Permitiremos um Apartheid na Europa?


Imaginemos esta mesma cena numa rua de Teerão, do Cairo, Rabat ou Jacarta. Umas centenas, ou milhares de fulanos rosados, brandindo cartazes com os dizeres “Roma é a solução”, ou “O luteranismo é a verdadeira solução, liberdade religiosa vai para o inferno!”, ou ainda “Lei cristã para os cristãos”, ou “Lei cristã para o Egipto”, “Cristianismo dominará o mundo”, etc.
Imaginem o escutar do toque de sinos em qualquer cidade saudita, imaginem uma procissão cristã numa rua de Teerão, um concerto público com o Aleluia de Haendel, em Argel. Imaginem um “Al-Aventar” em qualquer uma destas cidades, publicando textos apelando à laicidade, atacando o grande mufti de Jerusalém, o supremo aiatolá ou qualquer imã local, pugnando pelo same-sex marriage, pela completa igualdade legal entre homens e mulheres. Imaginem.

Pois limitem-se a imaginar. É melhor ficarmos por aqui. As fotos mais abaixo aparecem escondidas, dada a indecência evidente. Só as verá quem assim o entender. No entanto, imaginem-nas tiradas em Lisboa. Estão preparados?
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O direito a não levar com uma religião na cara

 

A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem de considerar que  "a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão em instalações utilizadas pelas autoridades públicas e, especialmente em aulas”, restringe os direitos paternos de educarem os seus filhos “em conformidade com as suas convicções”. Adiantou que a exposição do símbolo cristão também limita “o direito das crianças a crerem ou não” representa um franco progresso em matéria de liberdade religiosa.

O que está em causa é o direito a não levar com a simbologia de uma crença nas salas de aulas, sujeitando crianças educadas noutra religião, ou muito simplesmente em religião nenhuma (direito que deviam ter, já que a fé dos pais não pode ser imposta como se fosse hereditária). 

É tempo que todos entendam que a religião é uma questão de fé, individual, terminando o direito de a propagandear onde começa o direito dos outros a sentirem-se ofendidos com essa propaganda. Idealmente devia ser como nas nossas caixas de correio: religião não solicitada, não entra.

No caso do cristianismo a utilização de imagens da execução pública do seu fundador é no mínimo de mau gosto, e nem me parece incentivar uma prática pedagógica de combate à pena de morte.

É certo que há representações artísticas de inegável valor. Esta de Dali nem é das minhas favoritas, mas desconfio que se tivesse sido adoptada por alguma escola seriam os próprios devotos os primeiros a protestar.