Tauromaquia e Civilização

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Cartoon@No Limiar das Palavras

A propósito das declarações da nova ministra da Cultura, que muito incomodaram o barão socialista Manuel Alegre, um aficionado dos “eventos” dedicados à tortura animal que dão pelo nome de “tourada”, o poeta afirmou que, por vezes, sente a sua liberdade pessoal ameaçada. Imagino que, caso um qualquer governo decidisse decretar a abolição da sangria tauromáquica, Alegre cuidaria estar perante a ressurreição do nazismo.

Se vamos por este caminho, qualquer dia ainda nos aparece por aí uma seita pagã a exigir o regresso do sacrifício de cordeiros em nome de uma qualquer divindade. Porquê não? Quem somos nós para condicionar a sua liberdade de sacrificar um animal para honrar as suas tradições? Ou então a malta da magia negra, a exigir o sacrifício de galinhas pretas em praça pública. Ou ainda, quem sabe, um qualquer grupo católico extremista a exigir o regresso da Inquisição. Que direito temos nós de impedir um fiel devoto de punir um herege no pelourinho? [Read more…]

Cesar Sayoc e a alvorada do terrorismo liberal-fascista

Fotografia via New York Magazine

Chama-se Cesar Sayoc, tem 56 anos e um extenso registo criminal (esteve preso em 2015), e, avança a imprensa nacional e internacional, é o principal suspeito pelo envio de engenhos explosivos para a casa de várias figuras do Partido Democrata. Sayoc é também membro do Partido Republicano e apoiante entusiástico de Donald Trump, daqueles que se dedicam, com afinco, a destilar ódio e a partilhar propaganda e conspirações do Breitbart nas redes sociais. Um dos muitos mujahedines produzidos na fábrica de androides fascistas do trumpismo.

Cesar Sayoc, a confirmarem-se as suspeitas da justiça norte-americana, conspirou para assassinar várias pessoas, por motivos ideológicos. Uma consequência directa desta nova narrativa de divisão e ódio, alimentada diariamente por um presidente bélico, que destrata os aliados da NATO com a mesma convicção com que declara o seu amor por Kim Jong-un. Com a mesma determinação com que procurou amparar o cliente saudita, após o brutal (e encomendado) homicídio de Jamal Khashoggi. Com a mesma paz de espírito com que desvaloriza a violência racial. [Read more…]

Ignorância, ódio e instrumentalização do medo: Bolsonaro, o Messias da violência

A Vice arriscou-se pelos covis do fascismo que alimentam a ascensão do próximo ditador da América Latina.

O elogio da tortura e a exaltação da violência, o fundamentalismo religioso acéfalo (passo a redundância), a cultura da ignorância e da desinformação e o ódio contra minorias e instituições democráticas atravessam os 25 minutos deste curto, mas esclarecedor documentário. [Read more…]

Uma questão de escolha

Não me interessa saber se pertencem a uma minoria étnica, ou se são altos, loiros e possuem olhos azuis. Tão pouco me interessa se são ateus, agnósticos, cristãos, judeus, muçulmanos ou budistas. Quem teima em viver à margem da lei, atentando contra o direito à propriedade, tem que sofrer duras consequências.
Após uma frustrada tentativa de furto no interior de estabelecimento comercial, a segurança chamou a polícia que identificou os autores do crime, em seguida dezenas de familiares tentaram tirar desforço, agredindo os agentes que tiveram que receber tratamento hospitalar. Tudo isto sem que alguém tenha sido detido, apenas três pessoas foram identificadas e sabemos que isso resulta sempre em nada.
É inadmissível que ocorram este tipo de situações, sem que a polícia possa usar a força. Entre um polícia e um bandido, nem hesito, prefiro que o polícia. Mas todos sabemos que nestes casos se os agentes tivessem cumprido inteiramente o seu dever, no dia seguinte estariam acusados pelos que sempre desculpabilizam criminosos. Quando estes pertencem a uma qualquer minoria ainda aparecem algumas associações com acusações de racismo ou xenofobia.
A continuarem com este tipo de permissividade, não se queixem que um destes dias o populismo encontre terreno fértil para o crescimento eleitoral. Viver dentro ou fora da lei é também uma questão de escolha e escolhas têm consequências. Doa a quem doer, criminoso merece tolerância zero, a bem da sociedade.

