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As emoções sociais, não tendo exactamente as mesmas características das emoções básicas, têm uma origem neurofisiológica muito aproximada, ou mesmo comum. As emoções básicas, como o amor, o medo ou a repulsa, são, contudo, do ponto de vista neurofisiológico, muito mais antigas, resultando as emoções sociais, como, por exemplo, a admiração ou a compaixão, de estados evolutivos alcançados em tempos mais recentes, sendo a expressão do processo contínuo de aperfeiçoamento do ser humano.
Ainda assim, António Damásio distingue dois tipos de admiração e de compaixão, conforme a sua filiação neurofisiológica e anatómica ao aparelho músculo-esquelético ou ao meio interno e às vísceras.

A admiração que sentimos pelos feitos extraordinários de um grande militar ou de um grande atleta, é uma emoção social com uma origem neurofisiológica diferente, embora simétrica, da admiração que sentimos por um homem santo ou um grande benemérito da humanidade. O mesmo acontece com a compaixão, outra das emoções sociais mais importantes, que sentimos perante quem é exposto a sofrimento físico ou, diversamente, a sofrimento moral ou “mental”.
Existe, contudo, uma diferença importante entre estes dois tipos de emoções sociais. A admiração pelo atleta e a compaixão pela dor física, são emoções que se instalam e também desaparecem com mais rapidez do que a admiração pelo Santo e a compaixão pelo sofredor moral. Dir-se-ia que são emoções mais superficiais, reacções da pele, ligadas neurológica e anatomicamente ao aparelho músculo-esquelético, a estrutura do corpo que permite o movimento no espaço, a deslocação. Numa palavra, a transitoriedade.

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PSD: o Povo Livre que era socialista e agora não sabe muito bem o que é

psd

Houve um tempo em que o PSD era pelo socialismo. Hoje é difícil perceber o que realmente será. Nuns dias é liberal, noutros vive pendurado na manjedoura estatal, por vezes e conservador e quando a coisa corre mal abre uma gaveta na São Caetano, sacode o pó e tira de lá a social-democracia. Tem dias em que é mais troikista do que a Troika mas se as eleições estiverem à porta corre a distribuir aumentos e nomeações na função pública. Em campanha compromete-se a não aumentar impostos, chegado ao poder impõe um brutal aumento da carga fiscal e, regressado à oposição, indigna-se com todo e qualquer aumento de impostos. As contradições, tal como as orientações ideológicas, multiplicam-se e a indefinição é absoluta. Alguém me explica que PSD é este?

Fotomontagem nacionalizada à Os Truques da Imprensa Nacional

Esquerda volver

Nuno Veiga / Lusa

Nuno Veiga / Lusa

Ainda é possível sermos surpreendidos pela arte da propaganda e da persuasão, um dos últimos lugares do espírito onde chegou o escrúpulo. E quando lá chegou, deu meia volta e corda aos sapatos.

Repare-se na estética neo-bolchevique da candidatura à liderança do PSD protagonizada pelo mais extremista neoliberal que a democracia portuguesa conheceu. Pasme-se (mas pouco) com a inclinação para a esquerda da composição em fundo, com as bandeiras rasgadas da revolução, com o vermelho do sangue dos mártires e com os operacionais do MRPP, em fundo também, erguendo heróicos o punho e o estandarte em direcção aos amanhãs que cantam.

É este revolucionário que hoje pede decoro.

O lema

Muitos autores o dizem: a necessidade de auto-afirmação é uma das mais relevantes determinantes do comportamento humano. Partindo deste princípio, poderíamos ensaiar um pujante ensaio sobre a razão que leva o PSD a definir como lema do seu congresso “social democracia sempre!”. Mas fenece-me a vontade e confesso o meu desprezo pelo objecto de tal estudo. Por isso, limito-me, singelamente, a considerar que tal consigna é uma pura vigarice e uma operação de publicidade fraudulenta na qual só acreditam os pobres de espírito dos quais, como se sabe, é o reino dos céus, já que tanto desprazam o da terra.

