Analytica

 

Fonte: internet

 

O Estado – o Soberano – sabe mais sobre cada um dos seus súbditos do que cada um desses súbditos sobre si próprio. É esse, aliás, um dos fundamentos do poder do Soberano.

Estando o Estado – o Soberano – capturado e detido por Ordens multinacionais cuja característica principal é o ilimitado poder económico e financeiro, são essas Ordens que, de facto, constituem o verdadeiro Soberano e é a ele que os cidadãos estão subjugados, por interposto ritual cívico-político, mero ecrã institucional que não é mais que uma terceira ordem de poder, destinada a revelar (cobrir de novo) a sua real origem.

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Poder e assistencialismo

Portugal, enquanto sociedade e economia, gera recursos mais do que suficientes para permitir a todos os seus cidadãos uma vida materialmente digna.

Gera recursos suficientes para ter uma Escola Pública capaz de cumprir integralmente a sua função, com níveis de qualidade aceitáveis e disponível para todos.

Gera recursos que chegam e sobram para ter ao serviço de toda a população um bom Sistema de Saúde, praticamente gratuito.

Gera recursos suficientes para cuidar da Terceira Idade com a dignidade exigível, através, designadamente, de um sistema de Segurança Social totalmente sustentável e capaz de responder às necessidades específicas dessa população.

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Géneros de poder

É necessário ter muito poder para mandar retirar livros do mercado. É quase como viver numa casa em que marido e mulher são ambos ministros, para nenhum ficar chateado e a bem da igualdade de género. Um género muito especial de poder.

A voz do dono

Ser militante ou simpatizante de um partido político e apoiante de um governo em funções não pode significar trair o povo a que se pertence. A militância ou a simpatia terminam onde começa o valor maior da verdade e da justiça, ou quando são colocados em causa interesses superiores a qualquer ideologia ou filiação política, como é o caso da vida humana.

Se algum responsável público, seja de que partido for, violar, por acção ou omissão, negligente ou premeditada, os deveres públicos a que está vinculado, é direito e obrigação de todo o cidadão exigir que seja responsabilizado por isso e que preste contas à população que representa e tem que proteger. Seja esse responsável público da nossa tribo política ou não seja. Se for, a responsabilidade que nos cabe aumenta.

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A maçonaria está a perder poder, coitada!

O Expresso traz hoje uma notícia alarmante: a maçonaria, coitada, está a perder poder. O nível de negociata continua em forte alta, é certo, mas, aparentemente, o número de figuras políticas de relevo estará a diminuir substancialmente nas fileiras do avental. Segundo o semanário, estamos mesmo a viver um momento único na história da nossa democracia, em que nem o presidente da Assembleia da República, nem o líder parlamentar do PS são maçons, quebrando assim “uma certa tradição maçónica“. Felizmente, a tradição já não é o que era.  [Read more…]

O verdadeiro poder

Aqui reside o verdadeiro poder. É este o castelo do Rei.

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Four Horsemen

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Four Horsemen – documentário sobre a crise que se arrasta desde fins de 2007. Alguma vez vamos voltar ao business as usual? Realizado por Ross Ashcroft. Página IMDB. Legendado em Português (tem de activar as legendas no youtube e escolher o idioma).

A arquitectura do poder laranja

Redes de Poder

Imprensa e alta finança: as linhas com que se cose a rede de poder da direita nacional. Mais um excelente trabalho d’ Os truques da imprensa nacional. Já não há desculpas: o esquema não podia ser mais descarado.

A insaciável sede de poder de Pedro Passos Coelho

PPC

A sede de poder de Pedro Passos Coelho não conhece limites. Ressabiado pelo seu afastamento legítimo e legal da governação, o primeiro-ministro cessante não olha a meios para regressar ao poder e pede agora uma revisão constitucional que permita a convocação de novas eleições.

