Percepções

A motivação e o propósito de Costa nunca foi o governo do País. Muito menos, o bom governo do País. O único objectivo que o motiva, é a gestão das percepções que os Portugueses têm do que faz.

Não lhe interessa nada se, na verdade, crescemos economicamente, se os Portugueses ganharam poder de compra, se baixamos a nossa dívida pública, etc., e mais recente e preocupantemente, se a gestão da pandemia em Portugal foi competente e eficaz. Não, o que realmente pretende é que os Portugueses (ou pelo menos, a sua maioria) pensem que sim. E para isso, vale tudo. Mentiras, meias-verdades, omissões e de vez em quando, mesmo muito de vez em quando, até a realidade. Se der jeito.

Durante os governos de Costa ultrapassamos máximos históricos (isto quer dizer que nunca e em momento algum foram tão altos) quer no montante global da nossa dívida soberana quer no valor de impostos que pagamos. Isso é importante? Para nós, sim. Para Costa, o importante é que as pessoas tenham uma percepção diferente. Que pensem que acabou a austeridade e que estamos a dever menos. E se para compor o ramalhete for necessário um superavit orçamental, ele arranja-se. Como? Fácil. Por exemplo orçamenta-se 10ME para um qualquer sector (educação, saúde, etc.), mas, na prática, só se autorizam gastos no máximo de 5ME porque se cativa outro tanto. E depois lá vem o deslumbrado do Centeno anunciar: olhem, sou tão bom que até ponho esta coisa a dar lucro. E os Portugueses arregalam os olhos e, boçalmente, acreditam.

Com a pandemia foi e é a mesma coisa. Somos o 15º País do mundo com o maior número de mortes por milhão de habitantes. Explicando, somos o 15º País do mundo onde mais se morreu por covid-19, em termos comparativos. Isto é, temos 14 Países onde a coisa, realmente, correu pior, mas temos mais de 180, repito 180 onde correu melhor e muito melhor.
Na última semana, somos o 2º País da UE com mais infectados novos. Ou seja, somos o 2º País da UE onde o controlo da pandemia se encontra mais longe, ou melhor, somos o 2º País com maior descontrolo. Claro que até aqui andamos a comer com a história do milagre português e ficamos muito ofendidos quando a Áustria ou a Grécia abrem as suas fronteiras a quase todos, mas não a nós.

E neste País em que o futebol reina (confesso que também faço parte desses súbditos) haverá algo melhor para ajustar a percepção que quatro quartos de final, duas meias finais e uma final da Liga dos Campeões? E onde? Na cidade que, ainda, não nos deixou conseguir o controlo da pandemia e que nos últimos 15 dias nos colocou, mesmo, na cauda da UE. Uma cidade que só não viu ser-lhe imposta uma cerca sanitária porque, enfim…é a capital.

E os ganhos que esses jogos nos trazem superam os riscos que vamos correr? Não, claro que não. Mas para parolos como nós somos, isso não interessa nada. O que interessa é a imbecil vaidade de receber a decisão da Liga dos Campeões.

E, realmente, vista por este prisma de pequenos pavões provincianos, a escolha de Lisboa começa a não parecer completamente estúpida.

Comments

  1. Sarfarão Azevedo says:

    Continua ressabiado?
    Pobre criatura. Habitue-se, ou use Rennie se ainda houver aí por perto, senão vai morrer angustiado.


  2. Na parte da escolha de Lisboa como palco da final da liga dos campeões tem razão. Não se entende a escolha sendo actualmente Lisboa a região da Europa em que os casos sobem e que parece estar um bocado fora de controle. E porque não foi escolhida a Grécia, um exemplo muito melhor do controle do Covid que Portugal e com muito menos casos? E há muitas mais regiões da Europa em que a pademia está melhor controlada que em Lisboa. A escolha de Lisboa na situação actual é estranha, e não digo mais nada pois não tenho provas de nada, mas que é estranha é.

  3. Paulo Marques says:

    “Durante os governos de Costa ultrapassamos máximos históricos quer no montante global da nossa dívida soberana quer no valor de impostos que pagamos”

    Tal como no governos anterior, no governos antes desse, no governo antes desse e no governo antes desse. É quase como se houvessem obrigações institucionais. para que isso aconteça.
    Quanto à Champions, é mais um disparate para tentar aumentar as exportações baratas de que tanto gostam os políticos responsáveis. É a vida, como diz o presidente, “Os portugueses merecem”, só que porque não aprendem.


  4. Pois é !
    O Costa está – se a cagar para isto tudo!
    Os troikeiros é que eram bons .


  5. estase (creio)

  6. Anasir says:

    está-se é que é correcto!

  7. António says:

    OK. Obg.

  8. César P.Sousa says:

    Boa “malha” Osório !

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