Deus nos proteja da violência da extrema-esquerda

 

Lembram-se daquela vez em que a PJ organizou uma megaoperação e deteve dezenas de motociclistas violentos de extrema-esquerda, acusados de associação criminosa, tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física e tráfico de droga?

Claro que não lembram, porque isso nunca aconteceu. Porque, neste país, a verdadeira esquerda só é violenta ou potencialmente perigosa nos folhetins de propaganda da direita dita moderada, que volta e meia gosta de romantizar Mários Machados na Fox News cá do sítio.

Dos grunhos…

40 grunhos não representam o universo das claques, muito menos os milhões de adeptos que apaixonadamente vivem o futebol. 1 grunho também não servirá como amostra representativa num universo de 13 mil profissionais. Mas a sociedade não deve permitir que animais selvagens andem por aí à solta atacando pessoas, há que colocar as bestas numa jaula… Agressões e actos de violência não devem ter atenuantes ou justificações.

As cortinas de fumo e os spin doctors de serviço

A agressão de que terá sido vítima uma cidadã portuguesa na cidade do Porto, agressão essa cujo autor foi, alegadamente, um elemento do corpo para-militar privado contratado pelos STCP para efectuar serviço de segurança, suscitou, como não podia deixar de ser, uma reacção imediata dos spin doctors do costume. A função desses spin doctors foi a de reduzir instantaneamente o acontecimento a um fenómeno racista, ocultando, distorcendo e falseando factos essenciais, sendo que o primeiro desses factos é que a responsabilidade pelos acontecimentos cabe, em primeira instância, ao Conselho de Administração dos STCP, que já deveria ter sido exonerado e accionado criminalmente pelo sucedido, procedimento após o qual caberia analisar a responsabilidade solidária da tutela, designadamente dos seis municípios da Área Metropolitana do Porto responsáveis pela gestão da empresa.

Não podendo negar-se, à partida, a possibilidade de estarmos, na verdade, perante um crime com motivações racistas, hipótese que deve ser plenamente investigada, essa seria sempre uma qualidade acessória de um acto muito mais grave do ponto de vista penal, o de ofensa à integridade física qualificada, com a agravante de ter sido perpetrado por um agente ao serviço de uma empresa pública, crime cuja sanção pode chegar aos 12 anos de prisão.

Querer transformar este episódio, de gratuita e bárbara violência, em mais um argumento em favor daqueles que lutam diariamente pela destruição da memória e do legado universalista português e o significado profundo da sua História, comparando-a à de qualquer Reich sanguinário e racista, é uma ignóbil traição, essa, sim, com laivos discriminatórios e até racistas, aos nossos valores civilizacionais autênticos e uma inaceitável falta de respeito pela dignidade histórica dos portugueses e de todos os povos em comunhão com os quais esses mesmos portugueses evoluíram no mundo.

 

Decidam-se:

A pessoa no chão é Nicol Quinayas, 21 anos, nascida na Colômbia, desde os cinco anos em Portugal.
Diário de Notícias, 27 de Junho de 2018

Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida em Portugal, mas de ascendência colombiana
Diário de Notícias, 29 de Junho de 2018

O admirável mundo novo

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[António Alves]

As empresas de transporte público, para não formarem nem pagarem a fiscais próprios, extinguiram esta categoria de funcionários e externalizaram (é assim que se diz na novilíngua neoliberal) o serviço.
Por norma, este é desempenhado por “seguranças” privados, muitos deles meros armários fardados cuja inteligência é inversamente proporcional à massa muscular. Metros, autocarros e estações de comboio já foram tomados de assalto por estas forças que exercem a autoridade sem a necessária legitimação social.
Uma força de repressão privada ao serviço do ultra capitalismo.
O interior dos comboios é o território que se segue.
Bem vindos ao admirável mundo novo.
Preparai-vos para levar na tromba à primeira manifestação de não conformidade.

O PSD e o CDS-PP já cortaram relações com esta gente?

