Não é só na Hungria que há fascismo

the_jungle_calais_septembre_2015
[Calais Migrant Solidarity]

Em Calais, ontem de manhã, cerca de 300 sírios foram expulsos da cidade pela polícia. Como tentassem resistir, foram agredidos com matracas e gás pimenta e obrigados a seguir caminho para The jungle – um campo de refugiados situado num pântano baldio e infecto da periferia de Calais. A polícia francesa tem ordens para manter os refugiados afastados dos itinerários turísticos.

A velha ordem de Machete

Ouvi o advogado Rui Machete esta tarde no Parlamento de Portugal a defender-se dos ataques da Oposição. Ouvi na TSF: a sua voz, a sua prosódia, as coisas próprias da retórica, as palavras (que escusavam de fazer dele um réu e daquela comissão de inquérito um tribunal, disse todo indignado), e depois o ataque: que aquilo era combate político, e apenas isso, destinado a fazer dele uma vítima. Sei quem é Rui Machete: representa uma geração de senhores, uma maneira de fazer, um modo de estar na vida pública, na política, e sobretudo no poder. Rui Machete representa tudo isso. Só que isso acabou. Algo novo cresce, posso senti-lo. E ouvi-lo nas palavras de Machete – como nas de muitos mais.

Este mundo não é para velhos

É para animais que confundem pessoas com células de excel.

Bilhete-postal da Terra

O monstruoso e metálico robô Curiosity já mandou para a Terra alguns bilhetes-postais da paisagem marciana. Ainda a preto e branco, vemos a cratera onde ele pousou…
O robô não levou nenhum bilhete-postal para Marte, pois neste planeta não há vida inteligente, nem anfitrião para receber qualquer presente que fosse oferecido com a melhor das boas intenções e em missão de paz do nosso planeta.

Mas numa coisa os dois planetas são parecidos: ambos têm crateras.
Não me quero referir às crateras naturais, que a Terra as tem em grande número e são belas, por sinal. Estou a pensar nas crateras provocadas por sucessivos bombardeamentos a mando do regime de Assad sobre Alepo, uma terra mártir… Só em dois dias já morreram 322 sírios.
Aqui na Terra, o planeta do Homem, onde há vida (muito) inteligente, há, contudo, desumanidade e maldade: aqui os homens são capazes de abater de animais abandonados pelos donos (Taiwan); aqui na Terra, ainda se amputam mãos aos homens que roubam e ainda se mata por apedrejamento homens e mulheres por sexo fora do casamento (Mali).

Aqui na Terra, ainda há brutamontes e homens rudes tal como na Pré-História. [Read more…]

Para a direita, as pessoas são números de circo

Na segunda-feira, um homem morreu à porta do Centro de Saúde de Castanheira de Pêra. Pode ler-se aqui um resumo da notícia do Público. Num país governado por gente responsável, mortes como esta seriam, no mínimo, menos prováveis. Em Portugal, os contabilistóides que querem criar uma nação sem Estado limitam-se a “reduzir custos”, a “racionalizar recursos”, contribuindo para uma economia florescente e para a diminuição da qualidade de vida das pessoas, que é outro nome para números. Percentualmente, que significado terá a morte de Albertino Pires Henriques? Se se tiver em conta que não chegou a ser atendido por um médico, o país terá poupado em mão-de-obra, o que será, com certeza, a alegria de um burocrata. [Read more…]

Contrastes: a faustosa igreja e a miséria no mundo

Papa Bento XVI(2)

fome Darfour

O ‘Público’ publica  na 1.ª página uma indecorosa exibição do fausto papal. Na senda, aliás, do que desde há séculos é a abjecta exuberância de luxo do Vaticano. Bento XVI, como outros antecessores, salvaguardando João XXIII e João Paulo I cuja morte permanece envolvida em mistério, prolonga a imoralidade da ostentação da ICAR face aos fenómenos da  desumanidade em expansão no mundo.

As imagens documentam, pois, a ignóbil vida luxuosa do Vaticano, com um papa revestido a ouro; sabemos que calça sapatos ‘Prada’ de 4.000 euros.O desprezo é total pelos milhões de crianças a morrer de fome em África e em outras paragens, como provavelmente será o caso da criança de Darfour que, à míngua de alimentos, se nutre do que encontra. Dejectos que sejam.

Doutrinário do ultramontanismo no papado de João Paulo II, Bento XVI lançou uma série de apelos e condenações à violência, num exercício de mimetismo de contestações que a sociedade laica, desestruturada, também reclama aos quatro ventos. Porque a reclamação é espontânea e assente em sentimentos óbvios. [Read more…]