Quando um retrato, escrito, visual, sonoro, nos é apresentado como a realidade é preciso termos consciência que estaremos perante algo altamente subjectivo, sujeito a visões parciais, leituras próprias e, porventura, a manipulação. Porque a realidade é algo muito pessoal, fruto de crenças e leituras individuais.
A crónica de Luís Naves no Delito de Opinião, sobre a situação financeira do país, tem sintomas desta realidade subjectiva. Sem explicitar, justifica o governo por ser incapaz de fazer a última milha no corte da despesa, como se cortar na despesa se esgotasse em diminuir salários e pensões. Critica, aliás, a “reposição de salários e pensões”, o que por si só já demonstra subjectividade, pois esta reposição apenas tem lugar em pequena parte. E diaboliza o Tribunal Constitucional, como se fosse este a causa de insucesso de um governo que, estrategicamente, optou por estar na ilegalidade como forma de aumentar a receita.
Enfim, voluntariamente ou não, ecoa o argumentário do governo, sem dedicar uma linha quanto ao que significou o BPN/BPP, submarinos, Swap, BES, só para enumerar alguns casos, nas contas do estado e na desgraça que estamos a viver.
Um retrato de aguarela difusa, feito a trincha número 10, que não deixou espaço para quantas dezenas de milhares de milhões de euros saíram do estado para pagar negócios públicos e privados, ruinosos ao país e de culpa solteira.







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