Na Hungria, laboratório de testes do neofascismo contemporâneo, o governo de Viktor Orbán escolheu o Dia Mundial do Refugiado para anunciar novas medidas anti-imigração, entre elas a criminalização de ONG’s humanitárias que ajudem refugiados sem documentos, cujos representantes podem mesmo ser presos e as organizações as organizações banidas e vistas como uma ameaça à segurança nacional da Hungria. Sim, isto está a acontecer na Europa, o último bastião da democracia mundial. E não, as autoridades europeias ainda não mexeram uma palha para alterar este novo “normal”. [Read more…]

Prender crianças por crime nenhum

Entretanto, na Land of the Free, crianças são separadas dos seus pais, na fronteira texana dos EUA, e enviadas para centros de detenção, onde são confinados a uma jaula, dormem com cobertores feitos de papel de alumínio e são autorizados a passar apenas duas horas por dia ao ar livre, o que é sempre algo de que uma (alegada) democracia ocidental se pode orgulhar. Isso e prender crianças por crime nenhum. [Read more…]

Será que tens mesmo os tomates no sítio, Argentina?

A selecção argentina cancelou o jogo amigável com a sua congénere israelita, devido a alegadas pressões da parte de movimentos organizados que contestam a ocupação violenta da Palestina por forças israelitas. Parece-me uma excelente iniciativa, na medida em que sou da opinião que todos os regimes opressores deste planeta devem ser punidos, sancionados e isolados. Posto isto, aguarda-se, a qualquer momento, o anúncio oficial do boicote da selecção das Pampas ao Campeonato do Mundo, que este ano se realiza na Federação Russa. A ver vamos, de que material são feitos estes argentinos.

O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]

Violência contra civis indefesos, aprovada por Paris, Londres e Washington

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Gasear civis inocentes é terrível. Oprimir um povo, seja de que maneira for, é inqualificável, inaceitável, horrível e deve ser combatido. Deve ser combatido de forma eficaz, sem meios termos. Deve gerar ruptura. Podem existir contactos diplomáticos, em nome do bem comum, mas se apontamos o dedo a uma ditadura, se a acusamos e condenamos com provas factuais, se nos juntamos aos nossos pares para a atacar, não raras vezes de forma ilegítima e sempre por procuração, então não podemos fazer negócios com tais facínoras. Não podemos ter os seus mealheiros nos nossos bancos, as suas empresas a patrocinar as nossas competições e clubes de futebol, as suas bandeiras hasteadas no centro das nossas praças financeiras. Ou podemos, e nesse caso temos que nos deixar de merdas. Or grow a pair. [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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Gente perigosa

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O Expresso destaca na edição online um relatório de segurança que alerta para os grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda em Portugal. Um tipo lê um título destes e fica a pensar que existem em Portugal organizações de extrema-esquerda que espancam emigrantes até à morte ou que bloqueiam ruas para levar a cabo batalhas campais urbanas.

Porém, ao ler a notícia, a desilusão abate-se sobre este tipo. Afinal, aquilo que é referido no tal relatório, segundo o Expresso, é que alguns militantes portugueses não-identificados de grupos de extrema-esquerda não-identificados participaram em protestos violentos contra o G-20, na Alemanha. Isso, e, valha-nos Deus, ocuparam uns edifícios devolutos no Porto e em Lisboa. Isto sim, é gente perigosa.

A violência de extrema-esquerda é, felizmente, um fenómeno que não tem expressão em Portugal. Não que a violência da extrema-direita seja um grande flagelo, até porque não tem a dimensão que tem noutros países europeus, mas existe. Vimo-la no Prior Velho há uns dias atrás. Conhecemos os nomes de várias organizações. Sabemos quem são os seus líderes. Não façam de nós parvos.

Aconteceu em Loures

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via Expresso

Deparo-me com alguma frequência com artigos de opinião, publicados em jornais ditos de referência deste país, que me alertam para o perigo da extrema-esquerda portuguesa, essa herdeira do mais violento estalinismo, que planeia secretamente uma golpada com vista à instauração de um regime totalitário.

Esta corrente de opinião, que se alimenta do clima de medo para o qual contribui activamente, vive da exploração incansável das emoções e dos sentimentos mais básicos e primários do ser humano. Não obstante, em certos e determinados projectos políticos disfarçados de comunicação social, assistimos à desvalorização da violência da extrema-direita nacional, que já chegou inclusivamente a ser romantizada por um desses projectos encapotados. [Read more…]

A esperança saiu à rua nos EUA

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Shawn Thew/EPA@Expresso

Sem medo, contra a poderosa NRA e contra o fanatismo bélico da América violenta, a esperança saiu à rua em várias cidades norte-americanas. As imagens (a galeria disponível no Expresso é extensa) falam por si.

