O novo governo

Assunção CristasO Eduquês envergonhadoIndependentemente da cor partidária, acho que este é um bom governo. O que não era difícil, bastando cortar com a governação pela propaganda comunicação.

  • Estou muito curioso quanto a Nuno Crato. Acho que foi boa escolha, espero que consiga acabar com o sucesso educativamente estatístico.
  • Ao contrário de muitos portugueses que têm ido em busca do sonho luso lá fora, Álvaro Santos Pereira largou os seus desmitos no Canadá para ser ministro cá.
  • Assunção Cristas, que ganhou mediatismo nos últimos tempos, fará parte da estreante geração “ministros que já tinham página no Facebook”, pelo que tenho uma certa curiosidade em perceber se esta página se manterá aberta. Se não for fechada, estaremos perante um novel meio de contactar o titular (a titular, no caso presente) de uma pasta ministerial.
  • Surpresa, surpresa, o homem que colheu os louros pela prévia informatização do fisco vai comandar a Saúde. Vai ser giro acompanhar o que O Jumento vier a, recorrentemente, escrever (aposto).

Quanto aos restantes ministros, vamos ver como corre. O programa troiquiano está definido de há dois meses a esta parte e, a bem de todos, esperemos que este governo seja capaz de o cumprir e que isso nos tire da fossa onde estamos há uma década.

segue-se o texto «O Eduquês envergonhado» de Nuno Crato, publicado no Expresso / revista Actual a 27 de Outubro de 2007.

O Eduquês envergonhado
por Nuno Crato
Expresso / revista Actual – 27 de Outubro de 2007

POUCA GENTE O SABE, mas o Ensino Básico da Matemática rege-se actualmente por dois documentos discrepantes. A correcção está prevista, mas prepare-se o país para o pior: a ser aprovado um documento de reajustamento agora em discussão, a Matemática da escolaridade obrigatória passará a reger-se por três documentos desconexos. Sim, três.

O primeiro é o Programa, completado em 1991, e que, com Roberto Carneiro, introduziu oficiosamente a pedagogia construtivista no ensino, com as consequências que se conhecem. O segundo é o chamado Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais, que foi construído ao longo de vários anos, nos tempos de Ana Benavente, e aprovado em 2001, estando previsto ser concretizado num programa que substituiria o de 1991 e que nunca foi acabado. O terceiro será um documento de reajustamento, colocado fugazmente à discussão este Verão e agora em análise na 5 de Outubro.

Pretendeu o ministério evitar as descontinuidades e as grandes reformas pedagógicas; assim, em vez de estabelecer um novo programa, resolveu sabiamente fazer um reajustamento que permitisse clarificar o que se ensina na Matemática do Básico.

É natural que as intenções tivessem sido de tornar claro o que se ensina e não se ensina, e de esclarecer o que se pretende que os jovens aprendam e consolidem ao longo dos nove anos que passam no ensino obrigatório. Esperariam pais e professores que o novo documento resolvesse as incoerências entre o Programa de 1991 e o Currículo de 2001 e que traçasse objectivos claros, ano a ano, com rigor, objectividade e alguma exigência.

Engano. O nosso Ministério da Educação tem dito que quer cortar com o passado. Transmite uma imagem de rigor e até de intransigência. Seria bom que cortasse também com o passado nas orientações pedagógicas que a experiência mostrou serem erróneas. A máquina ministerial não o permitiu. A reformulação do programa é pouco clara nos objectivos e conteúdos, mas insiste na má orientação pedagógica da matemática e em muitos dos erros das últimas décadas.

Quer isto dizer que as vozes críticas que se têm levantado na educação continuam a não ter qualquer sucesso? O reconhecimento público quase generalizado de que as coisas não vão bem no ensino, em particular da matemática, não tem abrandado o dogmatismo daqueles teóricos da pedagogia que de há anos a esta parte negam a evidência dos resultados e que se esforçam por propagar a «escola inclusiva», as «competências gerais», a «pedagogia não directiva» e o «ensino centrado no aluno». Mas tem obrigado a um maior comedimento nas palavras. Os dislates discursivos que ficaram conhecidos como «eduquês» abrandaram. O sestro não.