O pedido de eleições antecipadas não é uma novidade por cá. Aliás, justiça seja feita, quase qualquer motivo serve para o invocar e os partidos usam e abusam dele. Em 2013, pelo menos por duas vezes a oposição pediu eleições. A primeira, logo no início do ano, ocorreu quando um relatório do FMI tentou impor medidas de austeridade adicionais, entendendo a oposição que o governo não estava mandatado para tal. A segunda decorre da demissão de Paulo Portas, cuja sede de poder custou ao país no próprio dia uma subida dos juros da dívida para 8% e perdas no valor de 2,3 mil milhões de euros para o PSI-20, e que Passos Coelho resolveu cedendo à chantagem dos centristas, promovendo Portas e entregando o ministério da Economia a Pires de Lima. Um dos vários golpes políticos promovidos pela direita “teapartizada” de quem aparentemente nos livramos na passada Terça-feira. [Read more…]

Perpendiculares e não coincidentes

Fazer o óbvio, em política, nem sempre tem sido a distância mais curta entre as práticas dos governantes e a vida de cada um de nós.linhas

E, para a direita, tal opção geométrica resultou numa equação simples – juntar duas linhas bem distintas: o PSD e o PP – e criar uma nova realidade matemática em que duas linhas se transformaram numa só. No entanto, tal fusão, deixou de fora a social democracia e por isso, há tanto PSD com os pés de fora.

À esquerda, em 41 anos, tivemos duas linhas paralelas que, apesar dos pontos de contacto, teimaram em fazer um caminho paralelo, sem nunca se encontrarem.

Para surpresa da direita conservadora, descobriu-se, há uns dias, que é possível juntar duas ou mais linhas, sem que, obrigatoriamente, se tornem imediatamente coincidentes.

E esta é a chave da questão – manter três linhas em movimento, com contactos nos pontos em que o povo fique a ganhar. Ora, tal objectivo está mais do que alcançado, até porque foi essa a opção eleitoral dos portugueses.

PS, BE e PCP já se entenderam e agora só falta o mais complicado: fazer o óbvio.

Nota: para os Proenças e Assis, a quem a direita dá palco fica uma questão geométrica: a quadratura do círculo. Liguem ao Pacheco Pereira, que ele explica.

 

Já não cheira a poder

PPC

Juro que acreditava que as fontes do PSD falavam a sério quando diziam que se ia apresentar um governo de “combate” e de “comunicação”. Um governo que mostrasse ao País que estaríamos a perder qualquer coisa com a moção de rejeição. Pensei que surgiriam nomes fortes da sociedade portuguesa e da política, empenhados em mostrar a sua indignação por aquilo a que andadaram a chamar de “golpe de Estado”. Afinal, temos um governo de terceira linha, composto por ministros fiéis, ex-secretários de Estado e apparatchiks do PSD. A coligação já se rendeu. Nunca pensei que o fizesse tão depressa. Nem sequer vão tentar captar votos dos deputados do PS ou ficar em gestão. Ninguém quis dar a cara por isto. Já não cheira a poder.

Daniel Oliveira@Expresso

Foto: Nuno Ferreira Santos@Público

Paulo Portas e a fome de poder

Portas

Paulo Portas acusou hoje Carlos César de ter “fome de poder” devido à insistência do socialista na demora de Pedro Passos Coelho em apresentar o novo governo e respectivo programa de governo. Eu não sei se Carlos César tem ou não “fome de poder“, é possível que tenha. Mas tenho sérias dúvidas que a sua “fome de poderresulte em perdas de 2,3 mil milhões de euros na bolsa de valores e na subida dos juros da dívida para a casa dos 8%. Independentemente das palermices que se digam em tempo de campanha. Haja bazófia!

Foto: Tiago Miranda@Expresso

«Em Portugal, a cultura de direita converteu-se ao pragmatismo económico

(…) abandonou completamente os livros e as bibliotecas e instalou-se nas televisões, nos jornais, nos ministérios e nos escritórios. (…) [M]ais do que uma cultura de direita, o que temos são famílias de direita. Isto é: muito sangue e pouca cultura.»
[António Guerreiro, Público, Fevereiro de 2014]

Portugal: uma sociedade doente

Os portugueses são um povo neurótico, a precisar de colo e de se pensar a si próprio e à sua existência. Carlos Céu e Silva, psicólogo clínico, pensa que o considerável aumento do mal-estar que a austeridade provocou espelha de forma preocupante as patologias mentais de uma sociedade doente. E responsabiliza os políticos portugueses por esse quadro depressivo.

