A velha ordem de Machete

Ouvi o advogado Rui Machete esta tarde no Parlamento de Portugal a defender-se dos ataques da Oposição. Ouvi na TSF: a sua voz, a sua prosódia, as coisas próprias da retórica, as palavras (que escusavam de fazer dele um réu e daquela comissão de inquérito um tribunal, disse todo indignado), e depois o ataque: que aquilo era combate político, e apenas isso, destinado a fazer dele uma vítima. Sei quem é Rui Machete: representa uma geração de senhores, uma maneira de fazer, um modo de estar na vida pública, na política, e sobretudo no poder. Rui Machete representa tudo isso. Só que isso acabou. Algo novo cresce, posso senti-lo. E ouvi-lo nas palavras de Machete – como nas de muitos mais.

Quando eles

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Quando esperas horas com eles na repartição pública da empresa privada conhece-los, sabes quem são, os sacos pesados que carregam, as varizes das mulheres, a revolta dos putos enorme como uma bomba, basta que um primeiro diga mata. O que aí vem será a soma de tudo isso transformada por eles na mudança, a ira depois da desolação tornada motor da História, mas também o fim desta violência democraticamente legalizada, eles enfim a levantarem-se dos escombros a que outros quiseram reduzi-los e a ser essas pessoas para que nasceram – e não os animais destinados por esses outros ao abate.