O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]

Violência contra civis indefesos, aprovada por Paris, Londres e Washington

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Gasear civis inocentes é terrível. Oprimir um povo, seja de que maneira for, é inqualificável, inaceitável, horrível e deve ser combatido. Deve ser combatido de forma eficaz, sem meios termos. Deve gerar ruptura. Podem existir contactos diplomáticos, em nome do bem comum, mas se apontamos o dedo a uma ditadura, se a acusamos e condenamos com provas factuais, se nos juntamos aos nossos pares para a atacar, não raras vezes de forma ilegítima e sempre por procuração, então não podemos fazer negócios com tais facínoras. Não podemos ter os seus mealheiros nos nossos bancos, as suas empresas a patrocinar as nossas competições e clubes de futebol, as suas bandeiras hasteadas no centro das nossas praças financeiras. Ou podemos, e nesse caso temos que nos deixar de merdas. Or grow a pair. [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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Gente perigosa

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O Expresso destaca na edição online um relatório de segurança que alerta para os grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda em Portugal. Um tipo lê um título destes e fica a pensar que existem em Portugal organizações de extrema-esquerda que espancam emigrantes até à morte ou que bloqueiam ruas para levar a cabo batalhas campais urbanas.

Porém, ao ler a notícia, a desilusão abate-se sobre este tipo. Afinal, aquilo que é referido no tal relatório, segundo o Expresso, é que alguns militantes portugueses não-identificados de grupos de extrema-esquerda não-identificados participaram em protestos violentos contra o G-20, na Alemanha. Isso, e, valha-nos Deus, ocuparam uns edifícios devolutos no Porto e em Lisboa. Isto sim, é gente perigosa.

A violência de extrema-esquerda é, felizmente, um fenómeno que não tem expressão em Portugal. Não que a violência da extrema-direita seja um grande flagelo, até porque não tem a dimensão que tem noutros países europeus, mas existe. Vimo-la no Prior Velho há uns dias atrás. Conhecemos os nomes de várias organizações. Sabemos quem são os seus líderes. Não façam de nós parvos.

Aconteceu em Loures

E

via Expresso

Deparo-me com alguma frequência com artigos de opinião, publicados em jornais ditos de referência deste país, que me alertam para o perigo da extrema-esquerda portuguesa, essa herdeira do mais violento estalinismo, que planeia secretamente uma golpada com vista à instauração de um regime totalitário.

Esta corrente de opinião, que se alimenta do clima de medo para o qual contribui activamente, vive da exploração incansável das emoções e dos sentimentos mais básicos e primários do ser humano. Não obstante, em certos e determinados projectos políticos disfarçados de comunicação social, assistimos à desvalorização da violência da extrema-direita nacional, que já chegou inclusivamente a ser romantizada por um desses projectos encapotados. [Read more…]

A esperança saiu à rua nos EUA

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Shawn Thew/EPA@Expresso

Sem medo, contra a poderosa NRA e contra o fanatismo bélico da América violenta, a esperança saiu à rua em várias cidades norte-americanas. As imagens (a galeria disponível no Expresso é extensa) falam por si.

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Um Estado falhado chamado Brasil

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O Brasil está cada vez mais violento. Depois do brutal assassinato de Marielle Franco, ontem foi a vez do vereador suplente Paulo Teixeira, também do Rio de Janeiro, ser baleado por gangsters que levam a cabo execuções com uma impunidade que choca e revolta. Gangsters que podem ser simples criminosos ou polícias criminosos ao serviço de padrinhos da máfia, de grandes traficantes de droga ou da elite fascista que controla o dinheiro e as Globos desta vida. [Read more…]

Marielle

​“Sou uma mulher negra, mas antes disso tenho falado muito que antes de reivindicar e compreender o que era ser uma mulher negra no mundo, eu já era favelada. Nascida e criada na Maré (…)” – palavras de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, mulher progressista,socialista, feminista, lutadora, livre. Assassinada – executada? – após ter criticado com dureza a intervenção violenta das forças militares nas favelas. Pode haver quem julgue esta associação de factos forçada, mas o modo de ataque, a natureza do crime, traz-nos irresistivelmente à memória o Brasil dos esquadrões da morte dos tempos chumbo. Que, optimistas, julgávamos superados. Tristeza não tem fim.