Um exemplo elucidativo é fornecido precisamente pelo actual documento de reajustamento do programa. Os seus responsáveis defenderam durante anos uma teoria pedagógica perniciosa que opõe conteúdos a competências. Defenderam que os conteúdos não fazem sentido se não estiverem englobados em «competências», conceito que corresponderia a atitudes, conhecimento em acção ou capacidades gerais. Se esta teoria pretendesse apenas contrariar o ensino excessivamente livresco e sublinhar a importância de aplicar os conhecimentos, nada haveria a opor. Contudo, como é habitual entre ideólogos dogmáticos, o prélio foi levado ao limite, rejeitando a importância do conhecimento e acentuando competências vagas e palavrosas. A moda alastrou ao ensino superior. Aos professores começou a pedir-se que preenchessem formulários longos em que fossem destacadas as «competências comunicacionais» da Álgebra ou as «competências multiculturais» da Electrónica.

No Ensino Básico, em particular, as «competências» foram de tal forma glorificadas que os documentos oficiais passaram a desprezar o valor do conhecimento em si. Como resultado, as exigências claras e precisas respeitantes aos conteúdos começaram a ser substituídas por referências palavrosas e vagas às competências genéricas. Começou a falar-se do «conhecimento contextualizado» como receita geral, esquecendo a necessidade da abstracção. A verdade, contrariamente ao documento de 2001, é que o conhecimento não pode nem deve ser totalmente organizado em competências e deve ser especificado em conteúdos disciplinares precisos e testáveis. Como os críticos dessa orientação repetidamente focaram, dever-se-ia utilizar «conhecimentos e capacidades» ou outra expressão que explicitamente incluísse os conteúdos.

Vale a pena olhar para a maneira como as «competências» são tratadas neste novo documento. De uma maneira simples: omitem-se e substituem-se por «conhecimentos e capacidades»… O facto seria de louvar, mas é tão surpreendente nas pessoas que mais defenderam a teoria das competências que é difícil de perceber. Os documentos estão na Internet e permitem uma busca por palavras. Procure-se «competência» ou «competências». Desapareceram! A tentativa de evitar a controversa palavra foi tal que, nas referências bibliográficas, o próprio título do documento de 2001 foi truncado. É espantoso. A surpresa é quase tão grande como a que teríamos se, subitamente, padres da Igreja Católica elidissem do seu vocabulário a palavra «Jesus».

Mais importante do que o invólucro são as recomendações práticas. Começando pelas omissões. Como o afirmou a Sociedade Portuguesa de Matemática num parecer sobre este mesmo documento, ele «não constitui um apoio claro e preciso, de consulta simples e directa para o professor. Constitui apenas um amontoado de recomendações, algumas ambíguas, outras de hierarquia confusa, muitas redundantes, algumas repetitivamente apresentadas».

Ao contrário do que seria de esperar, o documento não apresenta metas claras e verificáveis para as diversas etapas. Diz que o «professor decide o nível de profundidade a tratar cada tópico» (p. 11) e rejeita a apresentação de «um roteiro possível de temas e tópicos a trabalhar por se considerar que tal deve ser definido a nível de escola ou de agrupamento escolar» (p. 2).

O estado actual do ensino e das escolas, no entanto, necessita de recomendações objectivas e precisas, onde possível especificadas ano a ano. É absolutamente indispensável que os professores e as escolas trabalhem com metas claras.

Significativamente, os vícios da linguagem «não directiva» continuam. Fala-se em «Discutir com os alunos» (p. 62) e nunca em «transmitir conhecimentos». Fala-se em «tarefas que o professor decide propor» (p.12), ou «pedir» (p.35) e não se diz que as deve «indicar» ou «mostrar». Para se perceber a profundidade do descaminho linguístico, basta dizer que nem uma única vez nas 77 densas páginas do documento se usa a palavra «ensinar».

O mais gravoso é a persistente desvalorização da memorização, dos automatismos e da mecanização dos algoritmos. Não aparecem metas concretas, precisas e progressivas. Desiludem-se os professores e pais que esperavam encontrar recomendações claras sobre a necessidade de domínio da tabuada, de prática de algoritmos das operações elementares e de domínio de conhecimentos. Não se clarifica, por exemplo, em cada etapa de estudo, a destreza na multiplicação com papel e lápis que os estudantes devem ter.