(c) Sandra Bernardo
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Há dias, no Facebook, apareceu uma frase que creio que define bem o mal-estar que está na raiz de várias patologias que afectam os portugueses. Essa frase diz assim: «Doutor, sofro de retenção de tristeza». O que pensa da frase?
Diria que a partir do momento em que a pessoa expressa de forma tão clara o seu mal-estar, uma parte do caminho já se fez. O sofrimento mais profundo e mais existencial da nossa vida, nós temos muitas vezes dificuldade em expressá-lo, ele não é sempre traduzível em palavras. Nessa medida, essa frase indica muito claramente que a pessoa que a diz está muito triste, ou muito melancólica, relativamente a uma sociedade que não corresponde ao seu ideal. Penso, também, que há depressão na existência dessa pessoa. Mas não posso saber, apenas pela frase, a gravidade dessa depressão, o grau que tem na sua vida diária e de que forma a afecta.

CARLOS CÉU E SILVA (n. 1960) é Psicólogo clínico e Mestre em Aconselhamento Dinâmico. Fundador e Presidente da Olhar – Associação pela Prevenção e Apoio à Saúde Mental, é também Presidente da Laços Eternos – Associação de apoio a pais e irmãos em luto. Como pensador e escritor, assinou Dicionário Psicológico da Criança – a partir da obra de João dos Santos (Âncora, 2008), As Mulheres de Henry James (Coisas de Ler, 2009), Édipo – Uma História Completa (Coisas de Ler, 2009) e Infâncias (Esfera Poética, 2014).

O que transforma essa frase num enunciado significativo é a palavra retenção. Porque essa palavra diz-nos que há uma justaposição de várias camadas de tristeza que estão retidas, que não foram ainda ou libertadas ou transformadas noutra coisa.
Concordo. Mas podemos também interpretar essa palavra de outra forma, porque ela também pode dizer-nos que a pessoa detém um poder individual sobre a situação.

Que é capaz de se auto-controlar?
Sim. E talvez até de um egoísmo.

Não percebo a ideia de egoísmo. Pode explicitar?
Se olharmos para o ser humano nas suas componentes internas e mentais, percebemos que há sempre egoísmo, porque para sobrevivermos tem de haver da nossa parte um constante esforço suplementar. É porque temos esse poder individual, seja ele mental, emocional ou fisiológico, que somos capazes de reter – tal como uma criança se torna capaz de controlar a micção, por exemplo. A capacidade de retenção tem a ver com a forma como nós nos concebemos como seres individuais e sociais. E é este conflito, por vezes desorganizado, que faz com que possamos sentir-nos melancolicamente desprovidos de capacidade para viver socialmente em equilíbrio.

Considera, ou não, que a frase define o povo português?
Considero que define bem e mal o povo português. Define bem porque de facto o povo português é um povo que deseja poder, que deseja conquistar poder, e também o poder de se auto-controlar. Mesmo que depois experimente dificuldade em ter poder, em lidar com o poder, qualquer que seja. E define mal porque quando o português adquire poder, a forma como o gere revela uma dificuldade operacional em assumir conscientemente as suas decisões. E revela também um equívoco, porque a relação com o poder não obriga ao uso de autoritarismo, mas a uma disciplina afirmativa e estimuladora.

O que quer dizer quando diz que os portugueses não lidam bem com o poder?
Quero dizer que nós, portugueses, historicamente, não fomos e continuamos a não estar preparados e a não ser educados para o poder. O português típico deseja o poder, e inveja o poder de quem o tem. Quem tem poder é sempre visto pelos portugueses como um ser a abater. Porquê? Para que possam substituir os outros nesse poder.

Podemos encarar isso como um defeito constitutivo do carácter nacional?
Podemos. Mas vale a pena perguntar porquê, por que é que esse carácter tem essas características? Porque é que nós, portugueses, somos tipicamente invejosos e temos, tipicamente, a tendência para ver o outro de forma deturpada e como um ser ameaçador?

