O grande argumento

João Miguel Tavares explicou no Governo Sombra, de forma alterada, que Teodora Cardoso falhou as previsões pessimistas sobre o défice porque o governo não fez o que prometeu na campanha eleitoral. É capaz de ter alguma razão – não a tem toda, mas adiante. Podia, no entanto, lembrar-se do que fez, em termos de promessas e execuções, aquele que ele já adjectivou, em tempos, como um bom primeiro-ministro. Lembrando-se ele disso, talvez pudesse dissertar sobre que circunstâncias se podem evocar para optar ente polegar para cima ou para baixo quanto a governantes.

O desespero político explicado às crianças

Foto via Sapo24

Estava a Geringonça à rasca com o incêndio de Pedrógão Grande, e eis que surge Passos Coelho to the rescue! A levar Portugal a sério como só ele sabe, aventou suicídios e fontes credíveis, mas afinal era tudo barrete. Nem D. Sebastião de El Mundo lhe valeu. Seguiu-se mais um episódio deprimente para o primeiro-ministro no exílio, que insiste em sujeitar-se a coisas destas, e que lhe valeu duras críticas de diferentes quadrantes. Deixo-vos com Miguel Sousa Tavares, esse perigoso comunista, e o caminho para a “tragédia eleitoral autárquica” de Pedro Passos Coelho.

Video roubado a Uma Página Numa Rede Social, sob ameaça de suicídio

Efectivamente, a ideia de batizar parece-me ridícula

Ao contrário daquilo que a SIC anda por aí a divulgar, Miguel Sousa Tavares não disse

A ideia de batizar o aeroporto com o nome de Cristiano Ronaldo parece-me ridícula.

Eis aquilo que Sousa Tavares, de facto, disse

A ideia de baptizar o aeroporto com o nome de Cristiano Ronaldo eu acho duma absoluta infelicidade, para não dizer mesmo ridícula.

Exactamente: baptizar.

Como é sabido, baptizar [batiˈzaɾ] ≠ *batizar [bɐtiˈzaɾ].

Efectivamente.

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Verdade absoluta

PSD está mal habituado pelos anos de Cavaco no poder” – Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares VS Expresso. No Expresso…

MST

Já passaram algumas semanas desde o início do escândalo Panama Papers. A imprensa portuguesa envolvida na investigação – Expresso e TVI – promete, semana após semana, revelar os nomes dos mais de 240 portugueses envolvidos neste caso. Até ver revelaram meia dúzia de indíviduos secundários ou caídos em desgraça. Onde andam os nomes dos ex-ministros e do ex-presidente avançados pela TVI? Que é feito dos restantes nomes anunciados durante dias em manchetes do Expresso? Estarão a seleccionar quem poupar e quem sacrificar? Vai daí, o Miguel Sousa Tavares decidiu dar um toque ao Expresso nas páginas do próprio Expresso. Pode ser que resulte.

Imagem via Os Truques da Imprensa Portuguesa

O grau zero da política

MRS

Quando se ouve no noticiário nacional da TSF a descrição do dia de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, o principal candidato à vitória, e o mais relevante do relato é a entrada do candidato numa farmácia onde compara o preço de dois medicamentos e escolhe o mais barato porque “35 cêntimos é dinheiro”, podemos concluir que não estamos longe do grau zero da política. Enquanto alguns candidatos se esgotam em banalidades e “afectos”, e outros repetem os chavões do partido ou falam como se pretendessem governar, Marcelo — o que mais obrigações tem de conhecer os poderes presidenciais e a importância da função — investe tudo na tentativa de tirar qualquer importância à campanha, afadigando-se a servir imperiais ou bolos atrás dos balcões de cafés, a jogar dominó na rua com os passantes e a esforçar-se encarniçadamente por dar de si a imagem de um Presidente Zé Povinho. Que ele julga ser a versão presidencial que o povo melhor compreende, mais aprecia, mais popularidade lhe traz e, seguramente, menor risco lhe acarreta.

Miguel Sousa Tavares@Expresso

Foto: Orlando Almeida/Global Imagens@DN

Efectivamente: excepcionais

RTP excepcionais

There were more urgent emergencies than mine.

Sam Shepard

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Esta imagem, do Prós e Contras de ontem, merece três breves comentários (*):

  1. Depois de ‘selecção‘, de ‘Egipto‘ e de ‘pára‘, voltamos a verificar que o AO90 não é nem adoptado, nem necessário.
  2. Devido ao AO90, em português europeu, é criada a grafia ‘excecionais‘ e eliminada a grafia ‘excepcionais‘— contudo, em português do Brasil, a grafia ‘excepcionais‘ mantém-se.
  3. Octávio Ribeiro é o autor da frase:

A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, caro Leitor, quando já ninguém estranhar a palavra “facto” escrita sem cê.

Continuação de uma óptima semana.

(*) O ‘contra-natura’ da frase de Ribeiro é extremamente interessante, mas neste momento há “more urgent emergencies”.