Amanhã, “Das Partes do Sião”

Neste resvalar identitário da nossa nação, poucos portugueses saberão que existe uma “outra Inglaterra”, na Ásia. De facto, Portugal foi o primeiro país europeu a estabelecer um Tratado de Aliança com uma potência asiática há precisamente 500 anos. Nisto também fomos pioneiros e a nossa influência fez-se sentir de forma decisiva nos quatrocentos anos que se seguiram à primeira embaixada enviada ao Sião.

Comemoram-se os 500 anos do estabelecimento de relações diplomáticas e a Biblioteca Nacional de Lisboa, inaugura uma grande exposição evocativa. O Aventar não deixará de estar participar no acontecimento, testemunhando o nosso interesse por tudo aquilo que diz respeito a uma história tão única quanto rica. O Sião está presente n’Os Lusíadas, na Peregrinação, nas Décadas de Barros e nas Lendas de Gaspar Correia. Cobra parte relevante na preciosa documentação dos séculos que seguiram à missão enviada pelo grande Albuquerque e este património da nossa diplomacia, culmina nas visitas de S.M. o Rei Chulalongkorn (Rama V, em 1897) e de S.M. o Rei Bhumibol Aduliadej (Rama IX, em 1961) ao nosso país. Para os tailandeses, não somos “uns quaisquer”.

Esta exposição honra Portugal, exalta aquilo que ainda é uma Pátria. Desde já estão todos convidados para as cerimónias da inauguração, onde a já proverbial falta de um Presidente, será compensada pela comparência do sucessor daqueles que ajudaram a construir aquilo que ainda somos: S.A.R. o Duque de Bragança. Amanhã, pelas 18.00H de 7 de Dezembro, também se cumprirá Portugal.

7 de Dezembro, na Biblioteca Nacional

Por intermédio do Combustões, recebemos o convite para a inauguração da grandiosa exposição que comemora os 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia (Sião). A preciosa documentação exposta, entre cartas, Tratados e Convenções, literatura e fotografia, atesta a forte presença cultural – que também já foi política, religiosa e militar – portuguesa naquele reino asiático. Um catálogo ilustrado, marca o início das comemorações que decorrerão durante os próximos meses.

Uma boa notícia: aquela gente afim de BPN, BPP, Freeport, Covas daqui e dali, Liscont, aeroportos “já-mé”, auto-estradas de e para nenhures, acções fora da Bolsa, sucatas e pescarias de robalos, etc, etc, estará na Biblioteca Nacional noutro horário. Isto evitará encontros desagradáveis aos leitores do Aventar.

Mais uma indecência

Estes intérpretes de gente que se arrogam em representantes de um país quase milenar, preparam-se para cometer uma desfaçatez que apenas os tipifica segundo o padrão há muito estabelecido: o de anormais, incompetentes, arrogantes na ignorância e sobretudo, malcriados ajuramentados.

Estava prevista uma espectacular inauguração da exposição comemorativa das relações entre Portugal e o Reino da Tailândia. Um catering cuidado e oferecido – ponto importante para esses ruminantes sempre à espera de pinga e de manjedoura -, na tradição daquilo que de melhor os tailandeses sabem fazer. Uma importante lista com centenas de convidados nacionais e estrangeiros, dando a necessária dignidade ao evento. Centenas de horas de preparativos, um primoroso catálogo executado após aturado estudo. Um staff preparado e bem ao contrário das “altas individualidades” semi-analfabetas, conhecedor desta realidade histórica que para nós e em termos de relações internacionais e de aliança, apenas se pode comparar à nossa ligação com a Grã-Bretanha. Tudo isto para nada!

 Não se sabe bem porquê e por apetite de não se sabe que batráquio decisor, a dita inauguração foi anulada. Nada de burros ajaezados de cavalos vindos de Belém, nada de gulosos beneditinos e pior ainda, nada de secretaria cultural sita na Ajuda. Nada, nada, nada! Os tais intérpretes de gente, “acharam” que era coisa de pouca monta, pois não se tratando de “Europas”, não podem perder tempo  com um banho e uma borrifadela de desodorizante, deslocando-se para mais uma maçada. No entanto, “acham” que vão lá dar um pulo no próximo dia 7 de Dezembro, talvez para verem as modas com que jamais sequer sonharam. Pois vão bater com o nariz na porta, ficando sós para a apetecida foto. Para eles, a Tailândia fica-se por umas férias de dez dias num resort qualquer, umas compritas em Patpong e uma visita ao Wat Phra Keaw.

Enfim, a ralé que aturamos. Isto é definitivamente, uma República de triste sina.

