A Roménia aqui tão perto: Rosia Montana no Alentejo?

Há mais de 20 anos que o povo da pequena aldeia de Rosia Montana, na Roménia, luta contra a instalação de uma mina de ouro que iria destruir a sua aldeia, expulsando os seus habitantes e arrasando as suas casas. Essa luta corajosa passou também pela Justiça, conseguindo que um tribunal romeno tenha dado razão à população e ordenado a interrupção do projecto de exploração mineira.

Mas isso não fez desistir o maior financiador do projecto, a empresa canadense Gabriel Resources, de o levar adiante, accionando a justiça paralela exclusiva para multinacionais estrangeiras, o famigerado ISDS (Investor-State Dispute Settlement). A sua exigência: cobrar à Roménia 5,7 mil milhões de dólares como compensação por perda de lucros reais e futuros. Uma quantia tão elevada como o gasto do Governo romeno com a Educação.

Pode este caso parecer longínquo, sem relevância para Portugal. Mas não é. Ora vejamos:

São milhares de árvores protegidas por lei, um dos montados mais bonitos do concelho de Grândola e o sustento de várias famílias. Agora, vários agricultores temem que os seus sobreiros sejam destruídos pela Mina da Lagoa Salgada, um projeto que ainda aguarda aprovação mas já está a apoquentar várias povoações. Os agricultores já testemunharam um cenário parecido nas imediações, com a exploração de outras minas – o pior surgiu quando estes projetos foram encerrados e as pessoas foram deixadas desamparadas. Temem que não se tenha aprendido com os erros do passado e que a ganância se sobreponha às preocupações com o ambiente e com as populações.” O consórcio Redcorp e EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro detém uma área concessionada pelo Estado para a prospecção e pesquisa de depósitos minerais como cobre, zinco, ouro e prata. Esta área, chamada Lagoa Salgada, tem 10 700 hectares, ou seja, o equivalente a dez mil campos de futebol, que se estendem pelos concelhos de Grândola, Alcácer do Sal e Ferreira do Alentejo.”

E quem está por trás destas actividades?

“A última mudança acontece em junho de 2018, quando a empresa volta a ficar nas mãos dos canadianos: a firma suíça chegou a acordo com uma companhia chamada Ascendant Resources que é agora responsável por parte desta subsidiária portuguesa, que tem sede em Braga. Além disso, a Ascendant descreve no seu site que detém atualmente 25% da Redcorp, mas “tem a opção de chegar aos 80% após serem alcançados determinados objetivos”.

Para que saibais onde isto pode ir parar, caros alentejanos, olhai para o exemplo de Rosia Montana e preparai-vos.


P.S. – Entretanto, vale a pena assinar a petição pelos Direitos Humanos, contra o ISDS aqui: https://www.plataforma-troca.org/stop-isds/

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Não diga isso, que ainda os assusta com querermos fechar o país e abandonam logo a EDP…
    /s


  2. Ana Moreno, mais um alerta seu e informação que nos mostra em concreto como actuam os (g)aranhões dessa teia que nos vai imobilizando na destruição ambiental e em direitos humanos, o ISDS e as empresas gigantes aos quais a ganância e os interesses cúmplices de responsáveis nossos representantes supostamente nos venderam traiçoeiramente .

    Àqueles que nos classificam de vozes de acefalia ideológica porque são eles que o são quando nos julgam como quixotescos e fanáticos, que sejam eles as primeiras vítimas a serem trituradas nesta engrenagem que ajudaram a olear !
    grrrrrrr….!!!

    Ana Moreno, o seu apelo aos alentejanos de Grândola vila morena para que se insurjam já era ! …..

    E tudo isto vai minando a esperança justa de mundo melhor e mais bonito . Os vampiros estão aí, sempre !
    Mas aqui estamos, companheira . Abraço solidário.

    • Ana Moreno says:

      Pelo menos andamos de olhos abertos, companheira Isabela. Um forte abraço!

    • Luís Lavoura says:

      Ana Moreno, mais um alerta seu que nos mostra como actuam os (g)aranhões

      A Isabela e a Ana Moreno têm medo de garanhões?

