seu ganho pão, enquanto rendeiros.

Esta enorme extensão de terras maravilhosas, das mais produtivas do país, ainda presta outro enorme serviço que é fazer de tampão, à política de betão, não o deixando crescer para cima do rio. A tentativa já foi feita, na altura houve força para travar a extorção, demasiada visivel, mas temo que aos poucos a lezíria vá desaparecendo na voragem de quem nada respeita.

O problema dos sobreiros, da margem sul, em investigação, já se deu dentro das terras da Lezíria, num golpe baixo que se não fossem as circuntâncias do abate dos sobreiros já teria passado despercebido

Vão começar com um hotel aqui, outro ali, mais um campo de golf e quando dermos pela marosca um dos poucos paraísos existentes já não tem salvação.

Perto da grande cidade e de cinco milhões de habitantes, o aeroporto aqui a minutos a tentação é grande, ou abrimos os olhos, ou tudo vai na enxurrada que nada respeita.

Sem agricultura, sem indústria, sem pescas, tarde ou cedo estaremos na situação da Grécia e da Irlanda e de outros países que pensavam que se podia viver eternamente dos empréstimos de quem produz.

Vêm aí as privatizações! Salvemos a companhia das Lezírias!