Não se pode fazer política sem ludibriar o eleitor?

Santana Castilho *

1. Todos sabem, mas são poucos os que se insurgem contra a incoerência e o ludíbrio na política. Passos Coelho, candidato, disse da carga fiscal o que Maomé não disse do toucinho. Como homem de palavra que se dizia, garantiu não subir os impostos, pelo menos os que oneravam o rendimento. Se, afirmou, em limite, a isso fosse obrigado, então, taxaria o consumo. A primeira medida que Passos Coelho, primeiro-ministro, tomou, foi confiscar um belo naco do rendimento do trabalho dos portugueses. Lapidar!

O ministro das Finanças explicou aos ludibriados como se consumará a pirueta. Fê-lo em conferência de imprensa original, estilo guia turístico: à vossa esquerda (página 5 do documento de suporte), podem ver o gráfico tal; à vossa direita (página 27 do documento de suporte) podem contemplar o quadro X. Estilo novo, por estilo novo, poderia ter ido mais além. Poderia ter recolhido previamente as perguntas e incluir um desenho no documento de suporte, estúpidos que somos, para nos explicar por que razão os rendimentos do capital foram protegidos. Dizer-me que o não fez para não desincentivar a poupança e porque era tecnicamente impraticável, fez-me sentir gozado. Reduzir o alvo aos cidadãos e deixar de fora as empresas de altíssimos lucros, remete para o lixo o discurso da equidade e faz-me sentir ludibriado. [Read more…]

Nuno Crato na Educação: vai dar gozo, mas não exageremos

A nomeação de Nuno Crato sem dúvida que promete um grande gozo: ver um inimigo confesso do eduquês em acção vai ser giro. O simples facto de fazer tremer os que têm disparatado mais no ensino, dos mestres do Boston aos bacharéis e licenciados em “Ciências” da Educação, passando pela maioria dos corredores do ministério, é sem dúvida uma boa notícia.

Não me chega porque ainda não sabemos quem serão os seus secretários de estado e principalmente porque a grande ameaça que paira sobre o ensino é a sua privatização, e quanto a isso os programas do PSD e do CDS não auguram nada de bom.

Veremos se, para começar, aplica a decisão parlamentar sobre a avaliação dos professores, e de imediato. Se o fizer ganha um muito apreciável estado de graça junto das escolas.

Entretanto já foi promovido a taliban por quem do ensino até as novas oportunidades para a fraude defendeu. E ainda agora começou…

O novo governo

Assunção CristasO Eduquês envergonhadoIndependentemente da cor partidária, acho que este é um bom governo. O que não era difícil, bastando cortar com a governação pela propaganda comunicação.

  • Estou muito curioso quanto a Nuno Crato. Acho que foi boa escolha, espero que consiga acabar com o sucesso educativamente estatístico.
  • Ao contrário de muitos portugueses que têm ido em busca do sonho luso lá fora, Álvaro Santos Pereira largou os seus desmitos no Canadá para ser ministro cá.
  • Assunção Cristas, que ganhou mediatismo nos últimos tempos, fará parte da estreante geração “ministros que já tinham página no Facebook”, pelo que tenho uma certa curiosidade em perceber se esta página se manterá aberta. Se não for fechada, estaremos perante um novel meio de contactar o titular (a titular, no caso presente) de uma pasta ministerial.
  • Surpresa, surpresa, o homem que colheu os louros pela prévia informatização do fisco vai comandar a Saúde. Vai ser giro acompanhar o que O Jumento vier a, recorrentemente, escrever (aposto).

Quanto aos restantes ministros, vamos ver como corre. O programa troiquiano está definido de há dois meses a esta parte e, a bem de todos, esperemos que este governo seja capaz de o cumprir e que isso nos tire da fossa onde estamos há uma década.

segue-se o texto «O Eduquês envergonhado» de Nuno Crato, publicado no Expresso / revista Actual a 27 de Outubro de 2007. [Read more…]