Social-democracia: partir em caso de emergência

PSD

A social-democracia, enclausurada numa gaveta nos confis sombrios da São Caetano à Lapa, é uma espécie de extintor numa caixa de vidro que o PSD ameaça partir em caso de emergência. E digo ameaça porque nunca chega a sair da gaveta não deixando, porém, de servir o seu propósito do convencer uns quantos da existência de uma viragem à esquerda num partido que tratou de esmagar o Estado Social durante quatro anos. Um partido que liderou um governo que procurou colocar em prática uma espécie de liberalismo privatizador ao serviço das mais altas clientelas enquanto a precariedade, a pobreza e a destruição dos direitos laborais alastravam. Eles bem podem encenar a farsa da social-democracia as vezes que quiserem. Sá Carneiro continuará às voltas no túmulo.

A farsa da social-democracia está de volta

PPC

O primeiro-ministro deputado Pedro Passos Coelho incorporou a fórmula Marcelo Rebelo de Sousa e percebeu que a sua ressurreição política não se resolve com o paleio de saco pós-Legislativas da ilegitimidade. Vai daí temos um novo Passos Coelho, em contagem decrescente para uma eleição para a qual não se lhe conhece um único oponente, e surge, qual Marcelo a discursar na Voz do Operário, com o slogan “Social-democracia, sempre“. Depois de anos enfiada no fundo de uma gaveta fechada a sete chaves, a farsa da social-democracia está volta. Mais um bocadinho ainda voltam a ser Pelo Socialismo.

O Pedro Passos Coelho de há cinco anos precisa de um upgrade

foto@expresso

foto@expresso


Hoje o director da campanha do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Duarte, dá uma entrevista ao ” Expresso ” muito interessante, curta, mas assertiva.

Como diz Pedro Duarte ” O Passos de há cinco anos está desactualizado “. E o problema é exactamente este. O ex-secretário de estado e antigo deputado do PSD coloca precisamente o dedo na ferida.

O actual Partido Social Democrata teve nos últimos 5 anos um posicionamento e uma deriva para uma direita neo-liberal. Porém o que esteve na origem da formação do Partido, fundado por Francisco Sá Carneiro, foi uma matriz social-democrata assente em grande medida no pensamento político de Willy Brandt, Helmut Schmidt e Olf Palme adaptada à realidade sociológica portuguesa.

Talvez muitos não tenham conhecimento mas Francisco Sá Carneiro fez vários contactos internacionais de modo a integrar o Partido, na Internacional Socialista e consequentemente no Partido Socialista Europeu, de forma acentuar a sua natureza social-democrata, reformista e europeísta.

Aliás a mudança de designação de Partido Popular Democrático para PPD/PSD tinha como objectivo a sua integração na Internacional Socialista, mas a influência do Partido Socialista, nomeadamente de Mário Soares, impediu a pretensão de Francisco Sá Carneiro.

Aliás, o actual director da Microsotf, Pedro Duarte, afirma e muito bem que ” o PSD deve perceber que nasceu no centro-esquerda “. Entendo também que o PSD precisa de muito rapidamente recentrar-se politicamente, mas isso apenas poderá acontecer se Pedro Passos Coelho tiver a capacidade de regenerar o Partido, percebendo que o País vive um novo tempo, apresentando novas ideias e novos protagonistas.

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Quando o PSD era Pelo Socialismo

Portas JSD socialismo

Houve um tempo em que o PSD se assumia como um partido social-democrata, posicionado no centro-esquerda do espectro, e tinha como órgão oficial de comunicação um jornal chamado “Pelo Socialismo que, ironicamente, chegou a ter como director-adjunto um jovem promissor de seu nome Paulo Portas, que mais tarde acabaria por virar costas ao PSD, cansado do socialismo, tão em voga na década de 70, e dos “quadros medíocres” que tornavam a sua militância “uma grande maçada“. [Read more…]

A farsa da social-democracia

PPC MAC

Apeados de forma legítima, o desespero de Passos Coelho e companhia em regressar ao poder começa a causar vergonha alheia. Mas não há outro caminho para os radicais. A corte passista sabe bem que, se o novo governo durar até 2017, o destino mais que certo no PSD serão as eleições internas. Desesperada, a direita radicalizada insiste no discurso de negação da democracia representativa e continua, qual cassete encravada, a repetir até à exaustão a narrativa gasta do golpe de Estado que a maioria do país já não leva a sério. Como de resto nunca levou. A isto junta-se a insistência na convocação de eleições antecipadas que esta última não agradou aos rapazes de Passos Coelho que ficaram sem tachos. Eles bem tentaram (e conseguiram) nomear algumas centenas de amigos antes de serem despejados, mas já não dá para enxamear a Administração Pública como o vinham fazendo até aqui.  [Read more…]

Porque é que o PSD já não é social-democrata?