United Stupids of America

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É curioso que a administração norte-americana se empenhe tanto em manter potenciais terroristas afastados do país, usando o pretexto para criar legislação xenófoba, quando luta activamente por manter a vida facilitada aos terroristas que, nascidos e criados em solo americano, decidem metralhar uma escola ou um concerto com uma arma semiautomática. Não, não é nada curioso. É só estúpido. E talvez, mas só mesmo talvez, tenha algo que ver com os vários massacres que acontecem, todos os anos, na land of the free. [Read more…]

Donald Trump

full of shit.

Graças a Deus, são caucasianos

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Louise e David Turpin formam um sádico casal de monstruosas aberrações, que submeteu os seus 13 filhos a uma existência de terror e tortura. Privados de liberdade e sujeitos a uma alimentação miserável, tendo apenas direito a uma refeição por dia, só podiam tomar banho uma vez por ano e eram constantemente punidos com castigos de semanas ou meses que incluíam serem acorrentados ou amarrados à cama sem poder usar uma casa de banho. Em tribunal, Louise sorriu. [Read more…]

Israel, uma espécie de Irão, versão capitalista, que encarcera menores que ousam beliscar o regime

Fotografia@Expresso

O violento regime de Telavive mantem reclusa uma adolescente palestiniana de 16 anos, Ahed Tamimi, filmada a dar uma chapada num soldado israelita. Ahed faz parte de um universo de 300 menores encarcerados pela democracia de fachada que impera em Israel.

Na passada Segunda-feira, Ahed Tamimi tinha audiência marcada no tribunal militar criado pelo regime israelita para lidar com palestinianos insubmissos que se recusam a ficar de braços cruzados perante as sucessivas ocupações territoriais levadas a cabo por Israel. Como se julgar uma adolescente num tribunal militar por uma chapada, possivelmente bem aplicada, a um soldado do regime opressor não fosse, por si só, suficientemente estúpido, a audiência foi adiada, o que significa que Ahed ficará detida por mais uma semana.

Assim vai a ditadura favorita dos democratas ocidentais.

Porque é que o delinquente que agrediu um agente da PSP em Lisboa não está preso?

Não percebo. Segundo o Expresso, o delinquente em questão tem quase 20 processos por agressão, cinco deles contra agentes da autoridade. O vídeo que circula desde ontem nas redes sociais mostra o marginal em acção, a agredir violentamente um agente da PSP, agente esse que foi hospitalizado com escoriações nos braços e uma orelha rasgada, e o máximo que um juiz de instrução consegue é aplicar a medida de coacção mais leve, permitindo que este indivíduo circule livremente pelas ruas de Lisboa, com um simples Termo de Identidade e Residência. [Read more…]

PSP detém mais dois seguranças do K Urban Beach

E vão três. Que a justiça seja tão dura e implacável como estes marginais o foram com aqueles jovens.

A praça pública está a ser branda demais com os seguranças da K Urban Beach

O Ministério da Administração Interna ordenou, esta madrugada, o fecho da discoteca K Urban Beach. A sociedade estava indignada, era preciso mostrar serviço e o ministério mas desgastado de Costa lá se chegou à frente e mandou encerrar o estabelecimento. Não me parece uma má decisão, até porque há ali muito que esclarecer e convém garantir que os potenciais clientes daquele espaço não são submetidos à fúria desmiolada dos segurilas.

O proprietário da discoteca, Paulo Dâmaso, afirma tratar-se de “uma decisão unilateral depois de um julgamento em praça pública“, o que assim de repente me remete para a justiça grunha dos seus seguranças, que unilateralmente decidiram espancar dois jovens em praça pública. Porém, a decisão não terá sido tomada com o mesmo ânimo leve com que se extorquem e agridem pessoas à porta e no interior da K Urban Beach: as 38 queixas efectuadas à PSP durante o ano de 2017 terão pesado na decisão[Read more…]

Dois dias depois das agressões

o MAI ordenou o encerramento da K Urban Beach.

É tempo de dizer basta à impunidade e à selvajaria dos “segurilas”

Num universo cinematográfico, um dos agredidos na madrugada de 1 de Novembro, na discoteca K Urban Beach, regressa ao local, ferido, e com algum sofrimento adicional, aplica uma coça monumental nos malvados e cobardes seguranças, com cambalhotas e pontapés rotativos à mistura. No mundo real, porém, a cena repete-se, over and over again, e os criminosos saem quase sempre incólumes, imunes que são à lei e à justiça.

