Marcelo Rebelo de Sousa, o Rato Mickey da Feira do Livro

Fotografia via SOL

Na Disneyland, as crianças fazem fila para tirar fotografias com o Rato Mickey. Na Feira do Livro, onde escritores a sério são votados ao abandono ou confundidos com os Gustavos Santos e as Margaridas Rebelo Pinto desta vida, fazem-se filas para tirar fotos com Marcelo. O Rato Mickey que se cuide, da próxima vez que Marcelo estiver em Paris.

Feira do Livro de Lisboa

Inicia-se no próximo dia 1 de Junho a Feira do Livro de Lisboa. Os escritores são maravilhosos. O pessoal que, dentro dos contentores, vende os livros, ganha 3 euros à hora e tem contrato por duas semanas. Suba-se o rating da República. Acima de lixo, mas não muito. Para não dar nas vistas.

Feira do Livro do Porto: o regresso

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Organizada pela Câmara Municipal do Porto. O programa de actividades é variado.

Assassinos de árvores

Não há livros digitais nas feiras do livro.

Dia Mundial do Livro

Como hoje, 23 de Abril, se comemora o Dia Mundial do Livro, vale a pena aproveitar o dia para reflectir.

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Doloroso e intolerável

Anteontem, só me ocorria a palavra vergonha. Hoje, José Manuel Mendes acrescenta “doloroso e intolerável”. Exactamente.

Paredes e livros

Se há 150 mil euros para limpar grafitis, não há 75 mil para apoiar a Feira do Livro?

Vergonha

Neste momento, só me ocorre a palavra vergonha. Pode ser que, durante os próximos dias, outras palavras me ocorram.

Subscrevo!

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O blogue “Clube de Leitores”, que obteve 37,19% dos votos no nosso concurso do ano passado, tendo vencido a sua categoria, referiu ontem o fim da Feira do Livro do Porto.

Dando conta duma notícia do JN, “De acordo com o que noticiou o diário, na origem do problema está a recusa da Câmara Municipal do Porto em renovar o protocolo de quatro anos que terminou o ano passado, através do qual a organização da feira recebia 75 mil euros, apoio logístico e isenções camarárias”.

Ficamos a saber que a CMP não tem 75 mil euros para subsidiar um dos maiores eventos culturais da cidade.

Questão de prioridades, dir-se-á, e as corridas da Boavista são melhor investimento… Já os imperadores romanos nos tinham ensinado o “panem et circenses” para manter o povo feliz e contente.

O blogue adianta ainda, segundo Miguel Freitas, da APEL, “A avançar a feira iria realizar-se em Junho, mas para isso, segundo cartas enviadas pela APEL aos associados, terão de ser os editores a assumir a verba que a Câmara de Rui Rio deixou de atribuir”. E o secretário-geral da associação de livreiros não acredita que os sócios estejam dispostos a suportar gastos adicionais “num período de crise em que vivemos“. Junte-se o facto de  “os resultados comerciais no Porto não serem relevantes para a maioria das editoras“.

Perante esta situação, também eu subscrevo a frase lapidar do blogue: “Não há muitas palavras para estes acontecimentos para além de uma enorme vergonha e uma série de insultos que me queimam cada vez a língua”.

Passos Coelho é o conde de Gouvarinho

Sobre um livro do presidente de Singapura que, alegadamente, terá lido: “Inspirador, embora Singapura seja evidentemente um regime autocrático, o que não é exatamente o que nós desejamos para Portugal”

Um Livro do Futre Para Cada Português

Desde que, cá na terra, se perderam os últimos resquícios de modéstia e de pudor, não faltam auto-proclamados génios, vencedores e gajos muita bons. Uns com razão – Mourinho, o especial – outros sem ela – Sócrates, “ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice”.

À parte está Paulo Futre que, quando fala, não se esquece de lembrar “eu fui bom”. É verdade. Paulo Futre foi bom, muito bom, foi dos melhores.

Mas Paulo Futre tem outras qualidades. A primeira é que não se leva demasiado a sério, ri-se de si próprio, faz rir, é assim uma espécie de malandreco porreiraço e assume-se como tal. E, nesse sentido, não chega a ser nunca imodesto; é um de nós, um puto com talento a quem as coisas correram bem. E, como tal, é um despudorado em quem não se nota a falta de pudor.

Além disso tem mundo e tem histórias. Muitas. Giras. Histórias de gente comum que, de repente, caminha nas estrelas e mantém os pés cá em baixo. Futre é um bem-disposto, um sem-peneiras, um tipo popular capaz de beber uma bejeca com qualquer de nós, com duas histórias de permeio, as mesmas (ou outras) que agora juntou em livro.

Recomendado especialmente para convencidos, vaidosos e macambúzios, um livro do Futre para cada português. Já.

A propósito da Feira do Livro

O doutor Lasalle, médico experiente mas nem por isso menos intrigado com aquele estranho caso, resolveu chamar-lhe A Metáfora. E nenhum outro epíteto seria mais conveniente para Kurt Crüwel, um homem que, “no sabiendo cómo evidenciar su rechazo ante lo que sus sentidos le mostraban, había optado por una solución drástica: suspender sus vínculos com la realidad”.

Um jovem alfaiate alemão, presa de um momento histórico atroz, participa na investida das tropas nazis sobre uma França derrotada. Em 1941, em Mieux, na Bretanha, assiste a um massacre perpetrado pela sua companhia. Perante o extremo horror, o seu corpo perde a capacidade de receber os estímulos do exterior e encerra-se no refúgio da imaginação e da memória. Insensibilidade física e espiritual em resposta aos horrores do mundo. Uma bela metáfora deu origem a uma interessantíssima novela de Ricardo Menéndez Salmón: La Ofensa.