Reabrir as escolas: um mal desnecessário

Entre os entusiastas que passaram a acreditar que este momento de excepção até poderia passar a ser regra e os que defendiam que deveríamos ficar quietos sem fazer nada, a comunidade educativa foi conseguindo o possível, não sem problemas, nunca sem defeitos e com algumas virtudes. Problemas, defeitos e virtudes, todos aprofundados, curiosamente.

Neste momento, a proximidade social ainda acarreta demasiados riscos. Ainda assim, com muita prudência, será possível ir (re)pondo a economia a funcionar. Calculo que, na medida do possível, muitos profissionais irão manter o teletrabalho, minimizando riscos.

A reabertura das escolas só deveria acontecer se fosse absolutamente indispensável e há muitas razões para considerar que não é, mesmo nesta versão minimalista de limitar o acesso aos alunos com disciplina de exame. Por muitos cuidados que se tomem, o risco de propagação aumenta. Além disso, este regresso forçado resulta de um problema que continua por resolver: a subordinação do ensino básico e secundário à Universidade, devido a um sistema de acesso ao Ensino Superior que tarda em ser alterado.

O documento emanado do Ministério da Educação serve para demonstrar, mais uma vez, que se trata de uma instituição governada por pessoas fechadas em gabinetes que não sabem e não querem saber o que é a vida de uma escola, dando ordens que poderão ser difíceis ou impossíveis de cumprir. Seria o momento ideal para que encarregados de educação e/ou directores tomassem posições conjuntas, à semelhança do que já aconteceu com a Escola Secundária Camões.

Aqui ficam algumas leituras:

 

O regresso forçado – Paulo Guinote

O regresso às aulas no ensino secundário – Zé Morgado

O número de alunos por turma pode colidir com os espaços disponíveis – Arlindo Ferreira

6 em cada 10 Encarregados De Educação não autoriza o regresso dos seus educandos às aulas presenciais – Alexandre Henriques

ME divulga documento que revela irresponsabilidade, amadorismo e falta de rigor nas atuais circunstâncias, sacudindo para as escolas decisões que deveriam ser estabelecidas em Protocolo Sanitário – posição da FENPROF

A propósito da reabertura da atividade letiva presencial – posição da FNE

 

 

Comments

  1. Elvimonte says:

    Deixo-lhe uns links para que possa analisar em gráficos, com os dados de que se dispõe, aquilo que está a acontecer pelo mundo.

    https://ourworldindata.org/grapher/covid-deaths-days-since-per-million?zoomToSelection=true&country=AUT+BEL+CAN+CZE+DNK+FRA+DEU+ISR+ITA+JPN+NLD+PRT+SGP+ESP+SWE+CHE+TWN+USA

    https://ourworldindata.org/grapher/daily-covid-deaths-per-million-7-day-average?country=CAN+ITA+NOR+PRT+KOR+ESP+SWE+CHE+GBR+USA

    Quando olho para as curvas da Suécia, nos gráficos cujos links figuram acima, confesso que não vejo diferenças assinaláveis no seu comportamento, quando comparadas com outros países que impuseram quarentenas cegas e fecharam todas as escolas.

    E na Suécia, pelo menos para os menores de 16 anos, as aulas não foram interrompidas.

    Também não foram interrompidas as aulas em Taiwan, na Coreia do Sul e noutros países asiáticos e os resultados da pandemia, expressos por milhão de habitantes, são ainda melhores.

    Será que os factos já não assumem qualquer relevância?

    Será que agora vamos deixar o alarmismo e a ignorância imporem os seus ditâmes?

    • Pimba! says:

      Se olhasse para as curvas em escala linear veria bem a diferenc,a de resultados entre a aberta Suécia e a fechada Dinamarca, sua vizinha.

      A Suécia tem níveis de infecc,äo e morte ao nível da Holanda, que é vizinha da Béligica, país da maior mortandade.
      E a Holanda/Bélgica têm uma densidade populacional tipo 4 vezes superior à da Suécia.

      Carregue em LOG, vá. Talvez perceba melhor.

      • Elvimonte says:

        Um dos gráficos encontra-se em escala linear, porque se trata do número de óbitos diário por milhão de habitantes. Nesse gráfico encontra alguma diferença assinalável no comportamento da curva sueca?