O que diferencia este caso de centenas de outros casos, que eu e a maioria dos leitores já presenciamos, em mais do que uma ocasião, é que, desta vez, alguém conseguiu filmar as cenas de uma brutalidade atroz e sem justificação possível, sem que nenhum dos delinquentes se apercebesse. Caso contrário, o corajoso ou corajosa que filmou o triste episódio teria certamente experimentado da mesma violência gratuita que esta espécie de marginais serve, em doses cavalares, todos os fins de semana, numa discoteca perto de si. [Read more…]

Comentar não chega. Se puder, vá mesmo.

Hoje, sexta-feira, às 18h, na Praça Amor de Perdição no Porto (Cordoaria, em frente à antiga Cadeia da Relação Porto) e à mesma hora na Praça da Figueira, em Lisboa, tem oportunidade de protestar de forma mais consequente contra a inconstitucionalidade do acórdão que justifica a violência com obsoletas evocações: “o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou (são as mulher honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras), e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”.  Neste caso, a exigência é simples: processo disciplinar e demissão. Juízes ou juízas a legitimar a violência por adultério, seja ela perpetrada por homem ou por mulher, seja ela praticada contra homem ou contra mulher, não. A lei da mocada terá sido legal desde a idade da pedra, até, digamos, à Constituição de 1976. E que se saiba, mesmo formas brandíssimas de Xaria não estão em vigor em Portugal.

Esta vergonha foi também já largamente noticiada além-fronteiras.

Porque comentar não chega, se puder, vá mesmo.

Rejubilai! As touradas estão a morrer

tourada

Desde o final da década passada, o número de touradas realizadas em Portugal tem vindo a diminuir de ano para ano. Em igual trajectória, estes espectáculos de violência e morte perderam milhares de espectadores em poucos anos: em 2008, segundo números do IGAC, as touradas levaram aproximadamente 700 mil portugueses às arenas. Em 2016, o número foi reduzido para perto de metade. Um declínio que se saúda.

Perante esta realidade, é expectável que as touradas acabem mesmo por morrer, ainda que de morte lenta e demorada, o que infelizmente ainda custará a vida a centenas de animais indefesos que continuarão a ser alvo da brutalidade de uma tradição sem nexo. Não obstante, o crescente desinteresse dos portugueses pelo entretenimento da tortura é um sinal positivo e animador. Estamos no bom caminho e só se lamenta que o enfermo continue a ser medicado. Desliguemos-lhe as máquinas. Ou eles que se toureiem uns aos outros.

Cartoon@No Limiar das Palavras

Tortura nos Comandos?

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Uma investigação do programa Sexta às 9, da RTP, que cita testemunhas e familiares de Hugo Abreu, um dos militares recentemente falecido durante o curso dos Comandos, refere que o jovem terá sido forçado a comer terra quando se encontrava já em convulsões.

Honestamente, não quero acreditar que isto possa ser verdade. Não quero mesmo. Porque se for, é preciso encarcerar, imediatamente, o troglodita responsável. Uma brutalidade destas não é treino, não prepara ninguém para melhor defender a pátria nem honra o exército ou a nação. É apenas cruel e perverso. É tortura. Estamos em Portugal, não em Abu Ghraib. E estamos a treinar Homens, não carrascos.

Foto@DN

Violência isenta de sanções

Devecser, 2012. augusztus 5. Demonstrálók vonulnak fel az Élni és élni hagyni - demonstráció a jogos magyar önvédelemért elnevezésû megmozduláson Devecserben 2012. augusztus 5-én. A Jobbik és több radikális szervezet részvételével megtartott demonstráció a katolikus templom elõtti téren kezdõdött, majd a résztvevõk felvonultak azokban az utcákban, ahol véleményük szerint cigányok laknak. A rendõrség kordonnal biztosította a felvonulók útvonalát. MTI Fotó: Nagy Lajos

É comum ouvir os apoiantes locais da extrema-direita fazer comparações com a extrema-esquerda. Como se partidos como o Bloco de Esquerda, o Syriza ou o Podemos promovessem a violência, a discriminação racial ou a xenofobia. Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda. Tal como os Estados Unidos, que como ninguém promoveu golpes de Estado, armou e apoiou terroristas e invadiu estados soberanos, deixando-os, regra geral, bem pior do que estavam antes. Conspiração? Irão, Iraque e os Talibans que o digam.  [Read more…]

A propósito da data

De uma conhecida recebi hoje isto, por ocasião do dia da mulher:

mulher

É bonito. Mas no momento seguinte faz lembrar a verdadeira selvajaria, a bruta.

