Acordo ortográfico e consoantes: a brincar às escondidas

Com as criancinhas, há um jogo que só é possível enquanto não atingirem um mínimo de inteligência – tapamos a cara e dizemos “Não está cá!”; a seguir destapamos a cara e dizemos, com um sorriso alarve: “Está, está!” (Mais propriamente “Tá, tá!”). Nunca experimentei fazer esta brincadeira com adolescentes, mas imagino a preocupação que causaria a alunos, encarregados de educação e chefias escolares relativamente à minha sanidade mental ou ao meu evidente consumo de álcool e/ou estupefacientes.

O chamado acordo ortográfico (AO90) faz o mesmo com a sociedade. Somos tratados como crianças ou como adultos com baixíssimo quociente de inteligência. [Read more…]

“Shutter Island”: Quando Scorsese brinca com o medo

Shutter Island” não é a primeira visita de Martin Scorsese ao mundo do medo provocado pela loucura. Basta recordar Travis Bickle, personagem de Robert De Niro em Taxi Driver, ou Bill Cutting, interpretado por Daniel Day-Lewis, em Gangs de Nova Iorque. São personagens a roçar a loucura mas dentro de circunstâncias especiais. São loucos, pois, mas com atenuantes.

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“Shutter Island” tem, no entanto, características especiais. A loucura percorre todo o filme. Jogando num ambiente de grande ambiguidade, e utilizando todas as regras do terror psicológico clássico, Scorsese gere com mestria a história que lhe foi proporcionada por Denis Lehane, escritor norte-americano que tem aqui o seu terceiro livro adaptado ao cinema, depois de “Mystic River” e de “Gone, Baby Gone”.

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