        No gráfico em que se apresenta o número total acumulado diário de óbitos por milhão de habitantes, porque se trata de um número que nunca diminui (ao que parece ainda ninguém terá ressuscitado) a escala adequada é a logarítmica.

        Percebeu? Não? Nem com as rectas que aparecem nesse gráfico etiquetadas com “death rate doubles every day”, “death rate doubles every 5 days”, etc.?

        Se ainda não percebeu nada posso fazer.

      • Elvimonte says:

        Olhe agora para o “top ten” do número de óbitos por milhão de habitantes.

        Bélgica: 726

        Espanha: 558

        Itália: 495

        Reino Unido: 451

        França: 398

        Holanda: 309

        Suécia: 301

        Irlanda: 284

        EUA: 232

        Suíça: 209

        Encontra alguma diferença assinalável nos números suecos?

    • Paulo Marques says:

      Não tenho opinião sobre a abertura das escolas, mas noto diferença nos resultados , como notam todos os especialistas.
      não tem é só a ver com escolas, nem para o bem, nem para o mal.

  2. socorro! says:

    Há sempre uns crânios que entendem destas coisas, é preciso é despejar a sua (deles) opinião.
    Se fosse para alguma manif a pedir mais dinheiro…

  3. Luís Lavoura says:

    Este post sofre do problema usual, ou seja, somente olha para os riscos sanitários mas não olha para os prejuízos decorrentes do fecho da atividade. Ou seja, é um post unilateral: só fala de que reabrir as escolas tem riscos (que tem, sem dúvida), mas não fala de que manter as escolas fechadas tem prejuízos (certos e indubitáveis).
    Quanto a alterar o método de entrada nas universidades, acho isso teoricamente muito bem, mas não vejo qual o método alternativo que se propõe.

    • Pedro Vaz (Nacionalista) says:

      António Fernando Nabais, além de ser mais um tachista da Educação (criou mais uma associação de professores tachista), é daquela geração patética (Baby Boomers) que nos levou á ruína ao pensar que a Vida tem obrigação de ser fácil e que isto é possível com leis e regulamentos.

      Uma geração de lorpas manipulada pelos Globalistas para nos levar á ruína.

      • António Fernando Nabais says:

        Muito obrigado pelo comentário e por me lembrar a minha participação na fundação da ANPROPORT: tenho muito orgulho em ter tido esse contributo e tenho o mesmo orgulho em me ter demitido de presidente da direcção pouco tempo depois, quando senti que a maioria desejava outro caminho. Confirma-se o meu “tachismo”, portanto. Sim como professor, estou sempre a dizer aos meus alunos que isto tem de ser tudo fácil e que, se não gostarem d’”Os Lusíadas”, podem comer só as batatas. Outra coisa que digo aos meus alunos: não se escreve “á”, mas “à”. Às vezes, eles, apelando ao meu facilitismo muito “baby boomer”, argumentam que se percebe na mesma e eu, claro, deixo de os corrigir. Beijinho na testa do nacionalistazinho!

      • Democrata_Cristão says:

        Os “Nacionalistas” sempre a chamar nomes aos outros.
        Ainda não vi aqui de tua parte uma única ideia coerente e que fizesse sentido.
        Canalhada auto convencida !

  4. Pedro Vaz (Nacionalista) says:

    O baby boomer tachista da educação acha que neste Mundo tudo tem a obrigação de ser fácil…tipico da geração que destruiu a Europa.

    #DayOfThePillow
    #DieAlreadyBoomer

    • António Fernando Nabais says:

      A geração que quase destruiu a Europa foi a dos nacionalistas da primeira metade do século XX, seu totozinho fofo! O menino tem de ler mais e melhor, riquezas da sua avó! Mas escreva sempre aqui, porque o meu lado “baby boomer” faz de mim um ternurenro incurável que acredita que temos de contribuir para a educação de todos, mesmo quando são uns nacionalistas sem noção, coitadinhos!

      • abaixoapadralhada says:

        Tens uma paciência para um fascista, que ainda por cima é cobardolas e não assume ?


  5. Oi. Na América Latina, as escolas ainda não foram abertas. Em alguns países, a pandemia já teve conseqüências muito graves e em outros não.
    Das organizações em que participo, como o Instituto Tecnológico Superior Serra, pedimos que o investimento em Educação a Distância seja aprofundado.


  6. Novas habilidades devem ser aprendidas pelos professores em Educação a Distância.

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