No contexto da violência doméstica, de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2015, registaram-se 29 homicídios de mulheres. E nos últimos 12 anos houve uma média anual de 36 mulheres mortas, recordou a procuradora-geral distrital do Porto, Raquel Desterro.

E:   Em Portugal, 24% das mulheres já sofreram de violência física ou sexual por um parceiro ou não parceiro.

É preciso mais do que resistir mantendo a ternura, é preciso reagir. Abdicando, se necessário, de ser flor.

A degenerescência da República

É perigosíssimo o circuito fechado da partidocracia, que tende a criar uma espécie de Estado paralelo não sujeito à vigilância ou julgamento democráticos. Os construtores deste Estado totalitário e paralelo, em tudo idêntico a uma grande associação secreta, perdem totalmente a noção do que é o país, sequer que ele existe, e vivem uma narrativa fechada sobre si própria, cuja lógica funcional é a da conquista, partilha ou manutenção do poder.

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Os braços armados dos clubes

Já não há paciência. O que escrevi no último post era uma espécie de alerta para o que aí vinha e, por acaso, os factos vieram a mostrar a razão da minha argumentação.

Um árbitro errou – o que apitou o jogo do meu clube. Facilmente se percebe pelos comentários ao post que mais ninguém errou e que a queda do Maxi no Dragão, por ter sido fora da pequena área até deveria dar direito a duas grandes penalidades porque, segundo alguns, houve uma falta antes que não foi marcada.

Até aqui, temos uma discordância visual. Nada de estranho – nos últimos quarenta anos criaram hábitos que não se mudam com dois títulos perdidos. Pode ser que o terceiro e outros que se seguirão, ajudem a ter alguma lucidez.

Mas, depois da mediática e bem orientada participação dos paineleiros das TB’s, eis que o Braço Armado entra em campo. E, como alguém dizia hoje na rádio, estão ultrapassados todos os limites.

Esperei algum tempo para ver como reagia a blogosfera azul. Silêncio! Nada. Nem um só comentário.

Confesso que estava à espera de um comentário da Direcção do Clube, mas  acabamos por ter um simples “não sei do que está a falar”, de um Dirigente. Poderia ter sido a mulher a comentar…

Como poderiam ter comentado quando foi a vez do treinador holandês, ou do Adriano ou até do Paulo Assunção…

O mais espantoso é que vejo muita gente a aplaudir este tipo de comportamentos. [Read more…]

Domspatze: escola coral ou casa dos horrores?

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Nos últimos anos, inúmeros escândalos envolvendo vários tipos de abusos a crianças, ocorridos no seio da Igreja Católica, foram tornados públicos. O caso da escola coral de Domspatze, na Alemanha, será, sem grande margem para dúvidas, um dos mais graves. Os números agora apresentados pelo advogado da escola, contratado para investigar o caso, apontam para 231 crianças abusadas entre 1945 e 1990, sujeitas a práticas tão macabras como violações, espancamentos e privação de alimentos. Segundo o maestro Franz Wittenbrink, ex-aluno da escola, imperava em Domspatze um “sistema de punições sádicas ligadas ao prazer sexual“. Porém, os vários sacerdotes identificados como agressores não deverão ser alvo de qualquer punição, uma vez que os crimes já terão prescrito. Tudo na paz do Senhor. Amém.

Verdades que podem incomodar os mais fanáticos

Esmagar o Daesh é uma prioridade absoluta. Mas se as armas forem a resposta, e até pode ser que sejam, o discurso vingativo apenas nos pode pôr de pé atrás. Da última vez que nos venderam esse remédio para a dor contribuímos para o caos de onde se ergueu este monstro. Uma das respostas da Europa aos assassinos deve ser reafirmar o valor da solidariedade, recebendo as primeiras vítimas da sua loucura ainda com mais determinação. Os que tentam, na Europa, virar a consternação com a carnificina contra os refugiados que nos procuram são, queiram ou não, cúmplices políticos da matança, ajudando o Daesh a impor a sua agenda de ódio.