      • anticarneiros says:

        Deixe essas bocas foleiras par a “geração de merda”

      • Nascimento says:

        Quem te M…… va a era eu e com prazer, um rapazinho como tu lavadinho todo nu… ia-te ao …. e dava-te conselhos á la Bocage….meu monte de M…a.

        • anticarneiros says:

          Olha um da “geração de merda”.

          Tocaram-te na ferida

        • anticarneiros says:

          E alem do mais ignorante, como de resto seria de esperar da “merdosa geração”

          Esse poema não é do Bocage, meu nabo

          • Nascimento says:

            saui-me…ó tótó! respondia ao Laboura e não a ti! O á la Bocage é pertença desta margem …Setubalense…tão somente! Vicios!enquadrado?Preferencias… sempre o daqui da Casa.
            O Boto que me desculpe, inté gosto dele …quanto ao “nabo” enfia-o…

          • José Peralta says:

            Nascimento

            Para evitar confusões e equívocos desses,, eu costumo pôr sempre o nome da pessoa a quem quero responder…

      • José Peralta says:

        Luís Lavoura

        Você tem a mania que é “engraçadinho”, não é ?

        E sobre este tema candente, você resolve passar ao lado e fazer “humor de estrebaria” !

        Ora, perore lá sobre o VERDADEIRO TEMA DESTE POST :

        “São milhares de árvores protegidas por lei, um dos montados mais bonitos do concelho de Grândola e o sustento de várias famílias. Agora, vários agricultores temem que os seus sobreiros sejam destruídos pela Mina da Lagoa Salgada, um projeto que ainda aguarda aprovação mas já está a apoquentar várias povoações. Os agricultores já testemunharam um cenário parecido nas imediações, com a exploração de outras minas – o pior surgiu quando estes projetos foram encerrados e as pessoas foram deixadas desamparadas. Temem que não se tenha aprendido com os erros do passado e que a ganância se sobreponha às preocupações com o ambiente e com as populações.”

        Ou sobre isto que, a ir para a frente, de maneira próxima ou distante, nos vai afectar a todos, ao país, você não tem nada a dizer ?


  3. E entretanto cada vez mais a inquietação maior que nos devia assistir a todos de modo muito sério :

    ” Até há pouco tempo, a comunidade científica e os líderes mundiais falavam em décadas para agir sobre o clima. Mais recentemente, o prazo passou para os dez anos, mas parece que serão as decisões tomadas nos próximos 18 meses as mais cruciais para travar as alterações climáticas.

    O mais recente aviso sobre o tópico surgiu na Reunião dos Ministérios Estrangeiros do Commonwealth, que teve lugar em Londres no dia 10 de julho, num discurso do príncipe Carlos.
    “…Acredito que os próximos 18 meses vão decidir a nossa capacidade de manter as alterações climáticas em níveis suportáveis para a existência e nos quais consigamos restaurar o equilíbrio que precisamos para a nossa sobrevivência”.

    O monarca falava sobre os eventos com os vários líderes internacionais, que vão ter lugar nos próximos meses, até 2020.

    No ano passado, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para limitar o aquecimento global em 1,5 graus (o limite considerado seguro pelos cientistas) até ao final do século, as emissões de CO2 terão de ser cortadas em pelo menos 45% até 2030. Um indicador preocupante, uma vez que as tendências atuais apontam para um aquecimento de 3 graus ou mais até 2100.

    Para atingir este objetivo ambicioso, de acordo com a BBC, os cientistas apontam que os grandes cortes nas emissões de gases poluentes têm de acontecer até ao final do próximo ano. Esta é também a data limite do Acordo de Paris, que visa a aplicação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

    A matemática do clima é brutalmente clara: apesar de o mundo não poder ser curado nos próximos anos, pode ficar fatalmente ferido por negligência até ao final do próximo ano”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador do Instituto Climático de Potsdam.
    ***************************************

    ! e o pior é que, perante problemas como os apontados por este post de Ana Moreno e outros, nem só os gases poluentes nos ameaçam e ao futuro dos vindouros !


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