Os perigos do comunismo

Há razões fortes, a não menosprezar, para rejeitar o comunismo.

Começando pela economia, desde logo a banca seria nacionalizada, trazendo aos cidadãos o ónus de um sistema financeiro ineficiente e corrupto. O sistema produtivo acabaria nas mãos de alguns oligarcas, com decréscimo de competitividade por falta de concorrência e com controlo total sobre o mercado de trabalho. Estas transformações acabariam por criar grandes desigualdades na sociedade, gerando grupos, pequenos, extremamente ricos, ao lado de uma maioria com dificuldades em manter-se acima da subsistência.

Também a liberdade, individual e colectiva, sofreria um forte revés. A comunicação social iria progressivamente ser absorvida por grupos dominantes até que a liberdade de expressão estivesse fortemente condicionada, fosse por via de novas leis ou por condicionamento económico dos jornalistas. A população acabaria num estado de vigilância permanente e sujeita a contínua propaganda, onde uma mentira repetidamente repetida se transformaria em verdade.

Educação, saúde e segurança passariam a ser memórias de outros tempos. A necessidade de alimentar a oligarquia que viveria à sombra do partido levaria ao sucessivo desinvestimento até que o acesso a estes serviços passasse a exigir o recurso a serviços privados, para colmatar a ineficácia do sistema público.

O comunismo traria um cenário caótico ao país. Assim nos têm dito desde que voltámos ao regime democrático.

Agora volte-se a ler este artigo, trocando comunismo por PSD/PS/CDS, que foram os partidos que até agora estiveram nos diversos governos.

Veja-se como os anunciados perigos do comunismo foram, na verdade trazidos pelos partidos de poder. E conclua-se sobre a boa fé destes partidos.

Mas que não haja ilusões. Fossem outros os partidos no governo e os resultados seriam os mesmos, tal como temos verificado em países com realidades políticas diferentes. O problema está nas pessoas. No que estas aceitam e nas escolhas que fazem. A mudança começa em cada um.

Lamento, o conceito de grande desígnio é uma ilusão.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Numa conversa que mantinha há muito pouco sobre este tema, explorávamos o conceito da palavra “democracia”.
    Democracia transformou-se num chavão, onde todos são democratas, mas muito poucos conhecem o verdadeiro significado do que representa a democracia, enquanto responsabilidade.
    A descrição que faz – extraordinariamente clara – leva-nos a concluir que estes partidos políticos de pacotilha, onde entram chavões tais como “socialismo”, “social democracia” e “liberalismo”, desconhecem, eles também o significado da palavra democracia, enquanto livre escolha apoiada em vivências e estudo e não seguramente, na mísera bandeira que os acompanha sempre.
    Tenho um profundo respeito pela palavra democracia e como ela se manifesta. Não há democracia num país onde a informação é “canalizada” e o ensino não seja de molde a ensinar o que é a vida cívica e democrática. Democracia significa instrução política, algo que não existe em Portugal, na Europa nem nos Estados Unidos. Se quiserem continuar a falar de democracia, respeito o direito, mas não é a minha democracia.
    Naturalmente que prefiro este sistema a qualquer outro. Mas o que eu acho é que ele se está a degradar de um modo irreversível. De resto, a entrada em cena de constantes correntes de extrema direita são disso resultado. A esquerda, não tendo morrido, tem uma longa travessia no deserto a fazer, se quiser, naturalmente, pois não me parece que o caminho do BE vá no bom sentido. Antecipo, contudo, que vai ser a destruição causada, desta feita, pela extrema direita, que fará arrepiar caminho a esta política actual de interesses feudais.
    Regredimos claramente no tempo. Resta saber qual será o custo deste laxismo.

    • j. manuel cordeiro says:

      No fim do dia, não há democracia sem dinheiro no bolso, que é outra forma de dizer que em casa sem pão, todos ralham e ninguém tem razão.

      Acompanho-o na escolha. Também eu prefiro este regime a qualquer outro. É um chavão mas não deixa de ser verdade: é o melhor dos maus regimes.


  2. Ernesto M. V. Ribeiro, aceite 5* para este seu comentário ao excelente post de j. manuel cordeiro !

    ! assim dá gosto vir até aqui fazer pausa e tomar um arejo, aventar e sair com mais bagagem de suporte para seguirmos caminho desentupindo entulhos e lixo e corrigir direcções e destino …
    ! continuem por aí : )

  3. Rui Naldinho says:

    O perigo do comunismo é comerem criancinhas ao pequeno almoço, o que num país como Portugal, muito envelhecido e com uma baixa taxa de natalidade, é meio caminho andado para se cumprir aquele último presságio de Cavaco Silva, “reformamo-nos aos 80 anos”.
    Tenho medo do comunismo sim, porque acho que tenho direito a reformar-me aos 65, e não estou minimamente disposto a ir para o emprego com fraldas de incontinência.

