O direito a não levar com uma religião na cara

 

A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem de considerar que  "a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão em instalações utilizadas pelas autoridades públicas e, especialmente em aulas”, restringe os direitos paternos de educarem os seus filhos “em conformidade com as suas convicções”. Adiantou que a exposição do símbolo cristão também limita “o direito das crianças a crerem ou não” representa um franco progresso em matéria de liberdade religiosa.

O que está em causa é o direito a não levar com a simbologia de uma crença nas salas de aulas, sujeitando crianças educadas noutra religião, ou muito simplesmente em religião nenhuma (direito que deviam ter, já que a fé dos pais não pode ser imposta como se fosse hereditária). 

É tempo que todos entendam que a religião é uma questão de fé, individual, terminando o direito de a propagandear onde começa o direito dos outros a sentirem-se ofendidos com essa propaganda. Idealmente devia ser como nas nossas caixas de correio: religião não solicitada, não entra.

No caso do cristianismo a utilização de imagens da execução pública do seu fundador é no mínimo de mau gosto, e nem me parece incentivar uma prática pedagógica de combate à pena de morte.

É certo que há representações artísticas de inegável valor. Esta de Dali nem é das minhas favoritas, mas desconfio que se tivesse sido adoptada por alguma escola seriam os próprios devotos os primeiros a protestar.

 

 

 

Comments


  1. E lá virá o dia em que na sala de aula  em vez de um professor (a) que tem opinião e, por isso, poderá influenciar a criança ,ser substituído por um gira discos, que só dará a matéria. Cientificamente…


  2. E quando um “burqueiro” decidir ser dever para com Alá ter o mulherio de cara tapada, pano de cozinha à volta dos cabelos e na escola e uma lei diferente para as diferentes comunidades religiosas? Vai achar um grande progresso? Voltamos à Idade Média?Nada de confusões. Embora não seja religioso, creio bem que a Europa é o que é por Causa do cristianismo e não APESAR dele. Olhe à volta e veja a diferença.


  3. Para mim as religiões devem ter todas o mesmo tratamento por parte das entidades públicas. No caso dos muçulmanos, que não têm exactamente iconografia religiosa, se querem escolas com as suas regras que as construam. Espero é que não queira ir pela proibição de minaretes, como alguns suiços agora tentam.Quanto à identidade da Europa é europeia, passe o pleonasmo. A  cultura ibérica bebe do cristianismo (que até ao séc XIX foi uma religião obrigatória, não esquecer) mas também do islamismo e do judaísmo. E a Europa democrática muito mais do laicismo, com quem se construiu a partir do séc. XVIII, do que de qualquer religião.


  4. Nada disso, José.  Construam os minaretes que bem entenderem, desde que cumpram o PDM… :)Bom, quanto a direitos especiais para “eles”, repito sem pestanejar: NÃO! É impossível admitir o que se passa no Reino Unido e quanto a este tipo de abusos, sou radical e até lhe aceno com o patife do Robespierre, se lhe agradar. Não tolero excepções e se sou favorável ao Estado laico, reconheço que a igreja católica não é, nem pode ser a “mesma” coisa Que os adoradores de serpentes, os mormons, islamitas, faquires, adoradores do Sol, etc. Há que ter consciência e defender o que nos interessa.Quanto ao início da História no século XVIII; discordo. A Europa faz-se com as invasões bárbaras, com a miscigenização com as populações romanizadas, com Carlos Magno, com a Renascença dos quais fomos pioneiros, etc. Quanto ao legado islâmico, há que atender também à fonte onde bebeu prodigamente, ou seja, ao manancial greco-romano que sem dúvida absorveu em parte, preservando-o e re-divulgando a mensagem na Europa. Nada de exageros. Aliás, este espírito derrotista e de acanhamento diante todo o tipo de patranhas – desde a fábula da Cleópatra “negra” até aos inexistentes brioches de Maria Antonieta -, parecem-me sumamente perigosos. A história é assim mesmo e negá-la não merece qualquer tipo de condescendência. Com estas cedências, encheram-se campos de concentração.