Filhos e enteados

Quem viva em zonas de influência de monumento nacional, ou com protecções semelhantes, que experimente trocar as janelas, colocar painéis solares ou alterar a cor da casa. Já para não falar de alterações que envolvam alvenaria.

Imagem: O “monolito” que Nuno Grande desenhou junto a São Bento divide opiniões

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Se fôr a Viena, por exemplo, repara que todas as janelas no centro da cidade são à moda antiga, ou seja, de qualidade muito merdosa. Para se proteger do frio, as pessoas colocam por dentro da casa uma segunda janela, o que é permitido. Ou seja, em vez de terem uma só janela de boa qualidade, todas as casas têm duas janelas de má qualidade. O que não é uma boa solução (uma boa janela moderna oferece melhor proteção do que duas más janelas antigas).
    Isto é para dizer que não é somente em Portugal que é proibido pôr janelas novas quando se está perto de um monumento nacional.
    O meu amigo em Viena queixava-se, precisamente, de que é muito chato morar-se numa cidade que é uma atração turística, porque há uma série de limitações que tornam incómoda a vida aos habitantes.

    • Pimba! says:

      Estou cheinho de penha desses seus amigos vienenses…
      Täo espertos que näo sabes meter uma 2.a janela “boa”, como fazem os MEUS amigos vienenses, e senenses, e todos os outros que têm a sorte de viver em cidades históricas.

      Arranje amigos mais espertos!

  2. Luís Lavoura says:

    Uma das coisas que eu acho atraentes no Porto é precisamente os contrastes. Vêem-se prédios com cores berrantes junto a outros em granito, antigas casinhas junto a prédios novos e altos, etc. O monolito é feio, em minha opinião, mas é um dos contrastes tão típicos do Porto.

    • Pimba! says:

      Vê-se bem a sua falta de chá.
      O que atrai nas cidades históricas é precisamente estarem preservadas de modernismos espúrios, o que as faz terem muitos turistas, que lhes querem ver a alma.

      Nessas cidades os modernismos säo metidos nas áreas novas, basta ver por exemplo a zona da La Defense em Paris. Mas há muitas mais.

      “Alma” é perene, o turista vê, e volta.
      “Contrastes” é coisas de chico-esperto, o turista vê uma vez, e nunca mais volta.

  3. Paulo Marques says:

    Podia ser pior, podia ser uma daquelas obras do excelso Souto de Moura que só dão problemas. O mau mesmo é não ser habitação.

    • Rui Naldinho says:

      Se as obras do Souto Moura dão problemas, então o que dizer das obras do Santiago Calatrava.
      É normal que um arquitecto queira deixar a sua marca numa determinada obra, por si projectada. Também é verdade que o dono da obra é o personagem determinante naquilo que se constrói, e não o arquitecto. Como também é verdade que as Câmaras cedem a interesses vários, em especial nas obras mais emblemáticas, fruto da pressão política, financeira, ou da velha ameaça, “se não me deixas fazer, vai continuar a cair aos bocados até se transformar numa ruína”.
      Este é o paradigma do urbanismo Tuga.

      Só um pequeno reparo:
      Nem tudo o que é contra corrente, ou que destoa da norma, pode ser considerado um atentado à paisagem e às boas práticas.
      Eu imagino, “até fico com as orelhas a arder”, no final do século XIX, os comentários e as análises feitas nas redes sociais daquela época, os bancos de jardim, as esplanadas dos cafés parisienses, os clubes mais ou menos elitistas, sobre a construção da Torre Eiffel.

      • Joao says:

        Houve até um abaixo assinado para deitarem a Torre abaixo!! Diziam que aquela estrutura desfeiava a cidade!!

      • Pimba! says:

        Só porque há o Calatrava a fazer mrd isso näo desculpa os outros, ANTES PELO CONTRÁRIO!

        E a diferenc,a é que a Torre Eiffel foi construída longe de qualquer edifício (no Campo de Marte) propositadamente para a Exposição Universal de 1889, e até era para ser temporária.

        Estes mamarrachos merdernos säo metidos ao lado de edifícios históricos, e infelizmente säo para lá ficar permanentemente.

  4. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Deixemo-nos de tretas. Aquele mamarracho é apenas um murro na paisagem, um atentado vergonhoso ao conjunto arquitectónico local, ao diálogo que as construções mais vetustas estabelecem entre si e que proporcionam uma determinada emoção estética. Tudo isso foi destruído pelos arquitectos manhosos que acham que ser avançado é esmagar o ambiente e o contexto para prosseguir a arquitectura do caixote, a única que os seus espíritos saloios são capazes de concretizar. Basta ver a total e absoluta incompetência sua para construir igrejas modernas que o sejam realmente, e não meros armazéns do bacalhau.

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