Em contrapartida, insiste-se no uso da calculadora desde o primeiro ciclo. Aquilo que toda a gente sensata vê com facilidade, que é a necessidade de evitar a máquina enquanto se aprende a tabuada e as operações elementares, os ideólogos dogmáticos do «eduquês» não conseguem ver.
As ferramentas modernas, como a calculadora e o computador, devem ser introduzidas no Ensino Básico. E mesmo no primeiro ciclo pode ser conveniente que os alunos comecem a familiarizar-se com estes instrumentos. Mas é absolutamente necessário que os jovens estudantes sejam impedidos de usar a calculadora no momento em que estão a memorizar a tabuada e a treinar as operações. Não se aprende a nadar passeando de barco. A calculadora pode e deve ter lugar na sala de aula, mas quando o professor disser, não quando os alunos quiserem.

O programa de 1991 cometia o erro de dizer que o aluno tem o direito de usar a calculadora sempre que o entender. O novo documento deveria corrigir expressamente esse erro absurdo, ao invés de voltar a insistir no uso indiscriminado da máquina. Mas alguma vez a «nomenklatura» da educação reconheceu algum erro?!

O problema, infelizmente, não é apenas português. Se lermos o recém publicado Eduquês: Um Flagelo sem Fronteiras, de Laurent Lafforgue e outros (Gradiva, 2007), vemos como a degradação dos conteúdos disciplinares e a sobrevalorização da calculadora têm ajudado a degradar as capacidades de cálculo e de raciocínio numérico dos jovens franceses e de outros países europeus.

O documento de reajustamento do programa, no entanto, menospreza os algoritmos tradicionais e pretende que os professores treinem o cálculo por processos morosos, pouco eficientes e viciadores. Assim, por exemplo, defende-se que se aprenda a somar 3 com 4 fazendo «3 + 3 + 1 = 7» (p. 17), a somar 543 com 267 por «somas parciais» (p.19) e a dividir 596 por 35 por «subtracções sucessivas» (p. 19). Ou seja, em vez de exercitar a memória e treinar directamente os processos mais eficientes, pretende-se prolongar no aluno o uso de métodos de recurso e altamente propensos ao erro.

Ao mesmo tempo que se desprezam os objectivos modestos, mas atingíveis, destacam-se metas utópicas, como a de os alunos serem «capazes de fazer Matemática de modo autónomo», nomeadamente «formular e investigar conjecturas matemáticas» (p. 6), recomenda-se que realizem «investigação matemática» (p. 11). E diz-se que devem «descobrir […] os critérios de divisibilidade» (p. 35). Poderá pensar-se que se trata apenas de exageros, mas uma das características mais marcantes do construtivismo educativo dogmático é falar da compreensão, da descoberta autónoma e do desenvolvimento do raciocínio — metas grandiosas! — e, ao mesmo tempo, repudiar o desenvolvimento das destrezas básicas que lhes são antecedentes.

Certamente para que os fracassos destes métodos de ensino não se revelem, o documento defende que a avaliação deve «centrar a sua ênfase no que os alunos sabem, o que são capazes de fazer, e como o fazem, em vez de focar-se no que não sabem» (p. 13). Frase lapidar! A merecer moldura negra para relembrar às gerações futuras o que ideólogos dogmáticos são capazes de dizer quando cegos pela sanha ideológica. A ser seguida à risca, esta ideia, por si só, erradicaria por completo o insucesso escolar. Teste-se nos alunos o que eles sabem e não o que deveriam saber que o país progredirá sem o incómodo de conhecer as suas deficiências educativas.

Por estranho que pareça, a ideia de rejeitar a avaliação como algo incómodo não é uma excentricidade do «eduquês», antes é parte integrante e basilar dos extremos da pedagogia romântica. Alguns, negando a possibilidade de objectividade absoluta, rejeitam a avaliação no seu todo como um resquício do positivismo (pobre positivismo!). Outros assumem alguns momentos de teste de conhecimentos, mas apenas como pró-forma prófuga.