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O historiador Rui Ramos escreve um artigo de opinião em que para responder à sua pertinente pergunta que dá título ao mesmo deveria primeiro explicar aos leitores o que é a social-democracia.

Entendo que para um historiador não fica bem escrever um artigo de opinião desta natureza sem o enquadrar de uma forma intelectualmente honesta numa perspectiva ideológica, histórica e politica. Isto não é opinião é desinformação.

Eu, ao contrário do que escreve Rui Ramos, entendo que hoje o PSD ja não é social-democrata devido a uma deriva radical, não propriamente de Pedro Passos Coelho, mas sobretudo dos seus homens mais próximos que passaram a ter uma influência crescente nas suas decisões e intervenções públicas.

A generalidade dos militantes do PSD nao imagina, nem sonha o que pensa e como actua a ” entourage ” mais próxima  que acompanha Passos Coelho desde que chegou à liderança do PSD. Mas também considero que já faltou mais tempo para os militantes do PSD saberem quem são na sua verdadeira génese estas pessoas.

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O PPD / PSD está em ” estado de coma “

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O que é feito do PPD/PSD fundado por Francisco Sá Carneiro? Onde estão os princípios, os valores, as causas e a ética política defendida por Sá Carneiro?

O PPD/PSD de Sá Carneiro era um partido do centro que, comparado com este “ novo PSD “ com toda a certeza seria, hoje em dia, um partido de centro-esquerda que defendia o estado social assente em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E que estes pilares deveriam ser garantidos pelo Estado.

Há vários anos que o PSD está doente porque o exemplo de destacados militantes como Dias Loureiro, Duarte Lima, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Arlindo de Carvalho e Oliveira Costa, feriram de “morte“ a credibilidade do Partido Social Democrata, a partir de meados da primeira década de 2000, em que foram tornados públicos vários casos escandalosos que envolveram estes e outros militantes do partido.

Entretanto as maiores distritais do partido foram tomadas por dirigentes políticos medíocres, carreiristas, sem quaisquer méritos, completamente dependentes da política. A partir daí passou a valer tudo para manterem os seus lugares, porque estes e apenas estes valiam para a manutenção dos seus lugares e das suas enormes clientelas.

Mais tarde, em 2010, com Pedro Passos Coelho ascenderam a lugares cimeiros do partido dirigentes políticos do tipo “ trepa-trepa “, em que o mérito era medido em função do número de votos dos “ exércitos “ que comandavam e que valiam exclusivamente para a eleição do presidente do partido. A mediocridade passou a ser premiada. Quanto pior melhor que assim não incomodavam. E esta passou a ser regra.

Se até então o PSD estava doente passou a viver em “ estado de coma “.

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As dores de crescimento da social-democracia

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Lamento ver António Costa tratado como um delinquente e o PS como se tivesse ensandecido. Na entrevista de ontem, na SIC-N, Ana Lourenço (uma boa jornalista, perdida para o discurso autoritário prevalecente, que não admite alternativa), esteve no limite do respeito. O tom (arrogante, embora com a suavidade formal que a caracteriza), o conteúdo (sem isenção) e o objectivo (malicioso) das suas questões revelaram uma vez mais a agenda da Impresa, e também a que ponto está impreparada para fazer uma entrevista política daquela importância num momento como este. Talvez apenas Flor Pedroso (para falar dos jornalistas das tevês) tenha essa preparação.

