Como Se Fora Um Conto – A Mercearia do Sr. Janeira

Dia a dia dou por mim a beber a minha cidade, sem sofreguidão, saboreando cada momento, cada pessoa, cada rua, cada viela, avenida ou alameda.

Aprecio o sol coado pela suave bruma, engulo com satisfação os ditos, os palavrões, a calma do senhor que está sentado num banco de jardim a ler o jornal, ou a senhora atarefada que com o saco meio cheio vem da mercearia.

Com muito vagar, sinto o tempo a passar pelo meu corpo, andando para trás, e revejo a vida da minha rua na altura em que eu era pouco mais que adolescente e olhava tudo e todos, julgando que os não via.

Na minha rua havia de tudo, gente de todas as classes sociais e lojas e fábricas e tudo. Era uma rua muito completa e variada. [Read more…]