Miguel Sousa Tavares ‘online’

Confesso ser leitor assíduo da coluna de Miguel Sousa Tavares no ‘Expresso’, o que, todavia, não significa estar incondicionalmente de acordo com tudo o que escreve. Em diversos artigos, e embora se exiba como detentor absoluto da verdade, comete erros, como outros. Atreve-se de volta e meia a julgamentos inexactos e reveladores de desconhecimento da matéria por si abordada.

Estou a lembrar-me de, há algum tempo, ter publicado no ‘Expresso’ uma opinião sobre as reformas. Invocou uma conversa com uma idosa que se lhe dirigiu, a queixar-se de viver com dificuldades.

Sousa Tavares, assumido sábio e polivalente em conhecimentos científicos – evite-se o epíteto de ‘tudólogo’ – fez de imediato as contas aos 11% de quotização de décadas que a senhora pagou à Segurança Social e sentenciou: “como se comprova, com este nível de descontos, é impossível ao Estado pagar-lhe um valor mais alto de reforma”.

O conhecido escritor, jornalista, comentador, seja lá o que for, esqueceu-se ou ignorou que aos 11% de quotização teria de incrementar 23,75%  correspondente à agora designada Taxa Social Única dos trabalhadores dependentes, que os empregadores entregam mensalmente ao Ministério da Segura Social, para financiar prestações sociais, como as próprias reformas, os subsídios de desemprego e outras prestações – seria útil que Tavares lesse o LBSS – Livro Branco da Segurança Social ou ‘Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza’ de Carlos Farinha Rodrigues que, na última edição do ‘Expresso’, página 33, publicou o artigo ‘Segurança Social: quinze anos passados’. Teria, então, a oportunidade de concluir que a aritmética de que se serviu é uma base científica errada e elementar, demasiado elementar, para analisar e extrair conclusões rigorosas sobre a sustentabilidade da Segurança Social, assim como os níveis de reforma daqueles que não tiveram a sorte de passar cinco anos pelo Banco de Portugal, dezoito meses pela CGD ou uma dúzia de anos pela AR.

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