
Conheço – de vista – um construtor civil que gosta muito do André Ventura. Porque ele diz as “verdades”, pese embora seja o maior aldrabão da política portuguesa desde José Sócrates. Não admira que tenha votado nele.
Adiante: este construtor civil, ouvi-o eu dizer, está “farto de monhés” e quer, claro, que eles voltem para a sua terra. Curiosamente, tendo passado há dias numa obra da sua empresa, a esmagadora maioria dos seus trabalhadores, imagina tu, são do subcontinente indiano.
Sim, estamos perante um hipócrita, mas não é isso que me traz aqui. O que me traz aqui é que este caso ilustra uma realidade mais ampla, uma característica base da extrema-direita populista, que se resume a pregar como Frei Tomás.
Não gosta de imigrantes, luta para que não tenham quaisquer direitos, mas prefere contratar os tais “monhés” do que trabalhadores portugueses, que não estão tão disponíveis para trabalhar em regime de semi escravatura.
Também não gosta de corrupção, e adora falar no Sócrates e nos casos do nosso centrão, mas apoia incondicionalmente o político mais corrupto da história recente da UE, Viktor Orbán, e o político mais corrupto da história do Ocidente, Donald Trump.
Diz-se contra tachos e compadrios, mas bastou aproximar-se do poder para que a narrativa se desmoronasse. As poucas autarquias controladas pelo CH têm sido um regabofe de tachos, favores e ajustes directos. Basta ver o que se passa em Albufeira, onde até a irmã do autarca em funções foi promovida.
Também não gosta de pedófilos, de devassos e de pessoas que, alegadamente, atentam contra os valores cristãos e, uma vez mais, veneram Trump, alegado pedófilo e confirmado adúltero que é a total negação dos valores pregados por Jesus.
Diz ainda defender os interesses do povo, como qualquer populista, mas, no final do dia, são os interesses do seu egocêntrico líder, e das elites que financiam o partido, que são verdadeiramente defendidos. Regressemos, uma vez mais, a Trump, que mais do que duplicou a sua fortuna no primeiro ano de mandato, e cujos filhos beneficiam de contratos públicos milionários e da influência do pai para conseguir grandes negócios em países-modelo como o Tajiquistão. Enquanto a vida do americano comum se torna mais cara, mais insuportável e menos livre. Sobre isto, nem um pio dos populistas que temos cá.
Como é que ainda se cai nisto?
Como é que ainda não percebemos todos que, onde quer que governem – EUA, Rússia, Hungria – o resultado da sua governação é sempre autoritarismo, corrupção e oligarquia?
Achas mesmo que o que se está a tentar construir nos EUA é muito diferente daquilo que Putin construiu? Não viste como Trump o recebeu no Alasca? As palavras que lhe dedicou? Como humilhou os serviços secretos americanos em Helsínquia?
Eu até compreendo que um adolescente cheio de dúvidas na cabeça possa cair neste conto do vigário bilionário, mas como é que um adulto funcional na posse de todas as suas faculdades se deixa levar?
Não percebo. A indignação dos lesados do capitalismo globalista não chega para explicar esta alucinação colectiva. Um mosquito indignado com o mata-moscas não vota no insecticida. A menos que tenha tendências suicidas. Da maneira que os fundamentalismos estão na moda, em Washington como em Teerão, poderá muito bem ser por aí.








A esquerdalhada sempre se dirige ao que dizem ser a ‘extrema-direita populista’, o que se traduz numa ajustada correspondência de sinais opostos no que se diz ser a disputa sempre presente: esquerda/ direita.
Uns e outros dispensam-se de conhecer os referenciais doutrinários a que se dizem associados e fingem decididamente ignorar as condições funcionais das ideologias que dizem professar.
Agitar bestialidades é o essencial do jogo que assumem como se do foro ‘intelectual’.
Pois claro!
Como diria o célebre “penseur” francês JêgêMoins “La Idéologie de Droite Est Trés Belle, Les Populistes Est Que Donne Cap D’elle”.
Frase que consta na sua obra seminal “Annales du Contorssionisme Politique”, que analisa casos notáveis em diversos contextos, avultando um capítulo inteiramente dedicado a JgMenos intitulado “Comment Tirer Parti de L’effet de Ventilateur Provoqué Par JgMenos Pour Atténuer Les Conséquences du Changement Climatique — Qui N’existe Pas”.
https://observador.pt/opiniao/os-pedofiliados-no-chega/
O João não percebe porque não se põe na posição dele, de como ouviu por décadas como as elites portuguesas e europeias prometiam maravilhas do multiculturalismo, da integração europeia, dos fundos europeus, das paixões na educação e saúde e por aí fora, e o resultado que vê, deturpado ou nem tanto, é um estado que deixa de funcionar enquanto cria rendas sem fim, o custo de vida a disparar décadas a fio, as cidades a mudar sem desenho nem controlo, a identidade cultural a ser atacada, o discurso a ser controlado e censurado, que ficamos todos por conta própria com os efeitos da pandemia, que está a falhar por culpa própria, etc. Junte-se milhões a vender o plano B a promover os ditos como querendo outro sistema, seguidos de mais milhões ainda a empurrar o centro responsável para as mesmas posições e a esquerda compatível para guerras culturais sem questionar o sistema ou o regime, e está o caminho traçado para o estado supremo do capitalismo.
Ou isso, ou é a guerra híbrida, que dá jeito para justificar tudo sem explicar nada para desviar ainda mais do produto de quem trabalha.