Apesar de largamente discutidos e anualmente polemizados, os exames rareiam em Portugal. Os estudantes passam os nove anos de escolaridade obrigatória sem nenhum exame nacional. Apenas no nono ano, depois de terem frequentado dezenas de disciplinas, são testados nacionalmente a duas. Apenas duas: Português e Matemática. Mesmo nestes exames, que só existem de há três anos a esta parte, a classificação obtida apenas conta para 30% da nota final. Os efeitos são reduzidíssimos, embora tenham tido uma acção moderadora. O país mudou desde que os exames nacionais do 12º ano, com Marçal Grilo, e os exames nacionais do 9º ano, com David Justino, foram instituídos. Imagina-se que mais poderia mudar se a avaliação externa nacional fosse mais frequente, se incidisse sobre mais disciplinas e se fosse mais rigorosa e fiável.
As mudanças no sistema de avaliação são decisivas para a regulação de todo o sistema educativo. Infelizmente, ao longo de anos de provas de aferição e de exames nacionais, o ministério não conseguiu (ou não quis!) instituir testes fiáveis, isto é, comparáveis de ano a ano e, por isso, avaliadores da evolução global do ensino. A agravá-lo, fala-se agora em limitar o âmbito dos exames de 12º ano às matérias desse ano lectivo e não às de todo o Ensino Secundário, como tem sido regra. As oscilações são constantes.

No fim do ano lectivo transacto, o exame de Matemática do 12º ano teve mais meia hora de tempo de prova, mantendo um conteúdo comparável ao dos anos anteriores. A percentagem de aprovações subiu de 71% em 2006 para 82% em 2007. Na Matemática do 9º ano, o único nível onde houve um plano de acção ministerial específico, a percentagem de aprovaçõesdesceu de 37% para 27%. No Português do mesmo nível escolar, a percentagem de aprovações subiu de 54% para 86%. São oscilações espantosas. Alguém acredita que correspondam a mudanças reais nos conhecimentos dos alunos?

Uma das conclusões mais unânimes dos estudos internacionais é a da grande inércia dos sistemas de ensino. Os resultados reais mantêm-se semelhantes ao longo de anos e só muito lentamente mudam. Em Portugal, aquilo que os alunos de facto sabem também tem mudado pouco. O que tem mudado, e muito, são os exames. Querendo moralizar o sistema de ensino é indispensável produzir exames fiáveis, comparáveis ano a ano.

Estamos a começar um novo ano lectivo. Imagine-se um professor dedicado, tentando este ano dar mais atenção às deficiências básicas dos seus alunos e desdobrando-se para incentivar ainda mais os melhores. Imagine-se um casal que resolve investir mais no seu filho, acompanhando diariamente os seus estudos. Imagine-se um jovem aluno do 12º ano, ambicionando notas elevadas, para poder entrar no curso que escolheu. E pense-se agora que as notas finais vão depender em larguíssima medida não do trabalho do professor, não do esforço dos pais e não do trabalho do aluno, mas sim da maneira como este ano forem feitos os exames.

É difícil trabalhar numa escola assim! Generalizar e reformular a avaliação é uma das tarefas mais urgentes do nosso sistema de ensino. Conte-se com os professores que gostariam de ver o resultado do seu trabalho honestamente medido. Conte-se com as famílias que começam a perceber o logro dos progressos fictícios. Não se conte com o «eduquês»

Comments

  1. a.marques says:

    Para desassossego de muitos jornalistas/comentadores que não disfarçaram exaltadissimo mal estar. Eu desmonto já: Estavam mobilizdos para atacar pelo lado lado da velhice e desancar por exemplo no senhor dos pelinhos. Saiu-lhes o tiro pela culatra. “Claramente uma segunda escolha” foi um dos inenarráveis mimos da noite. Do mal o menos, comparando com exércitos de jornalistas de refugo para não variar. Num dos debates televisivos do serão, sempre que um dos participantes tentava desmontar as rebuscadas falácias, principalmente certas senhoras em serviço continuo, entravam em tal berreiro que não o deixavam falar. Foi febre geral, em mais uma noite de desespero com más digestões.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Isso de largar o Canadá para vir para cá não sei se será um bom sinal. De repente, lembrei-me do Manuel Pinho.

