A curva do universo ou da vida

oscar niemeyer

Morreu um homem feliz.

Morreu uma pessoa que acreditou até ao fim nos seus ideais.

Morreu o “embaixador da arquitectura brasileira” e o “último grande arquitecto do século XX”.

Morreu Oscar Niemeyer (1907-2012), a poucos dias de completar 105 anos.

Eu olho para trás, não sou como os outros que dizem que fariam tudo igual, eu faria muita coisa diferente. A vida é difícil, a vida nos leva a coisas que às vezes a gente não quer. A vida é um sopro, a gente vem, conta uma história e todo o mundo esquece depois. (…) Cem anos não dá prazer. Eu ia passar os cem anos sem muita alegria. A vida passou, eu procurei ser correto, trabalhar, mas não estou contente, na verdade não traz nenhum prazer. Só se o sujeito pensar que é importante, e eu acho isso tão ridículo, se ele pensar que é importante ele está fora do mundo.

(…) O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo.

(publicado na secção Cartas à Diretora do Público, 7/12)

Oscar Niemeyer, RIP

Visite a sua página, a História do séc. XX está ali.

oscar niemeyer

Quando um filho morre primeiro…

Penso neste assunto muitas vezes…

Hoje, ao ler o DN de 7 de junho, que andava perdido no balcão da receção da minha escola, uma notícia de última página chamou-me à atenção: a filha do tão conhecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer morreu na passada quarta-feira, aos 82 anos. O seu pai já vai com 104 e, no mês passado, esteve internado 15 dias no hospital. Estava ansioso por voltar a trabalhar!

Este homem tem mais de um século de vida. Não é comum alguém atingir a sua idade. Viu morrer muitos amigos e muitas pessoas de família. Está mais só. Muito mais só agora, sem a filha, a única. Saberá Niemeyer enfrentar duma forma mais sábia a morte dum filho? Será para ele a morte algo mais «natural» que para o resto dos mortais?

O trabalho poderá ser a sua grande companhia.

Lamento imenso a morte de Anna Maria.

(Lamento imenso a morte dos filhos de quem quer que seja ainda vivo).

Espero que a criação de Niemeyer não termine por aqui…