Porquê?
A nossa história existencial enquanto povo, e a criação da nossa pátria enquanto chão, mostram-nos que fomos sempre assim. [Read more…]

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MAC

Via Submarino Amarelo

Sobre o excesso de poder executivo e legislativo

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É uma ideia que me ocorre recorrentemente. Os governos em Portugal, apoiados por uma maioria parlamentar, proveniente de um ou mais partidos, que controlam o Parlamento, o qual controla o governo, têm ao seu dispor demasiado poder sem contraponto.

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O poder

power to the people

Imagine que há 16 anos lhe teriam dito que optar pelo euro significaria perda acentuada de rendimento, transferência de soberania para entidades não democráticas e destruição súbita de direitos lentamente conquistados. Resumindo, imagine que em 1999 lhe teriam dado um vislumbre de um futuro, que seria hoje, onde a aniquilação do controlo sobre a política monetária viria a ser uma arma de guerra capaz de subjugar nações inteiras com maior eficácia do que as bombas. Capaz de concentrar a riqueza num grupo restrito, graças ao desaparecimento do mecanismo de, equitativamente, distribuir os problemas do país por todos, via desvalorização da moeda.

Neste cenário, teria aceite o euro? Possivelmente, não. E no entanto, aqui estamos nós presos a essa decisão, incapazes mesmo de a questionar.

É esta a capacidade do poder, a de moldar as pessoas por forma a não pensarem fora da caixa.

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Retrato de um mundo de desigualdade extrema

Raoul Vaneigem

«Como pudemos chegar a esta fúria económica que remete o planeta para a avidez financeira, não tolerando rasto de vida que não mereça ser sacrificado no altar do lucro, pilhando os recursos humanos, animais, vegetais e minerais, com uma raiva lucrativa que é a própria essência do niilismo e do terrorismo?

O poder do dinheiro e o dinheiro do poder sempre foram inseparáveis. A loucura do dinheiro e do poder desenfreado caminham lado a lado, fustigados pela avidez ascética e pelos prazeres reduzidos aos dejectos da carência afectiva. No seu rasto, o dinheiro sempre atraiu o sangue, a corrupção, a violência. Os privilégios exorbitantes que lhes são doravante consentidos, acrescentam o ridículo ao odioso.

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Os vitoriosos da treta

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Sobre a decadência dos partidos já escrevi aqui, designadamente sobre Matosinhos, caso paradigmático de estapafurdice do PS, lamentavelmente corroborada por pessoas inteligentes e que já deviam ter juízo, como Manuel Maria Carrilho, que não se importou de se sentar ao lado de um candidato sem qualidades (e com tristes projectos para a Cultura) para enfrentar quem já tinha caminho feito naquela câmara municipal – Guilherme Pinto, que acabou por ganhar como independente.

Decadência, sim, dolorosa de ver, sobretudo na visão da cegueira de quem acha que tudo pode continuar, e continuar na mesma. Acabou-se o tempo dos partidos, está chegada a hora de outra coisa:  já visível, embora ainda com as naturais ligações às máquinas partidárias (de onde viriam esses valentes se não dos partidos?) As pessoas querem votar em pessoas, e estas Autárquicas comprovaram-no.

Bem podem os aparelhos partidários protestar, punir, expulsar: os destinatários da sua acção (missão política) não querem já saber dessas revoltas que nada mais são do que a movimentação dos ratos no porão de um navio naufragado. E o Bloco de Esquerda, apesar de ser uma organização partidária recente, não se safou. [Read more…]

Mais uma PPP desastrosa para o país

Estamos a assistir ao vivo e a cores a mais uma PPP desastrosa para o país. A diferença está que, desta vez, não se trata de uma “Parceria Público-Privada”, mas antes de uma “Perrice de Paulo Portas”. O governante terá achado por bem ameaçar sair com o mesmo estrondo de quem sai, para reforçar o seu poder no Governo. Não o demoveu o interesse do país nem a actual conjunctura. Nada disso o fez parar no seu anúncio de saída irrevogável. O país aguenta: uma dolorosa queda na Bolsa, a subida dos juros e a histeria dos mercados. O país aguenta. O povo aguenta. Nem que seja com um segundo resgaste. Ou um terceiro. Ou mesmo um quarto. Não importa. Paulo Portas bateu-se por mais poder e parece que está a conseguir os seus intentos, ainda que sobre o pouco em que o país sobrevive.

