Permitiremos um Apartheid na Europa?


Imaginemos esta mesma cena numa rua de Teerão, do Cairo, Rabat ou Jacarta. Umas centenas, ou milhares de fulanos rosados, brandindo cartazes com os dizeres “Roma é a solução”, ou “O luteranismo é a verdadeira solução, liberdade religiosa vai para o inferno!”, ou ainda “Lei cristã para os cristãos”, ou “Lei cristã para o Egipto”, “Cristianismo dominará o mundo”, etc.
Imaginem o escutar do toque de sinos em qualquer cidade saudita, imaginem uma procissão cristã numa rua de Teerão, um concerto público com o Aleluia de Haendel, em Argel. Imaginem um “Al-Aventar” em qualquer uma destas cidades, publicando textos apelando à laicidade, atacando o grande mufti de Jerusalém, o supremo aiatolá ou qualquer imã local, pugnando pelo same-sex marriage, pela completa igualdade legal entre homens e mulheres. Imaginem.

Pois limitem-se a imaginar. É melhor ficarmos por aqui. As fotos mais abaixo aparecem escondidas, dada a indecência evidente. Só as verá quem assim o entender. No entanto, imaginem-nas tiradas em Lisboa. Estão preparados?



Comments


  1. Sim, pois, à guerra santa respondes com a guerra santa. Eu seria mais para o pacifista em coisas de deuses, mas pelos vistos anda meio mundo a brincar aos cruzados.

  2. Nuno Castelo-Branco says:

    Pelos vistos, é exactamente o oposto, José. O que me espanta, é a contemporização perante o exagero. Está bem, esquece a questão que acima coloquei das manifestações no mundo “árabe” e coloca-as em Paris, Londres e Berlim, com cartazes apelando a Roma, etc. Queria ver a reacção das Câncios de calças. Porque as de saias, já sei como são.
    Qual guerra santa! Como se eu acreditasse em santidades. O que pretendo dizer, é que na nossa sociedade, todos são livres de acreditar naquilo que bem entenderem, desde os “do costume”, até aos adoradores de Aton, da deusa Bastet (uma das minhas favoritas), etc. Ora vai-lhes dizer isso e terás a resposta.
    Não estou para aturar malucos. Simples. E não tenho medo.

  3. spongebob says:

    Pois eu também acho que o melhor é dar-mos o cuzinho aos muçulmanos, não é ó Asterix?


  4. Nuno: todas as religiões têm fundamentalistas. Em percentagem os evangélicos maluquinhos nos states ultrapassam em muito os alcaídos de Marrocos.
    spongebob: levar no cuzinho é 4 posts abaixo.


  5. Nuno, onde arranjou estas fotografias? Onde decorreu essa manifestação?
    O que eu imagino é que a maioria dos muçulmanos que residem na Europa olhem para isto e deitem as mãos à cabeça. Tal como a maior parte dos alemães faz perante uma manifestação de neonazis.

  6. Nuno Castelo-Branco says:

    Helena, não tenho qualquer dúvida quanto a isso. Mas quem lá reside – RU, França, etc – apercebe-se facilmente da preponderância que esses extremistas têm na comunidade e da autêntica coacção que sobre ela exercem. Fale com alguns desses moderados e eles explicar-lhe-aõn o que está em causa. Como acima disse, é indiferente que adorem Buda, Jesus, Jahvé, Alá, Bastet, a serpente do Bamaputra ou qualquer coisa. O que está em questão, é o primado da lei geral. Quer ver manifestações? O youtube está cheio delas e olhe, não são em Carachi. Ouça os discursos em inglês. Está lá tudo. Não valerá a pena fazermos de conta de que tais coisas são uma minoria. Nos anos 20/30 ocorreu algo de semelhante e o mundo pagou bem caro o desatino. Esta, é uma “história de fascismo” e o pior de todos: religioso.
    No fundo, o que me espanta mais, é o que se está a passar em determinados círculos de “opinião”. Fracassado o totalitarismo a leste, rendem-se a outra superstição, neste caso, uma coisa sem qualquer interesse e simples “fake” de uma coisa “fake”, que por sua vez é “fake” de outra e que deverá ter como luminosa ideia, um certo culto que durante algum tempo vingou lá para as bandas de Amarna. Não estou para isso. Simplesmente, não. Finalizando,será melhor ser a sra. Merkel a dizer isto, do que ter o NPD com 20% na Alemanha, alastrando-se a coisa a tda a Europa. Se verificar os resultados eleitorais, é isso mesmo que está a acontecer.


  7. Nuno, da França e do RU não sei. Da Alemanha, onde resido há vinte anos, sei que não é assim. A maior parte dos muçulmanos aceita o primado da lei geral. Muitos deles nem sequer são praticantes.
    Há um pormenor engraçado: os bairros (ou as regiões) onde as pessoas rejeitam mais e temem mais os muçulmanos são justamente os bairros onde não há muçulmanos. De um modo geral, quanto menor é o contacto quotidiano com estrangeiros, maior a propensão para a xenofobia.
    Concordo consigo quando diz que é melhor ser a Angela Merkel a explicar que há uma obrigação de referências comuns e de integração. Ela sabe como dizê-lo, não é como o Sarrazin, esse provocador barato.

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