    Já agora, concordo com tudo o que o Ernesto escreveu. Vê-se logo que não é comunista.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro Rui Naldinho.
      Penso que, depois das experiências políticas que têm sido introduzidas na Europa desde a revolução francesa de 1789, a política deveria ser reescrita. E isto porque esta Europa experimentou, no passado todo um conjunto de políticas que vão desde o fascismo ao comunismo, passando pela social democracia e pelo liberalismo, constituindo uma experiência única de uma zona do globo que deveria ter aprendido e muito, com as sucessivas mutações.
      A minha dúvida é saber se, de facto aprendeu alguma coisa.
      A Europa percorreu um caminho de aprendizagem constante, desde a sua existência, mas particularmente no período pós revolução francesa de 1789 e as réplicas de 1837 e da Comuna de Paris em 1872.
      Foi a Europa que criou a América do Norte e a América do Sul, com tudo o que de positivo e negativo têm.
      Mas o que dói verdadeiramente é constatar que esta Europa, em vez de se recolher sobre os avanços e recuos e disso extrair lições, prefere copiar a sua criação que vive do outro lado do Atlântico, juntando ao fascismo, ao comunismo, à social democracia e ao liberalismo o capitalismo selvagem que importou desavergonhadamente.
      A Europa deveria reescrever a sua política de base, juntando TODOS os conceitos positivos para a comunidade gerados pela multiplicação de políticas, construindo a sua DEMOCRACIA.
      Mas em vez disso constato que esta decrépita Europa prefere abastardar-se com outro tipo de conceitos. Isto acontece porque temos políticos que, para além de corruptos, são ignorantes atrozes que renegam a sua própria vivência.
      E o mal está no facto de, nesta “democracia”, ser o povo que os elege.
      Concluo: Temos, de facto, o que merecemos.
      Cumprimentos.


      • …poderei acrescentar que foi esta Europa igualmente a causadora de todo o “eixo do mal”, caos de conflitos
        de fronteiras e poderios geo-políticos do médio oriente ao longo da história, com todas as sequelas bélicas e trágicas e cruéis que sabemos desde essa intromissão até hoje, com a tragédia humana da imigração a acontecer de forma chocante e desumana !
        Razão pela qual haveria que ser outra a Europa que não esta que, como bem afirma, Ernesto M.V.Ribeiro :

        —“… esta decrépita Europa prefere abastardar-se com outro tipo de conceitos. Isto acontece porque temos políticos que, para além de corruptos, são ignorantes atrozes que renegam a sua própria vivência.”

        Não, não “temos o que merecemos” quem defendeu sempre e defende ainda com firmeza de carácter e princípios o humanismo social com a devida DEMOCRACIA inerente .

        Merecemos melhor e mais alto, sim, teremos é que acreditar e lutar por isso e passá-lo aos vindouros
        ….ou isto é já romantismo “démodé ” dos sonhos dos anos sessenta ?? :((

      • Rui Naldinho says:

        Ernesto, por norma concordo com quase tudo o que escreve. E desta não fujo à regra. Muitas vezes não comento os seus textos, limito-me a pontuá-lo, porque tão clara e oportuna é a sua prosa, ou melhor, o seu raciocínio, que escrever por cima, só se acrescentar mais alguma coisa.
        Cumprimentos

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Pois fique à vontade para acrescentar porque também gosto muito de o ler. E venho aprendendo sempre.
          Obrigado e cumprimentos.

  4. JgMenos says:

    Uma rábula que tem um só pressuposto válido: o poder do Estado tem que ser limitado ao ponto de o impedir de dominar a sociedade.

    • Paulo Marques says:

      É, nos países mais ricos ou nos mais igualitários ou nos mais educados, …, têm todos um estado pequeno que nunca escolhe vencedores. A começar pela minúscula casa branca.


  5. Borrei-me de medo ao ler este post, não percebo esta cruzada contra os moinhos de vento virtuais do comunismo que está ao virar da esquina… Vai mesmo acontecer o que o post prevê com este governo? Será que confundem comunismo com socialismo ou família socialista?

  6. Julio Rolo Santos says:

    O comunismo e o fascismo sempre se encontraram em pólos opostos mas, de um e outro, venha o diabo e escolha. Por mim, prefiro ficar-me pelo centro mas mais encostado á esquerda. Sempre é mais soft.

    • Paulo Marques says:

      Provavelmente. Mas há muito mais espaço na esquerda do que esperar por migalhas de Berlim.

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