Daniel Oliveira “Não tememos, não cedemos, não odiamos” @Expresso

Homem agredido por PàF’s em Espinho

Pouco antes do início da arruada de ontem do PàF em Espinho, um homem que por ali estava terá alegadamente gritado “corruptos” – e convenhamos que a probabilidade de ali estarem alguns era elevada – e, segundo o repórter da CMTV no local, atirado algumas bandeiras da coligação para o chão. O que se seguiu, e que de resto surgiu nos telejornais, foram apoiantes/militantes do PSD ou do CDS-PP que agrediram de forma, vá lá, “enérgica”, o indivíduo em questão. Num dos momentos da cena, existe um PàF que segura o homem e outros dois que lhe batem em simultâneo. No final, e após a evacuação do agredido, surge uma PàF de bandeira na mão que, num momento pedagogia parola, lhe diz “você veio para aqui provocar“. E como veio provocar é merecedor de uma série de socos, pontapés e joelhadas sem que se tenha visto uma única agressão do anónimo revoltado. Cuidado: quem se mete com o PàF leva! Já dizia o Zeca Mendonça. [Read more…]

Tu és o bófia que apreendeste o carro

Três agentes da GNR linchados por 30 pessoas num bar da Torreira. Brandos costumes?

Je suis Gleydson Carvalho

Gleydson Carvalho

Gleydson Carvalho, jornalista brasileiro da Rádio Liberdade FM, conhecido por denunciar políticos locais envolvidos em casos de corrupção, foi ontem à noite assassinado no estúdio onde trabalhava.

Muito mais do que ser Charlie, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que sou Gleydson. Aqui não existem fanáticos ignorantes movidos por uma violência que nem eles compreendem. Tratam-se de castas políticas criminosas que, quais máfias modernas, mandaram abater uma voz incómoda que não satirizou crenças ou questionou dogmas, denunciou apenas a gestão danosa de algo que também era dele. Será que os hipócritas voltam a sair à rua?

A corrupção instalada nas cúpulas partidárias e governamentais de uma considerável fatia do globo atinge hoje níveis que, noutros tempos, poderia ter levado a levantamentos populares furiosos. Na era das redes sociais e da partilha de informação à velocidade da luz, essa escumalha parasitária vê o cerco apertar-se e, à falta de alternativas, aposta no medo e na violência. Será que, tal como a versão martelada da língua portuguesa, também chegará o dia em que importaremos este tipo de práticas? Corrupção política generalizada e impune já temos. Escumalha parasitária política também.

Brutalidade primitiva no país dos brandos costumes

Na senda de outras tradições dignas de homens das cavernas, como a tortura do porco em Braga ou o frequente massacre de touros por cobardes com lantejoulas protegidos por um grupo de forcados, descobri hoje mais um belo exemplo de crueldade gratuita que consiste em prender um gato num pote de barro, colocar o pote no alto de um poste revestido por uma espécie de palha (que extraordinariamente não foi ingerida pela organização) e por fim chegar fogo ao poste, ficando os apreciadores de tortura animal a observar a subida do fogo até que o pote caia e o animal morra ou fique seriamente ferido.

Que existam pessoas que tiram prazer do sofrimento dos animais já todos sabemos. Estes habitantes de Mourão, concelho de Vila Flor, parecem apreciar o espectáculo e pactuar com a selvajaria. Mas faz-me sempre alguma confusão que estes actos de tortura troglodita sejam levados a cabo no âmbito de cerimónias religiosas, dedicadas a um santo de uma religião cujos ensinamentos incluem não maltratar animais. Serão todos hipócritas, estúpidos ou não-praticantes? Talvez sejam só pessoas que gostam de violência. No país dos brandos costumes, enquanto outros animais nos torturam de formas mais sofisticadas, adeptos da brutalidade primitiva descarregam em animais indefesos e escondem-se atrás da desculpa esfarrapada e idiota da tradição. Caso não partilhem com estes indivíduos o gosto pela tortura, podem assinar esta petição.