A dignidade no trabalho

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Esta história da Padaria começou com um directo com cerca de cinco minutos num canal de televisão e uma entrevista num grande jornal. O gestor padeiro, bom conhecedor, pelos vistos, dos meandros jornalísticos, terá achado que a publicidade, pela qual ninguém sabe quanto pagou, ou como pagou, lhe traria fama e proveito.

Foi uma daquelas acções de marketing muito ao gosto dos jovens empreendedores cosmopolitas, que têm do mundo empresarial visões extremamente sofisticadas e inteligentes, que passam quase todas pelo primado da degradação humana e da “coisificação” do homem e da mulher que trabalham.

A verdade, porém, é que as declarações iniciais do padeiro, cheias de desprezo altivo por quem lhe faz a massa, são o retrato verdadeiro de um país feudal, que retrocedeu décadas nos direitos e na dignidade de quem trabalha e está hoje entregue a “empreendedores” a quem faz falta, como pão para a boca, a quarta classe antiga.

 

Imagem retirada da internet

Os exames do Primeiro Ciclo

primáriaReitero o meu agnosticismo face às eventuais virtudes pedagógicas dos exames de quarto ano, em particular, e dos exames, em geral. Por outro lado, não consigo compreender que os eventuais traumas provocados nas crianças (a carecer de demonstração científica) ou que as semelhanças com outros tempos sejam argumentos suficientes para se excluir a realização dos ditos exames. Não nego, no entanto, que o assunto mereça um debate, ainda que menos apaixonado e o mais informado possível, tendo sempre em conta os interesses dos alunos. Parece-me, a propósito, muito equilibrada a reflexão do Mário Carneiro.

Dito isto, a verdade é que, mais uma vez, o Ministério da Educação e da Ciência (MEC), impondo medidas sem pensar nas consequências, confirmou ser o maior problema da Educação em Portugal, o responsável pelo acumular de caos na vida das escolas e das famílias.

Em primeiro lugar, ao obrigar muitos alunos a deslocarem-se à escola-sede do mega-agrupamento (o trambolho logístico), criou problemas acrescidos a pais e directores. Os primeiros, em muitos casos, viram-se obrigados a fazer malabarismos para levar os filhos ou a abandoná-los no local do exame, com horas de antecedência; algumas escolas, por decisão das direcções, perante a irresponsabilidade do MEC, tiveram de pagar transportes a quem não tinha possibilidade de levar os filhos ao exame. É claro que, com a leviandade do costume, Nuno Crato desvalorizou as críticas[Read more…]

Esquerda, direita, exames

O regresso dos exames no último ano do Primeiro Ciclo reavivou fantasmas reaccionários e revolucionários.

Por uma vez, Nuno Crato revelou coerência entre o que defendia como comentador e o que pratica como ministro, ao revalorizar a importância dos exames. Devo dizer que, como simpatizante do comentador e opositor do ministro, não tenho, perante os exames, uma reacção instintiva de adesão entusiasmada ou de repulsa enojada. Antes procurarei reflectir, o que não me parece acontecer com a direita ou com a esquerda, especialmente se parlamentares, porque a Assembleia da República é, demasiadas vezes, palco de coreografias. [Read more…]