FMI, Governo e PSD, Júdice… está tudo grosso!

 

O FMI, finalmente, fez a descoberta do século: “o fosso entre ricos e pobres esteve na origem da crise”. Que espanto! Como deve ter sido difícil chegar a tal conclusão. Excede, de longe, o mérito de Einstein e de outros fundadores da Física Quântica.

Governo e PSD, no âmbito do acordo orçamental, aprovaram legislação que, no caso do sector empresarial do Estado, deixa ao critério dos respectivos gestores a aplicação ou não de cortes salariais que, todavia, na FP são imperativos. Rui Rio, presidente da C.M.Porto, rebelou-se com inteira razão. Para o Governo já sabíamos que era assim, mas para a alternativa ‘laranja’ também há portugueses de 1.ª e 2ª. – ver aqui no Aventar, a propósito da CGD.

A terminar, o acrobata José Miguel Júdice, da comissão de honra da recandidatura de Cavaco – pasme-se! – acusa o atual Presidente da República de destruição do PSD de Sá Carneiro, do aumento do peso do Estado e ter sido um governante autoritário. Bolas! Com apoiantes destes, para quê adversários?

Parei aqui o  périplo pelas notícias – já estava a ficar doido. Decidi repescar um vídeo antigo,  um “sketch” da saudosa Ivone Silva e de Camilo de Oliveira. É que está mesmo tudo grosso!

Os orçamentos da regressão económica e social

Desde ontem a imprensa vem repetindo a notícia do encontro do Governo e do PSD, amanhã à tarde, com vista à negociação do acordo para viabilizar, no parlamento, o OGE para 2011. A delegação governamental é chefiada pelo Ministro do Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos; a comitiva do PSD é dirigida por Eduardo Catroga, um auto-classificado de independente, que exerceu cargo idêntico ao do seu interlocutor principal nos tempos de Cavaco Silva, de quem é considerado politicamente muito próximo.

Qual será, afinal, o desfecho mais ou menos imediato do referido encontro? Em nosso entender, a aprovação, pura e simples, do OGE. E o acordo terá probabilidade de ser atingido já amanhã. Poderá acontecer que as procurações que habilitam os dois principais negociadores exijam, no derradeiro momento, o veredicto supremo dos líderes; mas, a ser assim, não é obstáculo de maior e facilmente será ultrapassado, em breves conversas por telemóvel.

Com cedências mútuas em matéria de receitas e despesas, creio que PS e PSD superarão tentações de tácticas dos interesses político-partidárias. Estão compelidos a obedecer às pressões internacionais, sobretudo da UE e do BCE, que podemos resumir em notícias do Financial Times reproduzidas pelo “i”, as quais focam ainda a probabilidade de Portugal, este ano, atingir um défice superior aos 7,3% do PIB previstos pelo governo.

Tudo isto traduz que Portugal, como outros países, há muito perderam o poder de decisão soberana em matéria de ‘contas públicas’ e de outras áreas. Nas políticas macroeconómicas em voga, é ponto assente que na Europa de hoje, e em particular nas economias mais frágeis da ‘zona euro’, há inteira submissão aos propósitos de Berlim e Paris, aos quais o próprio Trichet levanta reservas e que são denunciados, de forma objectiva e eloquente, por Ana Paula Fitas.    [Read more…]