Sem surpresa, as perguntas procuraram uma vez mais questionar a legitimidade democrática da coligação táctica que tornou possível a convergência da social-democracia do PS e do socialismo das esquerdas (sendo certo que em 2011 o PSD e o CDS agiram de igual modo para poderem governar com maioria parlamentar), escrever o futuro próximo da esquerda à luz da sua História recente, e, sobretudo, defender a prorrogação da licença do clube de acesso reservado ao poder a que chamam “arco da governação”.

Terminada a entrevista, o canal interrompeu a emissão (um debate de comentadores sobre a entrevista de Costa) para dar voz a Francisco Assis.

Perpendiculares e não coincidentes

Fazer o óbvio, em política, nem sempre tem sido a distância mais curta entre as práticas dos governantes e a vida de cada um de nós.linhas

E, para a direita, tal opção geométrica resultou numa equação simples – juntar duas linhas bem distintas: o PSD e o PP – e criar uma nova realidade matemática em que duas linhas se transformaram numa só. No entanto, tal fusão, deixou de fora a social democracia e por isso, há tanto PSD com os pés de fora.

À esquerda, em 41 anos, tivemos duas linhas paralelas que, apesar dos pontos de contacto, teimaram em fazer um caminho paralelo, sem nunca se encontrarem.

Para surpresa da direita conservadora, descobriu-se, há uns dias, que é possível juntar duas ou mais linhas, sem que, obrigatoriamente, se tornem imediatamente coincidentes.

E esta é a chave da questão – manter três linhas em movimento, com contactos nos pontos em que o povo fique a ganhar. Ora, tal objectivo está mais do que alcançado, até porque foi essa a opção eleitoral dos portugueses.

PS, BE e PCP já se entenderam e agora só falta o mais complicado: fazer o óbvio.

Nota: para os Proenças e Assis, a quem a direita dá palco fica uma questão geométrica: a quadratura do círculo. Liguem ao Pacheco Pereira, que ele explica.

 

Um País dirigido por governantes e políticos fracos, nunca poderá ser um País Forte.

Tinha 18 anos quando me filiei no PPD / PSD, já lá vão 24 anos. Tenho muito orgulho em ser social-democrata. Acredito na social-democracia de Willy Brandt que teve como seguidores, entre outros, Olof Palme e Francisco Sá Carneiro, que veio a fundar o PPD a 6 de Maio de 1974.

logo ppd+psd

Identifico-me com um PSD que, como um dia descreveu Francisco Sá Carneiro, não assenta ” apenas numa simples democracia formal, burguesa, mas sim, numa autêntica democracia política, económica, social e cultural. Uma democracia política que implica o reconhecimento da soberania popular na definição dos órgãos do poder político, na escolha dos seus titulares e na sua fiscalização e responsabilização, que exige a garantia intransigente das liberdades individuais, o pluralismo efectivo a todos os níveis e o respeito das minorias, não existe democracia se não houver alternância democrática dos partidos no poder, mediante eleições livres, com sufrágio universal, directo e secreto.”

Entendo, como sempre defendeu Sá Carneiro, que a democracia social impõe que sejam assegurados efectivamente os direitos fundamentais de todos à saúde, à habitação, ao bem-estar e à segurança social, e exige a abolição das distinções entre classes sociais diversas e a redistribuição dos rendimentos, pela utilização de uma fiscalidade justa e progressiva.”

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Porque os sociais-democratas estão-se afastar do actual PSD.

O programa eleitoral da coligação PSD / CDS está muito longe da matriz social-democrata que defendo e que esteve na génese fundação do PPD / PSD pelo Dr. Francisco Sá Carneiro.

Lamento que o programa da coligação tenha uma marca mais forte do CDS do que do PSD. Um exemplo paradigmático é o Estado aparecer como assistencialista sendo que o desenvolvimento social é defendido à custa da contratação pública.