Crato obnubilado pela coisa turva

«Nunca deixei de me espantar com a desfilada insana de certos homens para o abismo da sua perdição moral e intelectual» diz Baptista Bastos numa sua crónica recente, atento ao gato escondido com o rabo de fora que constitui efectivamente esta guerra do ministro da Educação Nuno Crato aos professores e à Escola. Mas a desinformação prossegue, e esta manhã no Fórum da TSF debatia-se acaloradamente a questão dos direitos dos alunos, falava-se do respeito que merecem, das suas expectativas e do seu futuro, como se a greve às avaliações fosse na génese e no seu fim um ataque aos alunos, que assim vêem as suas férias estragadas coitados, e o seu futuro ameaçado – e a palavra futuro é aquela bandeira desarmante para os incautos sempre confiantes nele, como se não dependesse da sua acção presente, os incautos e adormecidos à sombra do destino sempre prontos para defendê-lo na sua abstracção bestial, enquanto outros o enformam numa coisa esquisita onde o Estado não tem responsabilidades sociais, o futuro tornado algo cujos desfechos dependeriam essencialmente do Altíssimo, pois tratando-se de governação, e da governação dos homens, Ele, que os criou, é que sabe e é capaz de tomar as melhores decisões.

E pronto, estamos nisto – no debate ao lado, enquanto Nuno Crato prossegue a sua caminhada, de bandeira na mão e de peito aberto às balas, como um verdadeiro revolucionário, empenhado em defender o que ainda quero acreditar ser algo que não compreendeu inteiramente, obnubilado que parece estar pela coisa sempre turva do exercício do poder, esse corruptor de homens vacilantes, como parece ser Crato. Ou, como diz Baptista Bastos, «a vontade de ser ministro de um desprezível Governo como este parece tê-lo obnubilado.»

Zandinga post (2): os sindicalistas são uns malandros

Os boys pagos com o nosso dinheiro e que estão ao serviço do Governo vão aparecer a criticar os sindicatos, os sindicalistas, quem faz greve… É um excelente sinal! Preocupado ficaria se nos viessem aplaudir! Ou então, como no tempo da Maria de Lurdes, se viessem descer a Avenida no meio das nossas manifs

As freguesias que são extintas

Cavaco Silva assinou, hoje, a morte de mais de mil freguesias.

A lista completa pode ser consultada por todos e mostra, de forma muito clara, que este não era o caminho.

O problema de Portugal, das suas finanças e da sua economia, não está nas freguesias e estes cortes são trocos …

O devir histórico (6)

Continuando.

