A Praxe integra

Ou havia dúvidas?
Desfile do Enterro da Gata em Braga, 17 de Maio de 2017.
© FB Alex Liberall

A direita, o progresso e a tradição

Se perguntarmos a alguém da Direita portuguesa acerca da Uber, a opinião é unânime e passa por clichés como: “É o futuro, não se pode travar a evolução, um Governo não pode regular o progresso.” Se perguntarmos exactamente às mesmas pessoas acerca dos novos modelos de família, invertem o discurso e disparam clichés como: “Não se pode mudar a tradição, é arriscado fazer experimentalismos, o Governo tem de regular.”
Irónico, não é?

Via Uma Página Numa Rede Social.

A Lei Cigana

Mulher cigana vive em carrinha

Em Portugal há a lei portuguesa e a “lei cigana“.  A segunda sobrepõe-se à primeira: há que respeitar as minorias.

Ora, deu agora ao miúdo para ir brincar com aqueles gandulos que moram nas barracas da extrema esquerda da rua.

«Quando a direita mais moderna, mas sempre respeitadora da família, fala em falta de responsabilidade, é a esta desgraça que se está a referir. O patriarca Cavaco teve de dar um berro, claro.»

[um caramelo no Vida Breve]

Brutalidade primitiva no país dos brandos costumes

Na senda de outras tradições dignas de homens das cavernas, como a tortura do porco em Braga ou o frequente massacre de touros por cobardes com lantejoulas protegidos por um grupo de forcados, descobri hoje mais um belo exemplo de crueldade gratuita que consiste em prender um gato num pote de barro, colocar o pote no alto de um poste revestido por uma espécie de palha (que extraordinariamente não foi ingerida pela organização) e por fim chegar fogo ao poste, ficando os apreciadores de tortura animal a observar a subida do fogo até que o pote caia e o animal morra ou fique seriamente ferido.

Que existam pessoas que tiram prazer do sofrimento dos animais já todos sabemos. Estes habitantes de Mourão, concelho de Vila Flor, parecem apreciar o espectáculo e pactuar com a selvajaria. Mas faz-me sempre alguma confusão que estes actos de tortura troglodita sejam levados a cabo no âmbito de cerimónias religiosas, dedicadas a um santo de uma religião cujos ensinamentos incluem não maltratar animais. Serão todos hipócritas, estúpidos ou não-praticantes? Talvez sejam só pessoas que gostam de violência. No país dos brandos costumes, enquanto outros animais nos torturam de formas mais sofisticadas, adeptos da brutalidade primitiva descarregam em animais indefesos e escondem-se atrás da desculpa esfarrapada e idiota da tradição. Caso não partilhem com estes indivíduos o gosto pela tortura, podem assinar esta petição.

Coimbra não é vossa

rapanço

Para quem não está a ver como é a vida na cidade que viu nascer a tal de praxe, passo a  narrar. Quinze dias do ano em particular, e muitas das terças e quintas em geral, as leis por aqui não são iguais para todos.

Hordas de bêbados atravessam as ruas a qualquer hora da noite berrando, no intervalo de elas  em coro exigirem mais caralho que as foda e eles mais cona que os satisfaça, Coimbra é nossa. Todas as regras sobre ruído e manifestações públicas são mandadas às malvas com a cumplicidade amedrontada da PSP, Polícia Municipal e Ministério Público.

Este estado de excepção leva a que o sono dos indígenas e aqui emigrantes seja um direito perdido num território com  uma constituição à parte, a que podíamos acrescentar  a esterqueira em forma de vómitos e detritos vários que temos de suportar na manhã seguinte. Mas é considerado normal numa cidade onde por exemplo o saque e a vandalização não são perseguidos, um longo historial de burlas nas contas  das festas académicas não é investigado, um simples roubo no Museu Académico é narrado ao contrário. [Read more…]

Bem vindos ao século XIX

Porque não ter uma base de dados central com todos os acórdãos, disponível on-line!? Acórdão do caso Freeport não ficará disponível antes de Setembro. Os senhores meritíssimos(?) juízes estão de férias…

Maias à porta no 1º de Maio

Na minha vila, ainda se colocam as maias à porta. São mais as casas com elas que sem elas! É bonito de ver. Também eu as fui apanhar… Ainda conheci um ribeiro aqui perto e ouvi a àgua correr nele…
As ‘maias’ são giestas de flor amarela que florescem em princípios de Maio e como que anunciam a chegada deste mês, define o Dicionário da Língua Portuguesa.
Não as sabia tão macias. («Macias» sem c lê-se maias, reparo agora na coincidência).

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Estratégias de reprodução: direito canónico e casamento numa aldeia portuguesa (1862-1983)

casamento aldeia portuguesa

  1. Introdução

         Nas pesquisas que tenho realizado até ao presente com o objectivo de reconstruir as relações sociais nas sociedades europeias, cometi o erro, em primeiro lugar, de me apoiar demasiadamente na observação de terreno, e em segundo, de apenas correlacionar essas relações com a história económica e com os costumes locais de casamento e herança. Quando estudei a organização do casamento entre os camponeses chilenos, entre os quais se aplicam as ideias acerca do direito e da ordem, não entendi que o casamento sem a presença do padre, entre eles praticado, era tolerado pela Igreja e pelo Direito Canónico. Alguns anos mais tarde, pesquisando em Vilatuxe , na Galiza, pude isolar diferentes práticas de casamento, em função de diferentes tipos de herança, e notei que, em certas condições históricas, um sistema que supostamente favorece o filho mais velho, de facto autoriza a transmissão de terras e bens ao mais capaz dos descendentes. Não me havia apercebido de que a contradição entre o que se diz e o que se faz se inscreve numa continuidade histórica lógica, que a totalidade coexiste no saber das pessoas e que os camponeses retiram desse saber o que lhes é necessário em função das circunstâncias.

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Páscoa: Coelhos e ovos

Esta coisa dos coelhinhos e dos ovos, tudo misturado por alturas da Páscoa mete-me alguma confusão. Anda a malta a ensinar aos putos que os coelhinhos nascem da mãe, tomam o leitinho e blá…blá…
E o que acontece nesta altura?
Os ovos são postos pelos Coelhos. Neste caso pelo Coelho da Páscoa.

Não sei se esta confusão resulta da pressa do Coelho da Alice, que desesperado em fugir da Rainha de Copas, acaba por ser obrigado a fazer o que não queria com um galo.
Não sei se é uma teoria válida, mas talvez o Pacheco Pereira ou o Nuno Rogeiro, ou, imaginem só, o Miguel Sousa Tavares nos possam presentear com uma explicação válida.
Há quem diga que os ovos e as LEBRES eram, em tempos, usados como símbolos de fertilidade. Terá sido o DEUS mercado (sempre ele) que veio trocar as voltas a isto tudo, transformando ovos cozidos em ovos de chocolate e trocando coelho por lebre.
Não lhe parece, caro leitor que temos que mudar aqui qualquer coisa? No ditado popular, ou se passa a dizer coelho por lebre ou então temos que trocar o coelhinho da Páscoa por um gato ou uma gata.

Se tal acontecer já tenho um tema para o post Pascal de 2011: Páscoa – gatos e ovos.
Boa Páscoa.

O sabor da tradição

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