Árvores do Algarve III

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Fernando Pessoa e a inteligência sem cortinas

O inglês, a língua mais rica da Europa pela junção dos elementos “anglo-saxões” com os latinos, (…) naturalmente, enferma de uma estrutura do verbo relativamente acanhada e que só com uma prolixidade de emprego dos verbos auxiliares de certo modo se redime.
Fernando Pessoa

Retrato de Fernando Pessoa, de José de Almada Negreiros [https://bit.ly/2BXJWLN]

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Quando políticos falam sobre língua e sobre assuntos directa ou indirectamente com ela relacionados, é certo e sabido que tais iniciativas trazem água no bico. Segundo a Iniciativa Liberal (em chilreio antigo, só entretanto lido), Fernando Pessoa “foi uma das principais figuras do liberalismo português”. Para justificar tão ousada afirmação, a IL cita Fernando Pessoa:

Há serviços de Estado em muitos países, que trabalham com deficit previsto para beneficiar o consumidor. Como, porém, esse consumidor é ao mesmo tempo contribuinte, o que o Estado lhe dá com a mão direita, terá fatalmente que tirar-lho com a esquerda. O consumidor é, no fim, quem paga o que deixa de pagar.

Sendo correctíssima quer a citação feita pela IL, quer a seguinte descrição de Pessoa sobre si próprio

Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário,

também não é menos verdade que Pessoa escreveu esta maravilha:

Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predilecções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.
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Jornalismo versus Cidadania

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[Salomé Correia]

Um dos trabalhos mais importantes dos jornalistas é verificar a veracidade do que escrevem. Todo este artigo, do texto à imagem escolhida (convenientemente de protestantes que fazem parte do movimento Black Lives Matter) leva quem o leia a pensar que estes protestantes se estão a tornar violentos e a atacar a polícia.

Ora, eu estou cá – eu leio as notícias e vejo vídeos e conheço pessoas que por acaso até têm feito parte de algumas das manifestações.

A primeira coisa a apontar é que estas pessoas que estão, hoje, realmente a ser violentas, são de extrema direita – tendo efectivamente utilizado SAUDAÇÕES NAZIS durante as suas demonstrações. Não vejo isso a ser partilhado. Aliás, no artigo, a única coisa que dizem sobre estas pessoas é: “Alguns membros do grupo de extrema-direita Britain First foram hoje à Praça do Parlamento, segundo relatos dos meios de comunicação social, acompanhando o líder Paul Golding para proteger os monumentos.
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Má-fé

Um Povo que se consegue indignar com tudo e mais alguma coisa (desde que a causa da indignação obedeça aos altos critérios do politicamente correcto), mas que aceita fleumaticamente isto, é um Povo que pede e, já agora, merece que o enganem, que o explorem e que o gozem.

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