Peidódromo Nacional

Ontem, a noite de Prós e Contras (contra quê?) atingiu o seu pleno e Fátima Campos Ferreira não teve de poupar cordas vocais, coisa que honra lhe seja feita, raramente faz.

A RTP convidou umas tantas sumidades que nos betões daquilo a que se designa por “universidade”, fazem render a faina da recolha do seu marfim. A palavra universidade é por esta gente tida como uma espécie de condomínio medieval e a posse de um testemunho de uma passagem por esse purgatório, permite o mastigar entre risos escarninhos, de nomes com Y, Th, K e citações a bel-prazer.

Refastelado no meu sofá e com a Luna ao colo, fui trincando umas bolachas ricanela, atentamente seguindo um concurso de basófias mais ou menos circunspectas. Abundaram os sobrolhos carregados, os esgares indignados e os sorrisos de contentamento pelo imaginado sucesso da auto-complacente empáfia. Uns tantos remoques “pró do lado” – José Reis e João Salgueiro – e um longo empanturrar de “sonhos, ousadias, quereres e paradigmas”. É claro que não entendi patavina e o rebuscado das receitas era de uma ordem tal, que não se descortinava o peixe da carne, nem os nabos dos alhos e tudo isto condimentado com doses cavalares daquelas bem conhecidas especiarias descobertas algures no século XIX e que tão bons resultados deram nos ruminantes ocidentais. A prova disso, é o constante avolumar de gasosas barrigonas que de vez em quando convém desaustinar através do pipo bocal que na melhor das hipóteses, evita a mais óbvia e usual válvula terminal do sistema digestivo. Para isso, temos as tv’s da “tudoemaisalgumacoisalogia” actual. [Read more…]

Como numa novela de há uns anos

RTP: primeira mira técnica

Há uns anos, quando televisão e RTP1 eram sinónimos, mesmo se atendermos ao fugaz lampejo que eram as quatro ou cinco  horas de emissão nocturna da RTP2, a telenovela que estivesse no ar tinha sempre alguns pontos em comum. Lembro-me das actuações com ar forçado e, apesar delas, da continuada presença dos mesmos rostos. Como se uma má representação não fosse motivo suficiente para mudar de actores. Mas tudo se passava em circuito fechado, numa viagem por vias paralelas à realidade.

De cada vez que olho esse Prós&Contras parece que estou a ver uma dessas novelas. As mesmas caras e a mesma artificialidade, também funcionando em re-alimentação.

Como é que se mudam estes actores que nos governam quando o público acaba sempre por bater palmas no final da peça?