Marcas lapidares

Algumas pedras das igrejas e catedrais são assinadas. Essas Marcas Lapidares identificam os mestres-pedreiros que ergueram a obra, mas também o seu grau de conhecimento da Arte. A gramática das Marcas não é, normalmente, visível, e só a reconhece quem sabe “ler” para lá do que é aparente. Oculta, nessas Marcas, está geralmente uma Matriz geométrica que tem por base o Círculo e a inscrição nele do Triângulo e do Quadrado.

Todas as obras humanas têm uma Marca. Seja ela visível ou invisível. Se for visível, a identificação do seu autor é facilitada, por ser patente e notória. Se for invisível, há que buscar a matriz oculta, eminentemente simbólica, que traça com igual clareza o perfil do Mestre de Obras. Isto vale para as Catedrais góticas que buscam rasgar o céu, como para as catacumbas do Hades, onde se abre caminho para o inferno. Vale para qualquer obra humana.

O incêndio de Notre Dame também tem uma marca, uma assinatura. Ela é evidente para os que têm os olhos abertos. É uma Marca nauseabunda, infernal. Mostra-se teatral, quase angélica, mas é uma cicatriz do Mal. É o sinal de um fortíssimo inimigo da humanidade.

Relações improváveis

Existem fortes relações improváveis.

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O Jogo das Contas de Vidro

 

Este livro resultou na atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Herman Hesse, em 1946. Abre com uma citação de Albertus Secundus, presumivelmente uma personagem criada pelo próprio Herman Hesse. E diz assim:

“…pois de certo modo é mais fácil e irresponsável à gente frívola descrever por meio de palavras as coisas não existentes do que as existentes, mas para o historiador piedoso e consciencioso é completamente diferente: nada se furta tanto à descrição por meio de palavras e nada é tão necessário pôr à frente dos olhos dos homens do que certas coisas cuja existência nem se pode provar nem demonstrar, mas que, justamente porque os homens piedosos e conscienciosos as tratam como existentes, dão mais um passo para o ser e a possibilidade de nascer.”

O livro de Herman Hesse, O Jogo das Contas de Vidro, editado em Portugal pela Dom Quixote, parece não ser fácil de encontrar. A citação feita acima foi retirada da 7ª edição, que já é de Outubro de 2008 e repousava num armazém.

Mas a leitura vale a pena.

Mutus Liber

Especulação geométrica sobre o discurso inaugural do Presidente da República: o Escudo Nacional.
Modesta homenagem aos Mestres Almada Negreiros e Lima de Freitas.

 

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Perpendiculares e não coincidentes

Fazer o óbvio, em política, nem sempre tem sido a distância mais curta entre as práticas dos governantes e a vida de cada um de nós.linhas

E, para a direita, tal opção geométrica resultou numa equação simples – juntar duas linhas bem distintas: o PSD e o PP – e criar uma nova realidade matemática em que duas linhas se transformaram numa só. No entanto, tal fusão, deixou de fora a social democracia e por isso, há tanto PSD com os pés de fora.

À esquerda, em 41 anos, tivemos duas linhas paralelas que, apesar dos pontos de contacto, teimaram em fazer um caminho paralelo, sem nunca se encontrarem.

Para surpresa da direita conservadora, descobriu-se, há uns dias, que é possível juntar duas ou mais linhas, sem que, obrigatoriamente, se tornem imediatamente coincidentes.

E esta é a chave da questão – manter três linhas em movimento, com contactos nos pontos em que o povo fique a ganhar. Ora, tal objectivo está mais do que alcançado, até porque foi essa a opção eleitoral dos portugueses.

PS, BE e PCP já se entenderam e agora só falta o mais complicado: fazer o óbvio.

Nota: para os Proenças e Assis, a quem a direita dá palco fica uma questão geométrica: a quadratura do círculo. Liguem ao Pacheco Pereira, que ele explica.