Serás considerada culpada até provares o contrário

Paula Montez, uma activista pela não-violência, foi constituída arguida num processo pouco justo e totalmente opaco, a que pode não estar alheio o seu activismo. Pede a ajuda de todos os que estiveram no 14n em S. Bento.

Governar pela força

Um testemunho de quem experimentou hoje, pela primeira vez, as bastonadas da polícia.

 

Deputados e ex-presidentes com dignidade, tenham-na

Aos anos que ouvimos a direita na mesma choraminguice, que as comemorações oficiais do 25 de Abril não fazem sentido, que ninguém liga nenhuma aquilo, que não é pedagógico, que é como as velhas comemorações do 5 de Outubro uma mera romagem de saudade, carpindo-se com a periodicidade anual dos pólens nesta altura abundantes e difusores de alergias.

Subitamente tudo mudou, apenas porque quem fez o golpe militar afirma que apenas na rua onde se fez a Revolução (que quiseram “evolução“, lembram-se?) o vai comemorar este ano. Aflição geral na direita, que a democracia são eles, os que foram eleitos (o facto de o terem sido prometendo não fazer tudo o que têm feito não interessa nada, é a democracia-voto-cheque-em-branco onde escrevem as mentiras que ainda hão-de vir), que é um despautério, afrontamentos da terceira idade, balha-me-deus. [Read more…]

A provocação

Nos finais do dia da Greve Geral houve uns incidentes em S. Bento. Nada do outro mundo: manifestação, escaramuças com a polícia, um pouco de sangue e emoção para a abertura dos telejornais. Mas com uma novidade nacional: nesta fotografia vemos dois manifestantes a furar o cordão policial, não vemos?

Não, não vemos. A PSP infiltrou agentes entre os manifestantes, o que parecendo que não dá jeito quando não acontece nada e fazem falta incidentes que ofusquem uma greve geral.

Não vou ter a ingenuidade de atribuir toda a confusão a estes senhores (sei o que é uma manif e como nos tempos que correm são inflamáveis). Mas alguém tinha de acender o fósforo. [Read more…]

A comunicação do Primeiro-Ministro ao país, feita na véspera da troika apresentar o memorando

o ilusionista

É de ler e ouvir o que Sócrates disse ao país sobre o que o não seria o memorando da troika e o que, depois, se veio a saber. Engana-me, que eu gosto.

Sobre a participação de Teixeira nos Santos no One Man Show Sócrates

sócrates e teixeira dos santos - comunicação ao país sobre a troika

Sócrates pede à oposição “sentido de responsabilidade” e elogia Teixeira dos Santos (e comprova-se que Teixeira dos Santos ainda não foi para as Caraíbas ou para outro lugar distante da próxima campanha eleitoral).

 

Adenda
Se procura a tradução do  ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’, siga este link.

A mensagem de Sócrates ao país sobre a ajuda externa

Nota: Se procura a tradução do  ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’, siga este link.

 

Citando de memória, foi isto que Sócrates disse ao país:

Governo chegou a acordo hoje. É um acordo que defende Portugal. A imprensa andou a dar notícias especulativas. Não há mexida no subsídio de férias nem de Natal. Não há mais cortes na FP. Não é reduzido o salário mínimo. Cortes nas pensões a cima dos 1500 €. Aumento das pensões mínimas. Não é precisa revisão constitucional. Não há privatização na CGD. Não há despedimentos na FP. Saúde continua tendencialmente gratuita. Mantém-se a escola pública. Não é privatizada a SS. Nem alterações nas idades da reforma.  Ainda não pode adiantar detalhes [Se não é completo qual é a credibilidade disto?].

As principais 5 medidas são:

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Dia complicado para os pavões

The Dead PeacockSócrates vai falar ao país em S. Bento. No mesmo local onde deu à TVI a última entrevista. Dia complicado para os pavões.

 

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Períodos de céu muito nebulado aguaceiros fortes em S. Bento

Há dias assim, chovem escutas do processo Face Oculta, ou melhor, do processo que não nasceu desse processo, onde magistrados encontraram indícios de

de um plano governamental para controlar a comunicação social,

ao que altos magistrados responderam não haver crime nenhum, e é justo, nunca um governo de Portugal deixou de tentar controlar tudo o que comunica e foi judicialmente acusado por tal.

Dias em que pelos lados das Caldas se encontrou uma casa de apoio da ETA, e como vivemos num país de brincar a fonte de informação da polícia é divulgada pela comunicação social, lá está, o governo devia controlar estas coisas, promovendo por exemplo os seus bloguéres oficiosos a coronéis censores, isso é que era, publicar os mailes dos jornalistas do Público sim, conversas de Vara não, que como diz o seu advogado torna tudo tão ridículo com as cartas de Pessoa à Ofelinha.

O tempo não está bom está mau para manifes, como a da Função Pública que hoje atravessa Lisboa, “uma forma de chantagem” diz um tal de Castilho dos Santos, secretário de estado do Marcelo Caetano, ou Sócrates, tanto faz, um tipo que acusa os sindicatos de terem

um discurso “passadista, retrógrado e conservador”.

e está certo, sindicatos prafrentex pediam redução salarial e carreira congelada, embora hoje me pareça um dia menos frio que o de ontem, em que o ministro das Finanças andou a ameaçar a oposição por causa de uns trocos para a Madeira, sim, de uns trocos, o grosso do Carnaval funchalense tem sido pago todos os anos, quer chova, quer faça Sol.

O país está em alerta, de acordo com as previsões do Instituto de Meteorologia. Eles é que sabem.

Alternadeiras e palhaços

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O pitoresco caso Nogueira Pinto/Ricardo Gonçalves, deu azo a uma catadupa de protestos e manifestações do direito à indignação de toda a imprensa. Estes exageros reactivos, denotam bem a total ausência de interesse do debate político que para os media só é relevante na forma, atirando-se para o monturo dos recicláveis, os problemas de urgente reflexão. Se há uns tempos um debate parlamentar se resumiu aos corninhos ameaçados por um ministro, agora temos a “Comissão dos Palhaços e Alternadeiras”.

Na Dieta Imperial de Tóquio, os deputados esmurram-se semanalmente. Na sua equivalente de Seul, a parada sobe para o patamar das cadeiras voadoras, pontapés na cabeça e esganamento por gravatas. O Reichstag de Berlim e o Reichsrat de Viena, já tiveram piores e melhores dias. Moscovo ou Kiev, são também bons exemplos de ringues de boxe em anfiteatro. Em Roma, é o que se sabe, com o lógico reflexo em Buenos Aires onde os espano-italianizados argentinos chamam uns aos outros, nomes que qualquer regateira do Bolhão não ousa proferir.

Num Palácio de S. Bento que já ouviu um deputado (1) sugerir a decapitação do Rei e onde Presidentes (2) eram acanalhados pelos seus, pasma-se agora com uma inofensiva troca de piropos mais ou menos saborosos. Se um foi apodado de palhaço, à outra sugeriu-se a pertença a um sector profissional que nas ruas deputa a freguesia, fazendo pela vida. Paciência, podia ser bem pior.

Coisas do sistema eleitoral de lista, onde aquecem os traseiros, fulanos e fulanas de quem jamais ouvimos falar e que “nos representam”. É a república semi-parlamentar e semi-presidencial. Habituem-se.

(1) Afonso Costa

(2) Manuel Arriaga, Teixeira Gomes, Bernardino Machado