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    Esta dos homens novos deve ser a piada do ano.
    Economia cavaquista (mas quem se lembra já da longa epopeia do dito cujo que acabou em direto na RTP com a FAO na margem esquerda do Guadiana e as ajudas europeias, obtidas a troco do abandono da nossa agricultura, em auto-estradas dobrando auto-estradas e ajudas a setores industriais hoje apenas presentes na China ou no Marrocos, em vez de servirem à transformação dos mesmos em novos ramos industriais não deslocalizáveis?)
    ex-MRPUMPUM aos montes sendo um agora educador de meninos, filiação que deu no que deu em matéria financeira com o pum-pum Barroso a fugir para o poleiro europeu, deixando o país quase na bancarrota e sem precisar de crise mundial para isso.
    Fecha-se o Ministério da Cultura que geria e deveria ter apoiado o quarto setor produtor de riqueza no país (a cultura), muito, mas muito à frente da agricultura (deficitária desde D. Afonso Henriques, lembre-se) e terceiro setor exportador nacional.
    Privatiza-se a RTP, descambada é certo, mudada com armas e bagagens para aduladora do novo governo às 18h45m do serão eleitoral (provável estreia mundial numa democracia) mas que nos privará de canais de referência. Ou seja, deita-se fora o bebé com a água do banho.
    A ser cumprido o programa votado, seguir-se-ão, a privatização do ensino, a redução do SNS aos indigentes nacionais (mas pago pela classe média que também terá que compensar a redução da TGE), etc.
    O PSD foi criado no seio da ANP, partido de Marcelo Caetano em 1972.
    Pode-se apostar que ainda vamos acabar tendo saudades das caixas de previdência e da reforma escolar Veiga Simão.
    Pena já não haver colónias… “contra os canhões, marchar, marchar”.

    Tito Lívio Santos Mota
    Montpellier – França

  4. adriano aires says:

    O Sr. Ministro Nuno Crato (crato é, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, uma espécie de fava preta algarvia) num achaque de pálido iluminismo decretou que o documento «Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais» deixa de constituir documento orientador do Ensino
    Básico em Portugal. Despacho n.º 17169/2011

    Pelos vistos está previsto que «Os serviços competentes do Ministério de Educação e Ciência, através da Secretaria de Estado do Ensino Básico e Secundário, irão
    elaborar documentos clarificadores das prioridades nos conteúdos fundamentais
    dos programas; esses documentos constituirão metas curriculares
    a serem apresentadas à comunidade educativa, e serão objecto
    de discussão pública prévia à sua aprovação.» – como se pode ler no referido despacho (é sempre a despachar)…

    Falta saber quando e como será até lá?

    O ministro fala em falta de fundamentação científica. No entanto, as razões cientificamente fundamentadas para a supressão das orientações curriculares consignadas no documento “Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais» são unicamente a sua própria “palavra”. Até porque ele é que sabe. Parece-me, mais uma vez que os ares daquele ministério concedem aos titulares do principal cargo ministerial um tão elevado grau de sapiência que me continua a causar espanto… Para este senhor (Nuno Crato), os professores vão finalmente despejar (desculpem o mau hábito da minha pena de fugir com a letra para a verdade) matérias. Por outro lado, os alunos, muito caladinhos e sossegadinhos, ouvi-los-ão durante horas a fio e perceberam tudo fazendo uso das grandes descobertas pedagógicas do Sr. Crato «a importância da aquisição de informação, do desenvolvimento de automatismos e da memorização… através de objectivos claros, precisos e mensuráveis possíveis de aferir.»
    Fantástico! Onde é que andou este senhor durante este tempo todo? Afinal o ovo de Colombo existe e ele não nos tinha revelado!
    Mais um ciclo, mais uma voltinha, mais uma reorganização curricular… até quando o carrossel vai continuar a girar com cavalinhos destes tão sábios e empertigados?
    Caro Ministro, fico-lhe muito “crato” que, antes de tomar semelhantes decisões as submeta escrutínio tal como fazemos nos nossos conselhos de departamento ou conselhos pedagógicos ou conselhos gerais…