A inversão completou-se

Os oprimidos passaram a opressores e os libertadores transformaram-se nos perseguidores.

Israel e Estados Unidos da América completaram a inversão dos papéis que tiveram na segunda guerra mundial.

Trump não faz estes ataques racistas por acaso. Ele tem uma forte base de apoio no seu eleitorado e nos congressistas republicanos, o que diz muito sobre a generalidade dos americanos também.

Na defesa do seu presidente, um congressista republicano, caucasiano, chega ao ponto de dizer que ele próprio é uma pessoa de cor. “I think we’re going way beyond the pale right now. They talk about people of color. I’m a person of color. I’m white. I’m an Anglo-Saxon”. A negação é, também, uma forma de perpetuação.

Por outro lado, Trump ensaia o discurso, sem recuo, de as quatro congressistas que ele atacou terem ódio à América, assim justificando a sua tirada “se não se sentem bem cá, que se vão embora”. A baixeza da argumentação é óbvia, mas mesmo assim, vamos desmontá-la. Três das congressistas nasceram na América e essa é a terra delas. A quarta naturalizou-se americana aos 11 anos, sendo, igualmente americana. Não há lugar a um suposto “voltar à terra delas”, tal como não há lugar para mandar Trump de volta para o país da sua ascendência. Em segundo lugar, Trump confunde, propositadamente, o ódio à América com o ódio ao que ele faz. Só um narcisista como ele poderia achar que ambas as coisas são coincidentes. O que Trump faz é odioso, desde o seu discurso de ódio, passando pelas constantes rasteiras na diplomacia internacional, pela sua admiração por diversos ditadores e pela separação das famílias na fronteira mexicana, entre muitas outras coisas. E só numa ditadura é quem ninguém ousaria ter a decência de se opor às suas monstruosidades.

Ganhe ou não as próximas eleições, Trump conseguiu dividir a América e, pelo caminho, apagar a chama do spin “espalhar os altos valores da democracia” que os americanos sempre usaram para justificar as suas guerras. Independentemente dos números da economia, não é preciso muita clarividência para se perceber que um país dividido e com perda de credibilidade internacional não é uma nação que está melhor. Sem ir mais longe, repare-se no antigo Império Romano, que caiu apesar da sua riqueza.

Já se pode afirmar sem contestação que Trump lidera a extrema-direita nos EUA? E por cá, o Presidente da República não quererá aproveitar para convidar a Le Pen para cá vir ao mesmo tempo de Trump? As escolhas fazem as pessoas. Ou revelam-nas.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O que vi na televisão, foi a reposição da denominada “Reichskristallnacht” ou, se se quiser, a “noite de cristal do reich” nazi.
    Era assim que Hitler empolgava as multidões.
    E é este nazi que o sr presidente da república deseja que nos visite?
    E um pouco de vergonha, não lhe ficava bem sr. presidente?

  2. pvnam says:

    A CONVERSA DO RACISMO-XENOFOBIA NÃO COLA:
    – O PESSOAL QUE NÃO QUER TRABALHAR ESCONDE-SE ATRÁS DO RACISMO-XENOFOBIA!
    [o pessoal que não quer trabalhar para a sustentabilidade demográfica-e-financeira que fique na sua… agora não chateie é os povos autóctones que procuram sobreviver pacatamente no planeta… olha, se quiserem, juntem-se ao ‘pendura’ europeu: estes ‘penduras’ vão naturalizando salvadores da demografia, e vão vendendo tudo o que puder a estrangeiros endinheirados]
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    O pessoal do racismo-xenofobia ESTÁ EM CONLUIO com os maiores criminosos de ódio da História: os economic-nazis.
    {os economic-nazis destilam ódio/intolerância para com Intenções Identitárias… pois… Intenções Identitárias prejudicam investimentos}
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    1. Os «grupos rebeldes» (daesh e outros) não possuem fábricas de armamento… no entanto, máfias do armamento fornecem-lhes armas… para depois terem acesso a recursos naturais (petróleo, etc) ao desbarato…e para depois… deslocarem refugiados para locais aonde existem investimentos interessados em mão-de-obra servil de baixo custo.
    Ora, o pessoal do racismo-xenofobia (tal como os economic-nazis) não condena os países aonde a máfia do armamento possui as suas fábricas… em vez disso fazem uma outra coisa: querem que sejam decretadas sanções contra os países que não permitem a chegada de mão-de-obra servil ao desbarato (refugiados) aos investimentos interessados em tal.
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    2. O pessoal do racismo-xenofobia (tal como os economic-nazis) procuram implementar um sentimento de culpa mo mais pacato dos cidadãos… tendo em vista a implementação da seguinte doutrina: a ajuda aos pobres deve ser efectuada por meio da degradação das condições da mão-de-obra servil… e não… por meio da introdução da Taxa-Tobin.
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    3. O pessoal do racismo-xenofobia (tal como os economic-nazis) acusam os Identitários de serem fascistas/nazis… ora, os Identitários não estão interessados em ocupar novos territórios, apenas procuram sobreviver pacatamente no planeta… PELO CONTRÁRIO… muito pessoal do racismo-xenofobia tem uma ATITUDE NAZI: procuram pretextos para negar o Direito à Sobrevivência de outros, e procuram ocupar e dominar novos territórios.
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    MOVIMENTO-50-50:
    -»»» blog http://separatismo–50–50.blogspot.com/

  3. whale project says:

    Invadir o Iraque, destruir a Líbia, fazer o mesmo na Síria, sancionar todos os de que não gostamos é querer viver pacatamente no nosso canto? Vá dar banho ao cão!


  4. É estranho esse congressista Mike Kelly definir-se como anglo-saxão. Desde quando é que os irlandeses são anglo-saxões?

  5. JgMenos says:

    Esta treta dos ‘coitadinhos, porque sim’ vai acabar mal.
    Os idiotas dos democratas acham que derrotam Trump com a merda do corretês da esquerdalhada europeia.
    Vão acabar por elegê-lo!


    • Isso dos “coitadinhos, porque sim” é o quê? As pobres vitimas do “politicamente correto”?

      • Paulo Marques says:

        Porque não conhece nenhum e recusa-se a acreditar nas estórias pessoais, porque, afinal, nunca testemunhou as piores e nunca reparou no que não era com o seu cú privilegiado, ou não percebeu que são o hora a hora da vida das pessoas e não uma das chatices que acontecem.

    • Paulo Marques says:

      Portanto, achincalhar representantes eleitos em eleições democráticas é fixe, e, no entanto, de que se queixa o nosso querido Menos na notícia a seguir?
      Ou outra, cumprir o sonho americano e ascender muito além das raízes é óptimo… excepto se forem mulheres, negros ou muçulmanos, ainda por cima quando querem o mesmo para os outros.
      Não te preocupes, fofo, na segunda já voltamos ao politicamente correcto das contas certas, salários de miséria e rendas aos capitalistas. Estranhamente, sobre esse estás sempre calado.


  6. …” E por cá, o Presidente da República não quererá aproveitar para convidar a Le Pen para cá vir ao mesmo tempo que Trump? …”

    ! não lembre esta aos assessores do PR marcelo,
    j. manuel cordeiro !!! ; )

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