Brutalidade primitiva no país dos brandos costumes

Na senda de outras tradições dignas de homens das cavernas, como a tortura do porco em Braga ou o frequente massacre de touros por cobardes com lantejoulas protegidos por um grupo de forcados, descobri hoje mais um belo exemplo de crueldade gratuita que consiste em prender um gato num pote de barro, colocar o pote no alto de um poste revestido por uma espécie de palha (que extraordinariamente não foi ingerida pela organização) e por fim chegar fogo ao poste, ficando os apreciadores de tortura animal a observar a subida do fogo até que o pote caia e o animal morra ou fique seriamente ferido.

Que existam pessoas que tiram prazer do sofrimento dos animais já todos sabemos. Estes habitantes de Mourão, concelho de Vila Flor, parecem apreciar o espectáculo e pactuar com a selvajaria. Mas faz-me sempre alguma confusão que estes actos de tortura troglodita sejam levados a cabo no âmbito de cerimónias religiosas, dedicadas a um santo de uma religião cujos ensinamentos incluem não maltratar animais. Serão todos hipócritas, estúpidos ou não-praticantes? Talvez sejam só pessoas que gostam de violência. No país dos brandos costumes, enquanto outros animais nos torturam de formas mais sofisticadas, adeptos da brutalidade primitiva descarregam em animais indefesos e escondem-se atrás da desculpa esfarrapada e idiota da tradição. Caso não partilhem com estes indivíduos o gosto pela tortura, podem assinar esta petição.