Paredes e livros

Se há 150 mil euros para limpar grafitis, não há 75 mil para apoiar a Feira do Livro?

Rio contra as paredes insurrectas

Há uma proximidade que quase roça o erotismo entre autarcas com tiques autoritários e paredes brancas. Brancas, impolutas, imaculadas, inexpressivas, em silêncio. Paredes ordeiras, sem cartazes nem grafitis. Eles anseiam pelas paredes brancas com um ardor voluptuoso, quase fetichista, e parecem dispostos a qualquer sacrifício para alcançá-las, ainda que seja tão efémero o tempo que lhes é concedido para que estejam juntos.

Rui Rio, a minha bête noir, juntou, aqui há dias, funcionários da câmara, estudantes da Universidade Lusófona e beneficiários do Rendimento Social de Inserção para, numa algazarra de baldes, vassouras e imprensa local e municipalizada, dar início a mais uma etapa da cruzada contra as paredes insurrectas.

Juntou esta insólita brigada e liderou-a pelas ruas mais problemáticas, apontando-lhes o que havia que apagar. Na luminosa manhã de faxina ergueu-se a voar, à roda das paredes conspurcadas voou três vezes, voou três vezes a chiar, e disse: [Read more…]