Passos Coelho, o quarto pastorinho

Segundo o DN, Passos Coelho acredita que os portugueses vão fazer férias. Desde o “Sangue, suor e lágrimas” de Churchill que não se ouvia uma frase tão vibrante e plena de grandiosidade em que um governante revelasse uma fé tão profunda nas capacidades dos cidadãos do seu país. Depois do slogan “fazer mais com menos” – a que se juntou recentemente o “ter pior mais caro” –, Passos tem uma visão para o país. Passos fecha os olhos e vê: os portugueses aproveitarão a supressão de subsídios de férias, a diminuição dos salários ou o aumento das despesas para viajar até à marquise, onde, no remanso do alumínio, poderão mergulhar nas águas da bacia de plástico portuguesa. Os mais afortunados poderão deslocar-se aos estaleiros de obras mais próximas, onde lhes será possível participar nos tradicionais concursos de castelos na areia.

Passos Coelho revela, ainda, extrema generosidade ao prescindir de decretar o fim das férias. Torna-se, agora, provável que São Bento passe a integrar a rota das romarias religiosas, o que poderá pôr mesmo em causa o comércio de promessas e oferendas do Santuário de Fátima.