Entendo a social-democracia como uma ideologia em que o estado social deve assentar em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E estes pilares devem ser garantidos pelo Estado. Se assim não for estamos perante um regime assistencialista em que o Estado apenas paga aos coitadinhos dos pobrezinhos. Esta é uma visão inaceitável hiper-redutora do papel do Estado.
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Dava uma bela presidente

Magdalena OgorekNão vou colocar em causa a competência de alguém que não conheço nem fazer julgamentos antecipados ao estilo da elite parola da extrema-direita obcecada por unicórnios. A menina Magdalena (sim, consta que ainda é solteira) pode ter tanto de competente com tem de atraente. Mas que a escolha de uma ex-apresentadora de TV e ex-consultora de comunicação do Banco Central da Polónia com 35 anos, cuja experiência política parece roçar o nada, para representar os sociais-democratas do SLD na corrida para as presidenciais lá do sítio causa alguma estranheza, isso causa. Agora que dava uma bela presidente, disso ninguém terá dúvidas. Entre esta jovem e o ser que habita o Palácio de Belém eu não pensava duas vezes. O pior que poderia acontecer seria a menina Magdalena mostrar-se tão inútil quanto Cavaco, com a diferença que a cara dela não causaria enjoo e vómitos a ninguém.

PIM-PAM-PUM — O legado político do último congresso do PPD/PSD

José Xavier Ezequiel

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(Ou de como o “milagre económico” pariu um ratus norvegicus)

PIM — Aproximam-se eleições. Passos Coelho tenta reposicionar-se um pouco mais à esquerda. ‘Descobriu’ que a social-democracia portuguesa nasceu na ala liberal do marcelismo. Nem josé hermano saraiva (a caixa baixa é propositada) seria tão bom revisionista. No entanto, Passos Coelho é outra coisa — é um artista de palco tão frustado, que nem o La Féria o quis para menino de coro. Passos Coelho é o verdadeiro artista transmontano exilado na porcalhota. Se vivesse em Nova Iorque, seria empregado de mesa para o resto a vida. Em Queens, na melhor das hipóteses. E o Segismundo nem sequer seria para aqui chamado.

PAM — Santana Lopes sonhou ter o sábado à noite no Coliseu (dos Recreios) só para ele. Marcelo, regressado à pressa das Ilhas Adjacentes, roeu-lhe a corda. Entreteve muito prazenteiramente os congressistas e acabou a soirée, apesar de Passos Coelho, candidato da social-democracia-marcelista à presidência da república das laranjas. Temos festa. Imagino uma campanha com telefonemas de valor acrescentado mais IVA. Quem ganhar terá o raro privilégio de lanchar pastéis-de-nata-e-chá-de-camomila com o comediante Marcelo Rebelo de Sousa. O “povo livre” vem-se. Em orgasmos múltiplos de “alegria cristã”.

PUM — Gabe-se a lealdade de Passos Coelho. Um amigo é um amigo (sobretudo se conhece todos os nossos rabos de palha). Propôs (perdão, impôs) Miguel Relvas como número um da ‘sua’ lista ao conselho nacional do Partido. Obteve a menor votação, de sempre, de um líder partidário em funções semelhantes. Um verdadeiro embaraço partidário. A acrescentar ao embaraço nacional pela incontornável existência da criatura. A ‘amizade’ é fodida (perdoe-se-me o mau ‘francês’).

PS (salvo seja) — Ontem, segunda à tarde, o assunto do fórum da SIC Notícias (para quem não se recorda, é liderada pelo militante número um do PPD/PSD, Francisco Pinto Balsemão) não foi, como seria de esperar, o congresso do Partido. Foi a derrota do Futebol Clube do Porto, em casa, com o moiríssimo Estoril-Praia. E, ainda por cima, através de um ‘pénalte’ marcado contra o Porto (sem espinhas) nos últimos minutos do jogo. Onde é que já se viu uma coisa assim? Definitivamente, “Portugal está muito melhor”. Por muito que os portugueses estejam pior.

Então e o PS propriamente dito? Isso, por enquanto, não interessa para nada. Nem sequer vem ao caso.

Social-democracia de Esquerda

Isto de ser social-democrata de Esquerda é uma chatice.

Ontem participei na tertúlia organizada pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, sob o tema “Sá Carneiro visto pelos outros”. Os “outros” – eu, Tiago Barbosa Ribeiro, Tomás Vasques e Bruno Góis  , os convidados, porque de Esquerda e Sá Carneiro, de Direita.

