0-0 ao intervalo

democracia

De quando em vez, há eleições. Endireitam-se as gravatas, toma-se banhoca duas vezes ao dia, engraxam-se os discursos, escovam-se os sapatos, esgalha-se um amplo sorriso, ligam-se os microfones e os megafones, bota-se uma faladura, sacam-se uns aplausos, levantam-se umas bandeirolas, içam-se a moral e o moral, mais aplausos, três sardinhas, dois copos de vinho, tinto da casa, a mão que acena, o pé que dança, o flash que dispara, bota uma selfie, a multidão que resfolega, o sono que ataca, o café que não vem, o café que vem frio, mão na buzina, eia, eia, eia, passa a caravana, o cão abana a causa de contente, recolhe à casota, a lua se levanta, adormece o cão, sai o gato . Vem o boletim, bota-se a cruz a caneta. É segunda-feira. Toca o despertador. Acabou-se a vaselina.

São quatro anos sempre a rasgar

Comments

  1. alexandre barreira says:

    ….banha de porco….também serve…………..!!!!!

  2. Paulo Marques says:

    A culpa é sempre da tina.

  3. Bento Caeiro says:

    Nas eleições, tal como na atitude de quem quer obter algo ou alguma coisa, nunca me surpreendeu a forma e atitude que cada um toma para conseguir o que pretende.

    Mas já me surpreende o comportamento dos que estão do outro lado, tal como uma grande parte do eleitorado.

    Daí, no caso de quem pretende um emprego ou cargo, tanta literatura e polémica em relação aos currículos e aos percursos profissionais e escolares de cada e, também, de tanta mentira e meias-verdades. Mas, fico a pensar, que razões levam os que recebem e apreciam os currículos, sabendo tudo isto, a dar alguma credibilidade àquilo?
    Tal como na forma como se desencadeiam e finalizam certos negócios, como os das célebres parcerias entre o Estado e o Privado, PPP, porque, também não creio que, pelo menos, uma das partes, não conheça a mentira ou meias-verdades do que ali está escrito?

    Considerando os envolvidos, para além dos principais interessados – no cargo político, no emprego, nos negócios -, onde os fins justificam os meios, só obtenho uma resposta:

    Procedem assim porque entram no jogo.

    Estou mesmo convencido que, hoje, o processo democrático é tão só um jogo, onde os meios justificam os fins, na perspectiva de alguns cargos e empregos, ou benefícios em negócios por parte de alguns e na manipulação da maioria, convencendo-a que tudo isto é para o seu bem.

    Como a engrenagem já está de tal modo oleada e afinada e, já há muito (Tal é o estado do buraco!), dispensou a vaselina, para se fugir a isto só recusando não entrar no jogo, fugindo com o rabo ao acto.