O Mapa Azul Marinho

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No seguimento daquel’outro que ligava Angola e Moçambique, já temos um novo Mapa imperial, desta vez facilmente denominável de Mapa Azul Marinho. O problema estará na disponibilidade que outras potências, em primeiro lugar a Espanha, demonstrarão quanto à aceitação deste delírio de grandeza. Num país onde a compra de dois, repito, dois submarinos – normalmente deveriam ser uns seis ou oito – é pasto fértil para as vacas sagradas da politiqueirice caseira, não deixa de ser uma bastante original “anexação”. Há uns cento e poucos anos, vibrava-se sempre que uma nova unidade – ver imagem acima – era incorporada na Armada. Hoje os tempos são outros.

Vamos a ver se não temos um Ultimatum dentro de algum tempo. O pior é que desta vez não terá a ver com uma vaga reivindicação de um espaço jamais ocupado. Aquele mar – encerrando um maná de riquezas futuras – já foi nosso e poderia voltar a sê-lo, se estivessemos entregues a outra gente. O problema é exactamente colocado assim: SE.

Essa é que é essa.

A Moody’s cor de rosa

Desde 1884 que não se via nada assim: a pátria levantou-se, do Facebook ao presidente dos outros portugueses, e brama: contra a Moody’s marchar, marchar.

Os mesmos que se riram quando a mesma agência fez o mesmo à Grécia agora indignam-se (pimenta no orifício alheio é sempre refresco). Os mesmos que querem pagar a dívida toda com os juros ainda mais altos e nos prazos mais apertados, indignam-se. Os mesmos que insistem na austeridade acreditando no milagre da multiplicação das falências no deserto e da sua transformação em crescimento económico, indignam-se. Os que se indignavam com os indignados, indignam-se. Valham-nos os crentes da mais absolutista fé nos mercados, que não se indignam. E em solidariedade com as minorias confesso que me indigna muito mais a troika e o eixo bancário franco-alemão que as agências de ranking.

Espero ao menos que esta cavalgada heróica inspire músicos e vates, resolvendo um problema já secular: saía um novo hino para este país do canto da Europa, sff. Tirando a graça de ser contra os ingleses, o actual já cansa, os nossos egrégios avós merecem repouso e um país também renasce refazendo as suas canções guerreiras.

Centenário da República: o Ultimato

Um dos acontecimentos que mais contribuiu para o desgaste e descrédito da instituição monárquica foi a questão do Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, faz hoje 120 anos, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no famoso Mapa Cor-de-Rosa (que vemos acima), editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reivindicando, a partir da Conferência de Berlim de 1884/5, uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique. Vejamos o mapa em versão simplificada.


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