Ora, a social-democracia nasceu na Esquerda, oriunda dos marxistas que não aceitavam que as transformações sociais tivessem de ser feitas à custa de um processo revolucionário, mas antes no apuramento democrático rumo a uma sociedade socialista. E é este o meu espaço político, o daqueles que acreditam que é possível construir uma sociedade socialista por via da social-democracia. O que significa que não se tem partido político à escolha: o PS mantém o socialismo na gaveta e a social-democracia no armário; o PSD mantém a social-democracia da nomenclatura, pratica cada vez mais o liberalismo e foge ao socialismo quanto pode.

O modelo de social-democracia concebido por Sá Carneiro, não visa atingir o socialismo. Antes se baseia num modelo liberal de concepção da sociedade e do papel do Estado. Ou seja deslocou a social-democracia da Esquerda para a Direita.

Na interacção da tertúlia entre “os outros” e “os da casa”, defendeu-se que o pendor liberal da social-democracia tinha a ver com a génese portuense de Sá Carneiro, porque o Porto é uma cidade liberal.

Discordei e discordo, até porque muito do que o Porto conseguiu ao [Read more…]

A carga ideológica da constituição

Tal qual todas as outras esta constituição deve ser revista adequando-a aos tempos presentes. Retirando-lhe carga ideológica que não serve para nada, como se vê ao fim destes vinte anos, em que governados por um partido que se diz socialista e por outro que se diz social-democrata, temos um país mais pobre e mais desigual.

Se um partido ganha as eleições com um programa claro junto dos portugueses e não quer “caminhar para o socialismo”, nem considera adequado que o estado promova a saúde junto de todos os portugueses, só como exemplo, como se resolve a contradição?  Manda a constituição ou o programa sufragado em eleições livres?

Nos países sociais democratas do centro e norte da Europa (os tais onde se vive melhor) quando chegaram à situação a que nós chegamos, com um Estado enorme e vazio, gastador e abafador da iniciativa privada que cria riqueza, não discutiram o fim do Estado Social, discutiram a forma de o manter. E a forma de manter o Estado Social ( a maior conquista de sempre na esfera social) foi libertar a sociedade civil, fortalecer o empreendorismo, apoiar quem tem ideias e determinação.

Não usam o banco nacional (Caixa Geral de Depósitos) para a economia de casino (conforme notícia de hoje e que vem confirmar o que já se sabia) para controlar empresas e bancos privados, nem  usam “golden shares” para meter lá boys e girls, bem pelo contrário, apoiam as empresas inovadoras, de tecnologia, investigadores, pequenas e médias empresas que asseguram o essencial das exportações, do emprego e do PIB.

São os países sociais- democratas europeus onde se vive com níveis muito mais elevados do que nos pobres países onde a discussão se resume a ter um Estado que come 50% da riqueza ou, em alternativa, ter uma economia neoliberal, como se a social-democracia não esteja aí a dar lições de bem governar.

Não vale a pena agitar o papão dos “golpes de estado”. A democracia e o Estado de Direito são suficientemente fortes para garantir a defesa do Estado Social! Assim, na devida altura, não continuem a estar, militantemente, do lado errado da história!

Social – Democracia ! Começar de novo!

A Social – Democracia arrancando os povos à miséria e à guerra, atacada à esquerda por quem não apresenta nenhuma alternativa válida e à direita pelo Liberalismo feroz, soçobrou nos últimos 30 anos. Que fazer?

Começar de novo! Temos que aprender a criticar quem nos governa, agora mais do que nunca que somos governados por pigméus, eleitos por uma massa acritica e acéfola de pessoas que não aspiram à cidadania. O programa é vastíssimo, mas é concreto, consistente, pragmático ao contrário das”manhãs que cantam” e da “meritocracia” sem alma.

Novas leis, regimes eleitorais diferentes, restrições ao lobbying” e ao financiamento dos partidos, reconhecimento da tensão e do conflito de interesses, contrariando a tese de Adam Smith de que o enriquecimento de alguns arrasta o bem estar de todos.  Queremos todos a mesmas coisas. É falso! O rico não quer o mesmo que o pobre! Como trazer as massas de trabalhadores para dentro do sistema, enquanto cidadãos e eleitores? As respostas da Social-Democracia foram muito superiores a tudo o que é conhecido, sem rupturas, sem revoluções, sem pulsões sociais.