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Um Estado falhado chamado Brasil

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O Brasil está cada vez mais violento. Depois do brutal assassinato de Marielle Franco, ontem foi a vez do vereador suplente Paulo Teixeira, também do Rio de Janeiro, ser baleado por gangsters que levam a cabo execuções com uma impunidade que choca e revolta. Gangsters que podem ser simples criminosos ou polícias criminosos ao serviço de padrinhos da máfia, de grandes traficantes de droga ou da elite fascista que controla o dinheiro e as Globos desta vida. [Read more…]

Marielle

​“Sou uma mulher negra, mas antes disso tenho falado muito que antes de reivindicar e compreender o que era ser uma mulher negra no mundo, eu já era favelada. Nascida e criada na Maré (…)” – palavras de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, mulher progressista,socialista, feminista, lutadora, livre. Assassinada – executada? – após ter criticado com dureza a intervenção violenta das forças militares nas favelas. Pode haver quem julgue esta associação de factos forçada, mas o modo de ataque, a natureza do crime, traz-nos irresistivelmente à memória o Brasil dos esquadrões da morte dos tempos chumbo. Que, optimistas, julgávamos superados. Tristeza não tem fim.

United Stupids of America

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É curioso que a administração norte-americana se empenhe tanto em manter potenciais terroristas afastados do país, usando o pretexto para criar legislação xenófoba, quando luta activamente por manter a vida facilitada aos terroristas que, nascidos e criados em solo americano, decidem metralhar uma escola ou um concerto com uma arma semiautomática. Não, não é nada curioso. É só estúpido. E talvez, mas só mesmo talvez, tenha algo que ver com os vários massacres que acontecem, todos os anos, na land of the free. [Read more…]

Donald Trump

full of shit.

Graças a Deus, são caucasianos

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Louise e David Turpin formam um sádico casal de monstruosas aberrações, que submeteu os seus 13 filhos a uma existência de terror e tortura. Privados de liberdade e sujeitos a uma alimentação miserável, tendo apenas direito a uma refeição por dia, só podiam tomar banho uma vez por ano e eram constantemente punidos com castigos de semanas ou meses que incluíam serem acorrentados ou amarrados à cama sem poder usar uma casa de banho. Em tribunal, Louise sorriu. [Read more…]

Israel, uma espécie de Irão, versão capitalista, que encarcera menores que ousam beliscar o regime

Fotografia@Expresso

O violento regime de Telavive mantem reclusa uma adolescente palestiniana de 16 anos, Ahed Tamimi, filmada a dar uma chapada num soldado israelita. Ahed faz parte de um universo de 300 menores encarcerados pela democracia de fachada que impera em Israel.

Na passada Segunda-feira, Ahed Tamimi tinha audiência marcada no tribunal militar criado pelo regime israelita para lidar com palestinianos insubmissos que se recusam a ficar de braços cruzados perante as sucessivas ocupações territoriais levadas a cabo por Israel. Como se julgar uma adolescente num tribunal militar por uma chapada, possivelmente bem aplicada, a um soldado do regime opressor não fosse, por si só, suficientemente estúpido, a audiência foi adiada, o que significa que Ahed ficará detida por mais uma semana.

Assim vai a ditadura favorita dos democratas ocidentais.

Porque é que o delinquente que agrediu um agente da PSP em Lisboa não está preso?

Não percebo. Segundo o Expresso, o delinquente em questão tem quase 20 processos por agressão, cinco deles contra agentes da autoridade. O vídeo que circula desde ontem nas redes sociais mostra o marginal em acção, a agredir violentamente um agente da PSP, agente esse que foi hospitalizado com escoriações nos braços e uma orelha rasgada, e o máximo que um juiz de instrução consegue é aplicar a medida de coacção mais leve, permitindo que este indivíduo circule livremente pelas ruas de Lisboa, com um simples Termo de Identidade e Residência. [Read more…]

PSP detém mais dois seguranças do K Urban Beach

E vão três. Que a justiça seja tão dura e implacável como estes marginais o foram com aqueles jovens.

