Chá das divorciadas

“There’s always free cheddar in a mousetrap, baby” – Tom Waits

Se acreditam na felicidade conjugal vêm cá um dia e isso passa-vos num instante. Quando quiserem, é melhor não terem pressa, a gente deve acreditar nas coisas enquanto pode. A esta hora chegam as ex-mulheres dos jogadores de futebol, entretanto trocadas por uma modelo de pernas compridas e 15 anos a menos, as empresárias que saem do escritório ao início da tarde para uma reunião e já não regressam, as reformadas, as amantes. Olham de alto a baixo umas para as outras mas por hábito, já sem espírito competitivo. Folheiam revistas para arranjar ideias para o próximo corte de cabelo ou para a próxima cor de verniz – “olha, esta é gira, tenho um vestido desta cor”.

A esta hora, com o sol em declínio a pousar-lhes no tom acobreado do cabelo, as unhas cor-de-rosa e a blusa de renda negra, tanto podem ser contabilistas como donas de um bordel. Mas o que impressiona, de verdade, é a descrença nos homens. [Read more…]

Almoços de reformados

Não compreendo esta tendência para o pessoal se juntar em almoços, num determinado dia da semana, olha o gajo está velho, que grande barriga, morreu o fulano, o sicrano está  nas últimas…

 

Depois todos  são todos muito amigos, quando durante a vida activa ninguem ligava a ninguem, não fosse encontrar alguem que precisassse de ajuda, para o filho, a mulher precisa de uma promoção, tudo gente importante, agora assentam o pó, volta tudo para o bairro onde nasceu, pelo menos aos olhos dos outros é tudo arrumado na gaveta da memória da infância, pé descalço, como é que este gajo quer que eu o ache o máximo?

 

Há alguns que são rídiculos, mantêm a pose, já não têm poder nenhum, têm problemas na próstata e mijam para a frente e para os pés, andam com toalhetes nas partes, mas têm a a mania que são conhecidos.

 

A Lídia " parisienne" fala português com mistura de francês, apanha bebedeiras de caixão à cova, e eu depois é que a levo a casa, tiro o meu casaco para lhe tapar as pernas, e o resto, porque ela acha que é uma menina e veste vestidos largos e rodados. Ao fim de quarenta anos sem me ver, diz-me " ah! o Luis Couto (era assim que me tratavam) era um rapaz alto e magrinho, com o cabelo a cair-lhe no pescoço", olha que porra, obrigado !

 

Depois há umas viúvas e outras divorciadas que andam num rodopio, vamos jantar, vamos dançar, arranja um grupo para irmos dançar, e um gajo vai e depois "pardais ao ninho" podíamos ir beber um último copo a minha casa, até lá ficavas se não te apetecer voltar. 

 

E eu, Oh! rapariga, arranja um puto novo, não tenhas medo, é só uma tarde bem passada,

tomas um banho e ficas como nova, juntas a juventude à experiência, agora dois experientes é que não dá em nada, alguem tem que se mexer…

 

Um destes amigos ainda faz maratonas de quarenta Kms, outros fazem maratonas de cirurgias ao coração, aos instestinos e à próstata, passam a vida a falar em doenças e a mostrar as cicatrizes como se fossem um trofeu, não tenho paciência para isto, não vou mais, fico na Guerra Junqueira a ver as "teen"…

 

Além disso sou o único que toma Viagra, ninguem precisa, pergunto ao meu farmacêutico e ele, vende-se aos montes, até malta nova, é para as maratonas de sexo ( e vocês a julgarem que eu falava de maratonas por dá cá aquela palha…) e volto costas, e sou o maniento que já em novo tinha a mania que era bom.

 

Então, não apareces? Pois, não, pá!