As prioridades de um académico tropical

Macedos

No passado dia 18, foi publicada no DN uma entrevista a Jorge Braga de Macedo, conduzida pela “insuspeita” Fernanda Câncio. Esta entrevista surge na sequência de declarações polémicas do ex-ministro de Cavaco Silva, a propósito do chumbo do TC aos cortes de 10% nas pensões dos funcionários públicos, numa conferência na Universidade de Austin, Texas, na qual para além de acusar os juízes do TC de terem pouco juízo (na versão DN/Fernanda Câncio. A tradução da palavra usada por JBM – (not) wise – poderia ser facilmente interpretada como “imprudente” ou “insensato”, o que vai quase dar ao mesmo mas não tem aquela conotação infantil de puxão de orelhas à canalhada), JBM terá afirmado que os 13 juízes do TC – cuja função tenho ideia ser “garantir e defender” a Constituição da República Portuguesa – deviam dar prioridade ao memorando de entendimento em prejuízo da própria Constituição.

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Krugman: um americano em Lisboa

A pantomina é o único traço comum entre a visita de Paul Krugman a Lisboa e as técnicas cinematográficas de ‘Um Americano em Paris’, de Vincente Minnelli. Da mesma maneira que Paris e Lisboa são cidades bastante distintas, também os dois protagonistas divergem integralmente entre si.

No filme, Jerry, é um veterano da 2.ª Guerra Mundial, enfrentando dificuldades e perseguindo o objectivo de se firmar como pintor na Cidade-Luz, tendo ficado na história do cinema como um dos melhores musicais de sempre.

Krugman em Lisboa é outra música. O contraditório e mediático Nobel da Economia, a despeito das críticas insistentes às políticas de pesada austeridade, com a Sra. Merkel como inimiga de estimação, veio a Lisboa para ser honrado com o doutoramento honoris causa. Este doutoramento, ao que agora percebo, foi mero pretexto, usado a preceito pelo seu amigo e mandatário do governo de PPC, Jorge Braga de Macedo.

Afinal o infatigável lutador anti-austeridade, em prolixos artigos em “The New York Times”, através de almoçaradas e jantaradas promovidas por Passos Coelho e o governador do Banco de Portugal’, veio caucionar a severa e economicamente desastrosa política de Coelho, ao afirmar:

Detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito em Portugal.

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