Uma sociedade politicamente organizada, é tanto mais democrática, quanto for a proximidade da população aos centros de decisão política e judicial, ao conhecimento e à cultura. Quanto maior for o afastamento, menos democrática a sociedade se torna. Espelho disso, são as ditaduras em que se afasta liminarmente o povo dos centros de decisão política. Desde logo, não permitindo que se possa escolher os representantes nas instituições políticas. Todavia, uma sociedade organizada com base dum modelo democrático, pode, ela mesmo, afastar-se da própria democracia. Exactamente na mesma medida em que as instituições se afastam do povo. Do que resulta que o tradicional centralismo de decisão, que impera há séculos no nosso país, e que nem o municipalismo conseguiu, verdadeiramente, contrariar, leva a que haja um défice democrático, ainda que em plena democracia. Ou seja, que a democracia se manifeste mais em sentido formal, do que, propriamente em sentido material. Centralismo a que o povo, na sua ancestral sabedoria, soube sintetizar, há muito, no adágio “Portugal é Lisboa e o resto é Paisagem”. Sim, a lógica de “Capital do Império” subsiste. E, curiosamente, vem mais ao de cima quando as dificuldades apertam. Como no Estado Novo, com a centralização do poder político à reverencial mão de um salvador da pátria, à custa da supressão das liberdades individuais. Tudo para que um então Ministro das Finanças pusesse as contas do país em ordem. E, depois, para que já o Presidente do Conselho de Ministros pusesse na ordem todo o país. Para que, logo a seguir, pusesse na ordem quem não concordasse. E nessa ancestral tendência de se centralizar o poder em momentos de maior aperto, lá vamos seguindo o nosso curso. Hoje, o poder encontra-se evidentemente centralizado em Lisboa. E, pior, agravam-se as assimetrias e vilipendia-se a democracia material, afastando as populações daquilo que são instituições fundamentais da própria democracia. Como é o caso da Justiça, tal como prevê o actual projecto de Mapa Judiciário, onde se extingue tribunais à luz de interesses meramente económicos. Não havendo maior retrocesso civilizacional do que afastar a Justiça do povo. Mais, ainda, em tempos de dificuldades, de populações empobrecidas e já isoladas por sucessivos êxodos resultantes de políticas desastrosas. E, no entanto, é isso mesmo que está na calha. Ora, recalcando-se, assim, os mesmos maus trilhos doutrora, não pode ser mera coincidência.

Poder – a mão direita

 

O meu último post

Faz hoje precisamente um ano que o meu livro, Arquitectura, Música e Acústica no Portugal Contemporâneo (edições FAUP), foi apresentado na Fnac do GaiaShopping, no âmbito da Campanha 100 Anos, 100 Livros ( lançamentos de livros da Universidade do Porto nas lojas Fnac).

Uma coincidência. Gosto de coincidências. «Nada é ao acaso». Gosto desta frase de Richard Bach. Uma data que marcou uma etapa, um dia importante. Hoje, quero iniciar uma outra.

Desde essa altura que tenho vindo a escrever muito regularmente neste blogue, a convite do JJC.

Foi uma experiência enriquecedora: aprendi muito com os autores do Aventar e com os leitores, mesmo com aqueles que declaradamente não concordam comigo nalguns temas.

Escrever num blogue torna-se rapidamente num vício. [Read more…]

Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

O poder dos sem-poder

Gosto de ler as crónicas de Frei Bento Domingues ao domingo no Público.

Hoje, escreveu: “O poder da palavra é o poder dos sem-poder. Daí, o perigo do seu contágio.”

Que bom podermos dizer livremente aquilo em que pensamos.

Primeiro-Ministro esquece-se da filha

O primeiro-ministro britânico saiu de um bar com a mulher deixando para trás a filha pequena.

Nós já sabíamos que os políticos perdem a noção da realidade e do que é mais importante: as pessoas e os valores humanos essenciais. Calculamos que a família de um primeiro-ministro fique relegada para segundo e terceiro planos. Mas não passava pela cabeça de ninguém até hoje, que fossem esquecer um filho num pub, ainda mais uma criança de 8 anos. A segurança do PM não funcionou num episódio doméstico e simples como este.

Todos os políticos sofrem de uma espécie de amnésia que afeta, sobretudo, a família. Essa amnésia é ainda mais aguda se o político fôr PM ou PR. A família só vai aparecendo para a fotografia.

O PM britânico não só se esqueceu da filha no pub, como é natural que se esqueça dela diariamente desde que assumiu o cargo…

Político que é político esquece-se de tudo o que é importante e que vale a pena investir.

Saudades de Cerejeira

Posso gostar mais ou menos ou nada das opiniões emitidas por clérigos e afins, mas não gostaria de viver numa sociedade em que estivessem proibidos de falar. Por outro lado, as generalizações são sempre injustas, é certo, mas a História da Igreja Católica contém demasiados episódios de ligações a poderes opressivos ou de práticas sinistras, com torturas físicas e psicológicas incluídas.

De braço dado com o Estado Novo, a Igreja portuguesa do século XX participou em várias indignidades, quanto mais não fosse por omissão. A mesma instituição que nunca perdeu tempo a criticar as ditaduras de esquerda incitava os fiéis a acatar mansamente a miséria e a opressão. [Read more…]

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