É preciso “desmascarar” o Estado activista, que como vimos com Guterres e Sócrates é factor de injustiça, da criação de elites e de desigualdades, mas é preciso,  pensar o Estado reabilitado, democrático, de “juris”, regulamentador, facilitador da ascensão social e criador de oportunidades. O Estado Soviético e totalitário tem que ser rejeitado, mas sem nunca se retirar a palavra “socialismo” , embora tenha falhado em todas as experiências, ao contrário da Social-Democracia que superou todos os sonhos dos seus criadores.

Falta retirar as lições da “3ª via”; falta equacionar as mudanças demográficas e a sua penosa influência no Estado Social; falta entranhar as mudanças na política internacional como é o caso da China e o seu “dumping social”; falta analisar os erros das privatizações mas tambem o sucesso da entrega de serviços públicos a privados como é o caso da Escola Pública na Suécia. (esta experiência dura há 20 anos com assinalável sucesso).

A vontade colectiva faz mexer o mundo, não devemos ter medo que a mais pequena mexida seja vista como uma medida revolucionária! A Social – Democracia é novamente a esperança!

PS: com Toni Judt

Social – Democracia. Alternativas?

O liberalismo que se afunda em desigualdades e que defende a “lei da selva” a lei do mais forte? Cada um por si? Ou o socialismo, aprisionado em Estados omnipresentes e omnipotentes, criadores de elites que se perpetuam no aparelho de Estado e que não consegue responder às justificadas ambições de melhor níveis de vida das populações?

A social democracia não representa o futuro ideal se calhar nem o passado ideal mas não conhecemos nada que se lhe aproxime.O consenso social do após guerra representa o maior avanço social a que o mundo já assistiu, pela mão da democracia cristã, pelo conservadorismo britânico e alemão e a social democracia nórdica.Nunca a história assistiu a tamanho progresso, nunca tantos experimentaram tantas oportunidades de vida.

Mas o perigo espreita, com a admiração acrítica do mercado livre, o desdém pelo sector público, a ilusão pelo crescimento eterno. Até aos anos 70 todas as sociedades europeias se tornaram menos desiguais, graças aos impostos progressivos, aos subsídios dos governos aos mais pobres, os extremos de pobreza foram-se apagando. Nos últimos 30 anos deitamos tudo isso fora.

Adam Smith volta a ser citado: ” nenhuma sociedade será verdadeiramente florescente e feliz se uma grande parte dos seus cidadãos for pobre e miserável”. Sem segurança, sem confiança, as sociedades ocidentais ameaçam ruir. A insegurança alimenta o medo. E o medo – da mudança, medo do declínio, medo do desconhecido- corrói a confiança e a independência nas quais assentam as sociedades civis do Ocidente.

Essa rede de segurança social contra a insegurança foi uma das maioras conquistas do sistema, restaurando o orgulho dos perdedores do sistema, trazendo-os para dentro dele e não lhes virando as costas. Então o que falhou? A esquerda moderada continua a criticar, nostálgica das revoltas dos anos 60, sem apresentar qualquer alternativa consistente, abrindo brechas por onde entraram o individualismo feroz, a proletarização e fragmentação do colarinho branco. As maiores críticas à social democracia vêm da esquerda e são comprovadamente falsas, como se verifica pela capacidade do sistema em manter e sustentar as maiores vitórias sociais da humanidade. Uma maior igualdade, a liberdade e uma maior prosperidade.
PS: com Tony Judt – o regresso ao Estado providência.

Muito barulho por nada (Memória descritiva)

Much ado about nothing, é, como se sabe, o título de uma peça do divino Shakespeare. Vi-a há uns bons vinte anos muito bem encenada e representada no Teatro da Cornucópia, dirigido pelo excelente Luís Miguel Cintra. Para o que quero dizer hoje, a história que o mestre William conta não interessa; com a minha consabida cleptomania, apenas aproveitei o título.

