Todas as petições são entregues em clima de gala?

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Para evitar chatices fica a declaração de interesses: Não sou ‘doente’ pelo futebol e gosto de ver erguida a verdade desportiva. Agora, ao que me traz.

Hoje, além da petição pelo referendo ao casamento homossexual, foi entregue na Assembleia da República a famosa petição “pela verdade desportiva”, promovida pelo jornalista Rui Santos. O documento defende o uso de novas tecnologias para auxiliar os árbitros de futebol. Nada tenho contra o propósito da petição. Já a formulação prática desta medida me deixa dúvidas. Seria uma espécie de júri de quatro ex-árbitros a ver duas ou três repetições televisivas que iria determinar a opção do árbitro? E o jogo ficaria parado, enquanto analisavam e discutiam a coisa? E seria passível de recurso, com visionamento de câmaras de outro ângulo?

Claro que as discussões de segunda-feira iriam perder todo o interesse. As queixas dos treinadores teriam de ser orientadas para outros alvos, como os cameraman das televisões, que não captaram o lance do melhor ângulo. Os presidentes teriam de passar a acusar outros, talvez os empregados dos bares dos estádios, em vez de assumir erros próprios.

Em todo o caso, e voltando ao que aqui me traz, não percebi a razão de tal aparato e de tantas celebridades na entrega de umas assinaturas. Uma cerimónia pomposa que teve o ar de uma gala. Enfezada, claro, sem glamour, sem caras larocas a apresentar os protagonistas, mas com muito aparato. E gente ‘in’. Ele era o presidente da SIC, o presidente da Liga, o presidente da federação, presidentes de clubes e muitas outras pessoas. Até jogadores. De gravata, portanto era gente importante.

O presidente da AR, Jaime Gama, já garantiu uma análise cuidada à petição. Sempre são sete mil pessoas a assinarem o dito cujo documento. Daí a minha questão: todas as petições são entregues com uma festa deste género? Ou todas as petições são importantes mas umas mais importantes que outras?