As prioridades de um académico tropical

Macedos

No passado dia 18, foi publicada no DN uma entrevista a Jorge Braga de Macedo, conduzida pela “insuspeita” Fernanda Câncio. Esta entrevista surge na sequência de declarações polémicas do ex-ministro de Cavaco Silva, a propósito do chumbo do TC aos cortes de 10% nas pensões dos funcionários públicos, numa conferência na Universidade de Austin, Texas, na qual para além de acusar os juízes do TC de terem pouco juízo (na versão DN/Fernanda Câncio. A tradução da palavra usada por JBM – (not) wise – poderia ser facilmente interpretada como “imprudente” ou “insensato”, o que vai quase dar ao mesmo mas não tem aquela conotação infantil de puxão de orelhas à canalhada), JBM terá afirmado que os 13 juízes do TC – cuja função tenho ideia ser “garantir e defender” a Constituição da República Portuguesa – deviam dar prioridade ao memorando de entendimento em prejuízo da própria Constituição.

Admirados com a “gestão de prioridades” deste senhor? Não fiquem. JBM é um profissional da gestão de prioridades, basta ver a forma habilidosa com que conseguiu que o instituto público a que preside, o IICT, apoiasse uma exposição da sua filha, cujo tema era o seu avô, pai de JBM. E esta foi apenas uma das três exposições que o papá apoiou à menina, a que se junta também um espaço de “residência artística” gentilmente cedido pelo IICT nas suas instalações. Tudo isto num país que, como sabemos, aposta forte na cultura… Enfim, adiante!

Da entrevista, retive muita retórica de fuga entre os pingos da chuva, sempre com a mira de Fernanda Câncio na sua testa. Para além do habitual apontar de dedo ao PS enquanto responsável exclusivo pela “década perdida” e pela “bancarrota”. Diz o homem que usa dinheiro do Estado para promover a filha, que era Ministro das Finanças quando, entre muitas outras coisas, o custo do “elefante branco” de Cavaco derrapou dos 6 milhões iniciais para 27, e que foi um dos felizes contemplados com um lugar no Conselho de Supervisão da EDP, essa privatização tão benéfica para as gerações futuras num Estado aparentemente “nacionalizador”. Yeah right, se há gajo com moral para falar é este “dinossauro tropical”, quando ele estava no poder correu tuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo bem!

Houve, no entanto, uma passagem desta entrevista que bateu forte cá dentro. Diz o doutor Tropical:

Dei-lhe destaque (à Constituição e a interpretação que dela faz o TC) na intervenção oral não só por se tratar de uma fonte inusitada de incerteza para um programa de ajustamento económico e financeiro, mas também porque contrasta fortemente com a experiência americana e até alemã que citei na minha comunicação.

O argumento batido da “incerteza” não me merece qualquer comentário a não ser relembrar este leal soldado do Governo que não há decisão do TC que se tenha sequer aproximado à “incerteza” causada pela irrevogabilidade de Paulo Portas, quando os juros da dívida a 10 anos chegaram aos 8% em Julho passado. Quanto às experiências americana e alemã, confesso que desconheço o que se passa na terra da liberdade mas estou em crer que o TC alemão disse, um destes dias, qualquer coisa como as pensões e os seus montantes serem equiparadas à propriedade privada e que qualquer alteração das mesmas constituiria uma restrição ao direito à propriedade. Alguém chame o Bruno Maçães para nos esclarecer! Até porque anda por ai quem engula qualquer tipo de esclarecimento.

Comments

  1. Fernando says:

    Mais outro Tacho que gosta de mandar os outros emigrar!


  2. Não é por acaso que Braga de Macedo tem uma orelhas grandes, muito puxão em novo, e agora é muito wise.

    BOM NATAL A TODOS

  3. Nascimento says:

    Não foi esta merda de pessoa, que andou a mamar subsidios, como ” jovem agricultor!????É o mesmo palhaço do OÁSIS-
    Andou uns anos escondido,e agora aparece a vomitar alarvidades. Enquanto não começarem a levar…


  4. Não me falem neste ANORMAL – há meses ví-o por acaso na rua (avª Roma-Areeiro) e é tão feio a andar como a falar, como a dizer –

  5. Artur Pimenta says:

    Não foi este energúmeno que fugiu aos impostos sisando um monte que tinha comprado por valor inferior à compra para assim pagar menos imposto???? E vem este tipo dar lições….! Está visto que o Snr Silva é mestre em escolher quem o rodeia. Possivelmente queria ultrapassar o Ali Babá e os 40 ladrões.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.