Nestes últimos dias, vejo aqui pelo blogue uma excessiva e desproporcionada agitação a propósito da eleição de Pedro Passos Coelho como novo líder do Partido Social Democrata. Pergunto: o que tenho eu, o que têm os cidadãos que não são militantes do PSD a ver com isso?

A cada facto da actualidade deve ser dada a importância que ele realmente tem e para mim (e se fosse só para mim, não valeria a pena escrever este post) isto é completamente irrelevante. Note-se que não quero minimizar particularmente o PSD e estaria aqui a dizer o mesmo se o espalhafato fosse a propósito de eleições internas do PS, do PCP, do BE ou do CDS. Quanto a mim, as eleições internas dos partidos são coisas irrelevantes para o comum dos cidadãos.

Diz-se que será o futuro primeiro-ministro de Portugal. Será ou não será, mas, mesmo que seja, o que irá isso mudar nas nossas vidas? Do Partido Social Democrata, ou do seu antecessor PPD, nunca saiu uma palavra, um conceito, uma ideia. Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador arguto, inteligente, mas previsível. Não é um criador de ideias – é um consumidor e um destruidor das ideias alheias; Pacheco Pereira é um homem de cultura, inteligente também, mas confuso, perdendo-se em labirintos que ele próprio constrói. Intelectualmente, Pedro Passos Coelho, fica muito atrás de qualquer deles (mas talvez seja mais pragmático). Em suma, o PSD é um deserto de ideias. [Read more…]

Passos Coelho está preparado.

O que se pode concluir é que Passos Coelho está preparado, há anos em que se rodeou de uma equipa e tem ideias sobre o que quer para Portugal. Isso nota-se muito na forma como é mais concreto nas medidas e políticas preconizadas. na economia é o único que percebeu que sem uma rede de Pequenas e Médias Empresas viradas para a inovação e para a exportação, o país não sairá deste caminho que conduz à pobreza.

Ter um Estado que se conluie com os grandes grupos económicos “absorsores” das mais -valias produzidas pelo resto da população, até porque operam no mercado interno, leva-nos inexoravelmente para o abismo, o que está mais que provado como se vê pelos resultados dos últimos anos. Os sucessivos de grandes projectos públicos cada vez são marginalmente menos eficazes e rentáveis e a dívida pública explica o resto. Hoje pagamos 6% do PIB em juros lá fora o Sistema Nacional de Saúde representa 8%.

Nisto, Passos Coelho é o único que tirou as devidas ilações e está apostado em criar uma industria inovadora, uma agricultura e pescas que substituam importações e possam exportar. Não há outra maneira de tirar o país da miséria. Nunca de Sócrates ouvimos tal, bem pelo contrário, até á última defendeu os megainvestimentos e ignorou a dívida. As instituições financeiras internacionais obrigaram-no a dar o dito por não dito.

Pedro Passos Coelho tambem defendeu o “Estado Social” como é de tom na “social-democracia” o que não pode deixar de ser num país tão pobre, onde 2 milhões de pessoas são pobres e 40% vivem directa ou indirectamente, à conta do Estado.

E, mais do que tudo, que se saiba não tem curso tirado ao domingo, nem inquéritos mal explicados!

A esquerda e a Direita dos Aventadores

O Fernando aventador acredita numa direita moderna, justa e progressista e o Carlos e o Adão aventadores acreditam numa esquerda moderna, justa e progressista. Com grande surpresa, o Carlos e o Adão, perante a caracterização da direita do Fernando , diz que aquilo é a esquerda!

Mas a direita não pode ser moderna no sentido que aceita os grandes ganhos sociais dos últimos cinquenta anos? Não pode ser justa quando sabe há muito que um país justo é muito mais conforme às suas necessidades de gente motivada e produtiva? E não pode ser progressista no sentido que defende uma sociedade assente na democracia, numa economia social de mercado e no estado de Direito?

Ou para se ser moderno, justo e progressista é necessário ter um Estado onde se albergam os sorvedores, as corporações e os interesses instalados? Ou onde a economia é regulada por um Estado com “mão “invisível”  sempre à procura dos amigos,  dos negócios finos das obras públicas e das grandes empresas do Estado ? E defender a família faz a direita menos progressista que a esquerda dos casamentos gays? [Read more…]