A praça pública está a ser branda demais com os seguranças da K Urban Beach

O Ministério da Administração Interna ordenou, esta madrugada, o fecho da discoteca K Urban Beach. A sociedade estava indignada, era preciso mostrar serviço e o ministério mas desgastado de Costa lá se chegou à frente e mandou encerrar o estabelecimento. Não me parece uma má decisão, até porque há ali muito que esclarecer e convém garantir que os potenciais clientes daquele espaço não são submetidos à fúria desmiolada dos segurilas.

O proprietário da discoteca, Paulo Dâmaso, afirma tratar-se de “uma decisão unilateral depois de um julgamento em praça pública“, o que assim de repente me remete para a justiça grunha dos seus seguranças, que unilateralmente decidiram espancar dois jovens em praça pública. Porém, a decisão não terá sido tomada com o mesmo ânimo leve com que se extorquem e agridem pessoas à porta e no interior da K Urban Beach: as 38 queixas efectuadas à PSP durante o ano de 2017 terão pesado na decisão[Read more…]

Dois dias depois das agressões

o MAI ordenou o encerramento da K Urban Beach.

É tempo de dizer basta à impunidade e à selvajaria dos “segurilas”

Num universo cinematográfico, um dos agredidos na madrugada de 1 de Novembro, na discoteca K Urban Beach, regressa ao local, ferido, e com algum sofrimento adicional, aplica uma coça monumental nos malvados e cobardes seguranças, com cambalhotas e pontapés rotativos à mistura. No mundo real, porém, a cena repete-se, over and over again, e os criminosos saem quase sempre incólumes, imunes que são à lei e à justiça.

O que diferencia este caso de centenas de outros casos, que eu e a maioria dos leitores já presenciamos, em mais do que uma ocasião, é que, desta vez, alguém conseguiu filmar as cenas de uma brutalidade atroz e sem justificação possível, sem que nenhum dos delinquentes se apercebesse. Caso contrário, o corajoso ou corajosa que filmou o triste episódio teria certamente experimentado da mesma violência gratuita que esta espécie de marginais serve, em doses cavalares, todos os fins de semana, numa discoteca perto de si. [Read more…]

Comentar não chega. Se puder, vá mesmo.

Hoje, sexta-feira, às 18h, na Praça Amor de Perdição no Porto (Cordoaria, em frente à antiga Cadeia da Relação Porto) e à mesma hora na Praça da Figueira, em Lisboa, tem oportunidade de protestar de forma mais consequente contra a inconstitucionalidade do acórdão que justifica a violência com obsoletas evocações: “o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou (são as mulher honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras), e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”.  Neste caso, a exigência é simples: processo disciplinar e demissão. Juízes ou juízas a legitimar a violência por adultério, seja ela perpetrada por homem ou por mulher, seja ela praticada contra homem ou contra mulher, não. A lei da mocada terá sido legal desde a idade da pedra, até, digamos, à Constituição de 1976. E que se saiba, mesmo formas brandíssimas de Xaria não estão em vigor em Portugal.

Esta vergonha foi também já largamente noticiada além-fronteiras.

Porque comentar não chega, se puder, vá mesmo.

Rejubilai! As touradas estão a morrer

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Desde o final da década passada, o número de touradas realizadas em Portugal tem vindo a diminuir de ano para ano. Em igual trajectória, estes espectáculos de violência e morte perderam milhares de espectadores em poucos anos: em 2008, segundo números do IGAC, as touradas levaram aproximadamente 700 mil portugueses às arenas. Em 2016, o número foi reduzido para perto de metade. Um declínio que se saúda.

Perante esta realidade, é expectável que as touradas acabem mesmo por morrer, ainda que de morte lenta e demorada, o que infelizmente ainda custará a vida a centenas de animais indefesos que continuarão a ser alvo da brutalidade de uma tradição sem nexo. Não obstante, o crescente desinteresse dos portugueses pelo entretenimento da tortura é um sinal positivo e animador. Estamos no bom caminho e só se lamenta que o enfermo continue a ser medicado. Desliguemos-lhe as máquinas. Ou eles que se toureiem uns aos outros.

Cartoon@No Limiar das Palavras