From Bangkok…


SAR Sirivannavari Narirataná

One night in Bangkok


A diplomacia dos nossos dias, parece encontrar-se num patamar infinitamente inferior ao de outros tempos. Invadida por gente profundamente interessada nas redes de negócios que desacreditaram os outrora imponentes edifícios estatais, em pouco se distingue dos centros de decisão empresariais. A deplorável, esdrúxula e patética actuação que tem tido em Bangkok, causaria calafrios a qualquer mediano embaixador de eras passadas.

Sem voltarmos a exaustivamente referir a longa série de atentados ao direito que os chamados “manifestantes vermelhos” têm prodigamente executado ao longo das últimas semanas, salientemos apenas o essencial do quadro que nos é apresentado: milícias armadas, desobediência civil, coacção física e moral sobre milhares de transeuntes, bloqueio de estradas e de serviços públicos, ataque às forças de segurança do Estado, posse de um verdadeiro arsenal bélico, tráfico de armas, etc. Todo este rosário de ilegalidades e prepotência, não parece ser um caso que mereça uma breve análise que aconselhe a prudência ao staff que ocupa funções de representação – do quê e de quem? – da chamada União Europeia. Para não vincarmos demasiadamente a notória irrelevância da “embaixada” – a UE não é e não parece poder vir a ser um Estado -, note-se apenas que as autoridades tailandesas estarão mais dispostas a dialogar com parceiros há muito conhecidos e potência a potência, consoante o peso de cada uma delas. Se algumas beneficiam da importante – mas não decisiva – influência que as relações económicas implicam, outras, como será o caso do antigo e permanente amigo português, poderão fazer valer a sua voz através daquele clássico princípio de não ingerência que tranquiliza quem justamente se sente agredido. A prudência acompanha a razão.

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A Azeitão siamesa: Bangkok


Os thais chamam à sua capital Krung Thep Mahanakhon (กรุงเทพมหานคร), pelo que se o caro leitor se referir a Bangkok (Banguecoque em português) em frente de um tailandês comum, este não compreenderá de que lugar se está a falar. Isto tem uma explicação. Bangkok foi criada por portugueses em meados do século XVII e, traduzido para português, quer dizer tão só Azeitão ou “aldeia das azeitoneiras” (Ban = aldeia + Kók/กอก = oliveira).

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Portugal-Tailândia: os 500 anos de uma grande embaixada


A Embaixada de Portugal ofereceu a esta comunidade cerca de 800.000 bath – que na Europa não é nada, mas para os Karen uma fortuna – para a edificação de uma escola dotada de biblioteca com ligação à internet, luz eléctrica, ventoínhas e até um pequeno laboratório de físico-química para aulas de introdução ao meio natural. Ao chegarmos à aldeia, fomos recebidos com júbilo por professores, autoridades locais e miudagem. Sem que ninguém o pedisse, retiraram da parede a bandeira portuguesa, aglomeraram-se no centro da sala e deixaram-se fotografar com a bandeira do longínquo país dos “farangues” para lá dos montes e oceanos que lhes quis oferecer uma migalha de dignidade que tantos outros, ricos e poderosos, lhes recusam. Confesso que me senti orgulhoso, pois desta gente nada temos a ganhar: aqui não temos interesses geopolíticos a defender, não somos candidatos à mercearia das barganhas comerciais nem seguimos o calculismo da intriga diplomática. Portugal veio a esta aldeia no fim do mundo só e apenas para fazer o bem. Isto lembrou-me a velha história que aqui venho contando sobre o sentido profundo e transcendente da missão portuguesa no mundo, uma ideia de fraternidade que outrora aqui trouxe missionários, capitães e soldados em busca de um novo lar português.

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Portugal-Tailândia: 500 anos!

O pescador André, um dos últimos luso-siameses residentes no ban Protuguet em Ayutthaya. Nas imagens, as ruínas do bairro e igreja portuguesa da antiga capital do Sião. Estes são os Centenários que verdadeiramente importam.

Até ao último grão de pólvora!


Dois luso-tailandeses

Hoje, junto do cemitério onde jazem cerca de 200 restos mortais de luso-siameses, evoquei essa tragédia. Aquela gente lutou até ao último grão de pólvora e não vacilou ao decidir lutar pela sua liberdade. Uma lição de heroísmo que integra as mais vibrantes páginas da saga portuguesa nos confins desta Ásia que celebrará proximamente a aliança na paz e na guerra entre dois povos. Os luso-siameses terão compreendido perfeitamente o sentido daquela façanha que hoje evocámos. Os tailandeses, todos falando um excelente português, compreenderam, também eles, que os portugueses não vieram aqui apenas para fazer business pois, chegada a hora decisiva, lutaram ombro a ombro com os siameses na defesa da terra comum, não deixaram cair a bandeira e não tentaram, como outros, fugir e salvar os cabedais. Morreram pela sua liberdade; é tudo.Isto merecia uma coprodução épica luso-tailandesa ou o nome de uma avenida lisboeta: Avenida dos Heróis de Ayutthaya.

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