O Mapa Azul Marinho

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No seguimento daquel’outro que ligava Angola e Moçambique, já temos um novo Mapa imperial, desta vez facilmente denominável de Mapa Azul Marinho. O problema estará na disponibilidade que outras potências, em primeiro lugar a Espanha, demonstrarão quanto à aceitação deste delírio de grandeza. Num país onde a compra de dois, repito, dois submarinos – normalmente deveriam ser uns seis ou oito – é pasto fértil para as vacas sagradas da politiqueirice caseira, não deixa de ser uma bastante original “anexação”. Há uns cento e poucos anos, vibrava-se sempre que uma nova unidade – ver imagem acima – era incorporada na Armada. Hoje os tempos são outros.

Vamos a ver se não temos um Ultimatum dentro de algum tempo. O pior é que desta vez não terá a ver com uma vaga reivindicação de um espaço jamais ocupado. Aquele mar – encerrando um maná de riquezas futuras – já foi nosso e poderia voltar a sê-lo, se estivessemos entregues a outra gente. O problema é exactamente colocado assim: SE.

Essa é que é essa.

ZEE, submarinos e fragatas

O Nuno trouxe à baila a questão “submarinos” sob os pontos de vista do dinheiro neles gasto comparativamente a outros buracos da nação e daquilo a que ele chama, e bem, o mapa cor-de-rosa do Atlântico.

Para que passemos de imediato ao cerne da questão, desde já adianto que partilho das suspeitas que envolveram todo este negócio. E que não percebo, ou se calhar percebo bem, como é que quase já passaram dez anos depois da compra sem que nada tenha sido decentemente investigado. Houve presos por corrupção na Alemanha e cá nada se passa. Há os depósitos em numerário nas contas do CDS e nada acontece. Anda o Jacinto Leite Capelo Rego em manobras financeiras e a justiça está convenientemente cega. O negócio submarinos tresanda, disso não sobram dúvidas.

Como forma de maximizar a indignação, algumas linhas argumentativas acrescentam a este rol de podridão a tese de, ainda por cima, a compra ter sido feita sem necessidade. E é aqui que discordo. Tenham paciência mas a análise deve ser mais profunda. E, sobretudo, não era preciso misturar a podridão do negócio, argumento por si suficiente, com a pseudo-discussão (pseudo porque inexistente) da necessidade de termos submarinos.

Comecemos por reflectir no que está em causa. [Read more…]